O Centro Cultural e Recreativo Fontainhas e Grainho comemorou 51 anos de existência, com três dias que envolveram cultura, desporto, tradições e homenagens. 

“Esta data é um marco histórico que nós pretendemos preservar e comemorar. É importante relembrar este dia porque foi nesta altura que se fizeram alguns bailes e a partir daí um grupo de pessoas juntou-se e decidiu fundar esta colectividade”, recordou Jorge Oliveira, presidente do Centro Cultural e Recreativo Fontainhas e Grainho. 

Os festejos iniciaram-se no dia 06 de Março com a peça de teatro ‘Antes de Fugir’, uma comédia baseada na vida de D. Quixote e seu Aio Sancho Pança, promovida pela Academia de Teatro do Círculo Cultural Scalabitano e Veto Teatro Oficina.

“Nós mantemos uma relação estreita e de parceria com o Veto Teatro Oficina do Círculo Cultural Scalabitano ao longo dos anos. Acho que é uma forma do teatro ir às aldeias e de descentralizar a cultura”, afirmou o presidente do Centro Cultural e Recreativo, adiantando que está prevista mais uma sessão de teatro, promovida pelo Veto Teatro Oficina, em Abril.

Por sua vez, o dia 07 de Março foi dedicado ao desporto e às tradições, com a realização de um peddy paper, um torneio de sueca e diversos jogos tradicionais, através dos quais a população pôde reviver as suas memórias de infância.

“Os jogos tradicionais são desenvolvidos em parceria com o grupo Enxamula, que há muitos anos participa nos jogos tradicionais das Fontainhas, nomeadamente a subida ao pau de sebo, o jogo do peão e do prego. E estas gentes que vêm aqui desenvolver estes jogos acabam por recordar a outras pessoas o que são os jogos tradicionais”, sublinhou Jorge Oliveira. 

No dia 08 de Março o desporto continuou presente nas festividades da colectividade, com a realização de um jogo de futebol entre solteiros e casados e um torneio de chinquilho relâmpago, que foi disputado pelas equipas do Centro Cultural e Recreativo das Fontainhas e Grainho e da Póvoa da Isenta.

“O chinquilho está em vias de extinção e é um dos jogos mais tradicionais da nossa região. Nas aldeias do Grainho e das Fontainhas é um jogo que se joga num par de tabuleiros montados no exterior da nossa sede, no qual as pessoas se encontram e jogam. Noutros tempos, todas as tabernas tinham um jogo de chinquilho. Os homens encontravam-se à noite e ao fim de semana para jogar e beber o seu copinho de vinho”, relembrou. 

Pela tarde de domingo, decorreu o tradicional almoço de aniversário do Centro Cultural e Recreativo Fontainhas e Grainho, com as comemorações a terminarem com o habitual bolo de aniversário, uma homenagem a João Manuel Jacinto, pelos 50 anos de sócio, e a actuação do Rancho Folclórico do Bairro de Santarém, grupo fundado em 1925 e que preserva os usos e costumes das aldeias do Grainho e das Fontinhas. Três dias de festa, onde o associativismo dos voluntários do Centro Cultural e Recreativo foi determinante para a sua realização e manutenção da própria colectividade.

“Temos uma fonte de despesa fixa enorme e a fonte de receita maior para suportar essa despesa fixa é o bar que é assegurado voluntariamente pelos seus dirigentes”, destacou. 

Fundado a 08 de Março de 1975, o Centro Cultural e Recreativo Fontainhas e Grainho tem resistido à passagem do tempo, adaptando-se aos novos tempos e realidades. 

“Notamos que o espaço de participação no Centro está a alargar. Já há pessoas da cidade de Santarém e de outras localidades a visitarem-nos. E é por aí que nós pretendemos cativar as pessoas, com o nosso convívio e ambiente de partilha”, realçou. 

Questionado sobre o futuro do Centro Cultural e Recreativo Fontainhas e Grainho, Jorge Oliveira aponta que o caminho passa pela obtenção de uma sede própria para a Colectividade. 

“Um dos grandes objectivos é resolver esta situação para depois planearmos outros objectivos com mais pormenor. Para já, vamos continuar com as nossas actividades que já temos programadas ao longo deste ano”, afirmou. 

Entre as principais actividades desenvolvidas pelo Centro Cultural e Recreativo Fontainhas e Grainho para este ano, constam uma palestra sobre a problemática das novas tecnologias e inteligência artificial, em parceria com a Escola Superior de Educação do Politécnico de Santarém, o tradicional Baile da Pinha, um Arraial Sardinhada pelos Santos Populares e um Convívio de Pesca.

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