Empresários do Ribatejo procuram financiamento alternativo à banca tradicional


“As empresas precisam de instrumentos financeiros mais apropriados para desenvolverem uma verdadeira estratégia”. A frase é de Domingos Chambel, vice-presidente da direcção da NERSANT, entidade que hoje apresentou aos empresários da região o ‘Finance for Growth’, programa de informação e capacitação da AIP (Associação Industrial Portuguesa) e da AEP (Associação Empresarial de Portugal) que visa sensibilizar as PME para o mercado de capitais e para outras fontes de financiamento.

“A banca não se tem mostrado ao nível dos empresários. Está mal preparada para os desafios da actualidade e precisa de ser mais amiga do investimento”, declarou ainda o responsável da NERSANT, afirmando ser necessário encontrar “formas de financiamento alternativas”.

PUBLICIDADE
Domingos Chambel,
vice-presidente da direcção da NERSANT

“A capitalização e o financiamento são as maiores dores de cabeça das empresas, que passam mais tempo a fazerem gestão corrente do que a desenvolver uma verdadeira estratégia empresarial”, afirmou ainda Domingos Chambel.

Uma posição secundada pelo presidente da AIP, José Eduardo Carvalho: “tivemos os piores resultados do Portugal 2020 nos eixos do redimensionamento empresarial e dos mecanismos alternativos ao financiamento”, disse, considerando essencial para o crescimento do tecido empresarial o “acesso aos mercados de capitais”.

“O tema da capitalização das empresas é fundamental”, considerou, apelando a que os empresários optem por trilhar caminho neste campo: “é uma área complicada, mas vale a pena”, concluiu.

O ‘Finance for Growth’ é um programa de capacitação de empresas que junta vários parceiros, entre os quais AEP e AIP, com o apoio da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD) e Euronext.

Trata-se de um plano que pretende apoiar “as empresas mais ambiciosas e inovadoras nas suas etapas de crescimento e internacionalização”, envolvendo empresários, investidores/financiadores e especialistas de mercado, “no apoio das organizações para pensar e rever as suas estruturas, capitalizar os benefícios do programa para aceder a novas oportunidades de negócio e opções de financiamento, e passar à acção, implementando mudanças que resultem da reflexão que será estimulada com o apoio da comunidade de parceiros do projecto”.

As empresas que participam no Finance for Growth beneficiam de: acesso directo e alargado a um ecossistema líder de especialistas (nacionais e internacionais), investidores, advisors, opinion makers, empreendedores, e empresas com diversos perfis de financiamento; envolvimento com uma comunidade diversificada de investidores, com acesso a financiamento de capital de diversas fontes, mais adequadas ao modelo de negócio da empresa, oportunidade de interagir e partilhar experiências com outras empresas, com aspirações de crescimento e desenvolvimento semelhantes; aceder a conhecimentos técnicos que suportem decisões de negócio e de financiamento mais informadas e eficazes; e participar numa plataforma que elevará o perfil da empresa junto de uma comunidade de stakeholders, suportada por uma extensa campanha de media e por um portal dedicado.

1155 empresas criadas no distrito de Santarém em 2018

A NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém, analisou os dados referentes à criação de sociedades e verificou que em 2018 foram criadas no distrito de Santarém 1155 empresas, um aumento de 17,98% em relação ao ano anterior. O ano de 2018 foi mesmo o que mais empresas criou desde 2014, com Santarém, Ourém e Benavente a assumir os lugares dianteiros do pódio.

O apoio à criação de empresas na região do Ribatejo continua a ser uma das fortes apostas da associação empresarial, que diariamente continua a acolher e acompanhar os empreendedores no processo de criação dos seus negócios. É por este motivo que a NERSANT tem especial cuidado a analisar mensalmente a criação de empresas no distrito, examinando o ranking por concelho.

Terminado o ano de 2018, a NERSANT analisou não só os números referentes ao ano passado, mas efectuou também uma comparação dos mesmos com os últimos 4 anos, com especial destaque entre os anos 2017/2018.

Comecemos pela análise entre 2014 e 2018: a primeira conclusão a que se chega é o facto de 2018 ter sido, dos últimos 4 anos – desde 2014 – o ano em que se criaram mais empresas no distrito. Relativamente à criação de sociedades por concelho de 2014 a 2018 – que totaliza 5236 empresas criadas – conclui-se que quem criou mais empresas ao longo destes 4 anos foram os concelhos de Santarém (887), Ourém (656), Benavente (490). Sardoal (28), Constância (28), e Vila Nova da Barquinha (52) foram os concelhos menos empreendedores entre 2014 e 2018.

Analisando a fundo o ano de 2018, verifica-se que foram criadas naquele ano 1155 empresas, um aumento de 17,98% em relação ao ano anterior, com mais 176 empresas em relação a 2017. Santarém, com a criação de 207 sociedades, Ourém, com a criação de 167 e Benavente, com a criação de 106, continuaram, em 2018, a ser os concelhos mais empreendedores, à semelhança do que já tinha acontecido em 2017, 2016 e 2014. O ano de 2015 foi igualmente liderado pelos concelhos de Santarém e Ourém, mas com uma pequena diferença: Benavente não assumiu o terceiro lugar, sendo, apenas neste ano, substituído pelo concelho de Torres Novas, que garante o 3.º lugar com uma diferença de 4 empresas relativamente àquele concelho da Lezíria do Tejo.

No que diz respeito à criação de empresas por concelho, apesar de Santarém ter reforçado, em comparação com 2017, a sua liderança em 2018, ao criar 17,92% do total das empresas, seguida de Ourém, que criou 14,46% das empresas, foi de facto este último concelho que mais cresceu em termos absolutos, registando-se um crescimento de mais 45 empresas de 2017 para 2018. Almeirim (+ 54,76%) e Coruche (+46,15%) foram os concelhos que mais cresceram em 2018, em comparação com 2017.

Constância (5), Sardoal (5) e Alpiarça (9), foram em 2018, à semelhança de 2017, os concelhos onde foram criadas menos empresas. Houve ainda quem apresentasse, entre 2017 e 2018, crescimentos negativos no âmbito da criação de empresas. Foi o caso de Abrantes, Alpiarça, Chamusca, Constância, Golegã, Sardoal e Vila Nova da Barquinha.

PUBLICIDADE

PARTILHE COM OS SEUS AMIGOS