“Jogar ao ar livre pode despertar a curiosidade de mais utentes e cabe-nos a nós aproveitar esta grande vantagem”

Élio Cunha é presidente da Associação de Ténis de Leiria (ATLEI) e do Clube de Ténis de Santarém. Em entrevista ao Correio do Ribatejo revela os apoios e medidas previstas da ATLEI para os clubes da sua área de abrangência e perspectiva um regresso calmo aos treinos e competições. Como presidente do Clube de Ténis de Santarém, o dirigente assume o impacto financeiro na instituição e revela que tudo indica a realização do torneio internacional Ladies Open com um prémio monetário de 25 mil dólares.

Élio Cunha

Primeiro de tudo, qual é o impacto desta paragem forçada no Ténis da Região? 
A paragem forçada da actividade, provocou desde logo o cancelamento de todos os torneios Regionais e Nacionais, o que provoca para além do transtorno da paragem dos tenistas, uma paralisação da actividade económica nas localidades e clubes em que são realizados. O confinamento dos tenistas irá provocar uma redução da sua performance.

A formação também parou. Considera que isto atrasa o crescimento dos atletas?
Claramente, nos escalões de pré-competição e competição terá de se incrementar o número de horas de treino para recuperar o atraso que esta paragem provoca. No caso dos escalões de formação com características sociais este impacto é menor, pois os objectivos são mais modestos.

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Que ações tem a ATLEI previstas para apoiar os clubes agora no regresso?
Desde logo emitimos notas de crédito aos clubes, de todos os torneios cancelados e suspendemos as emissões de novas facturas, por outro lado está prevista a realização de um Fórum da ATLEI com os clubes da área geográfica, para que possamos em conjunto concluir, qual a melhor forma de os apoiar.
No imediato, acompanharemos com certeza as medidas da Federação Portuguesa de Ténis.

A ATLEI está em contacto com a Federação para planear o regresso do Ténis à região?  
Nestas últimas semanas temos contactado várias vezes com o Presidente da Federação Portuguesa de Ténis (FPT) no sentido de apresentar contributos, e vamos organizar mais um Fórum das 13 Associações Regionais de Ténis de Portugal com a FPT para alinhar os pormenores do regresso à actividade.
A ATLEI foi a dinamizadora deste Fórum que reúne duas vezes por ano com a FPT na tentativa da melhoria do Ténis no seu conjunto e em ambiente extra às Assembleias Gerais. A FPT emitiu um documento muito bem elaborado com cinco fases de Retoma à Atividade num trabalho conjunto com o IPDJ e a DGS.
No plano estão também incluídas as medidas de higiene e segurança a ter em conta para a prática da modalidade neste novo contexto. O Ténis tem a grande vantagem de ser praticado ao ar livre e num espaço de cerca de 700 m2.

Que apoios pode dar também a Federação Portuguesa de Ténis aos clubes e associações da região?
A FPT lançou um conjunto de medidas num pacote de 500.000€ de apoio á retoma. Este domingo debatemos no Fórum on-line em circuito fechado o alinhamento das medidas de apoio.

Quais são os impactos financeiros que esta paragem provocou aos clubes?
A completa ausência de facturação, dado que as mensalidades e alugueres não são cobradas aos utentes/sócios/alunos, causando o layoff de trabalhadores dos clubes e recorrência à moratória de créditos de forma a evitar incumprimentos. As famílias vão com certeza passar por dificuldades o que poderá provocar no imediato uma redução da afluência de utentes.
No entanto dada a vantagem de se jogar ao ar livre e em 700 m2 poderá também potenciar o despertar de curiosidade de mais utentes. Cabe-nos a nós aproveitar esta grande vantagem.

Há algum clube da região que já tenha manifestado dificuldades financeiras?
Apesar de não nos ter chegado qualquer informação nesse sentido, temos a consciência que existem algumas situações que podem trazer algumas desilusões, tudo dependerá do evoluir em termos temporais das medidas de confinamento.

Considera que as autarquias têm de olhar mais para estas modalidade e menos para o futebol?
Considero que já existe uma tentativa de olhar mais para outras modalidades, no entanto o futebol enquanto movimentador de grandes massas e fluxos financeiros é sempre uma modalidade forte, também pelos apoios financeiros que a FPP possui.

“Estamos convictos que juntos iremos ultrapassar a situação actual e manter a dinâmica como até aqui”

É também presidente do Clube de Ténis de Santarém. Que balanço faz da temporada?
Estávamos a entrar no auge da temporada com a realização em Março de Campeonatos Regionais e de Nacionais em Junho, e que foram adiados pelo que não temos nesta fase balanço em termos desportivos. Já nos indicadores de adesão de novos alunos nas modalidades de ténis e Padel o balanço é positivo.

Como avalia a evolução do clube até aos dias de hoje?  
Os quatro campos de ténis repavimentados com a colaboração da Autarquia e Junta de Freguesia; Os dois campos de Padel cobertos, que também permitem, em caso de chuva, ministrar aulas de mini-ténis (jovens até dos 4 aos 10 anos); Para além da envolvência do clube com a vedação e a concessão do café/esplanada, são aspectos que muito nos orgulhamos.
Em termos desportivos considero que a estratégia adoptada, desde 2007 em apostar numa escola de formação de qualidade, foi um factor determinante para sermos um clube de referência Nacional.

Que modelo é utilizado para formar jogadores no clube?  
O modelo que adoptamos no Ténis desde o início foi o método promovido pela FPTénis do Programa Play and Stay. O facto de termos treinadores e direcção técnica, certificados pelas respectivas Federações Ténis e Padel é também um factor muito importante, para além de perceber quais são as expectativas de cada um dos jogadores.

O Ténis Santarém sentiu impactos financeiros?
Sem dúvida, a paragem da actividade inviabiliza o retorno financeiro face aos custos de estrutura e financeiros, tendo-se recorrido ao Lay-off de forma a proteger os postos de trabalhos, pois todos os funcionários possuem contrato de trabalho. Iniciámos uma campanha de apoio ao Clube através dos nossos Sócios, Alunos e Amigos e a angariação de novos Sócios.

O clube realiza anualmente o Ladies Open. Pensa ser possível realizar este torneio internacional este ano e aumentar o prize money como tinha falado anteriormente?
Contamos organizar o Santarém Ladies Open de 25.000USD com o apoio da Autarquia e da FPTénis que nos garante o apoio da Magnesium OK. Segundo a FPT é possível que os torneios internacionais em Setembro se venham a realizar, pelo que concorremos já ao pedido de apoio junto da CMSantarém, no programa específico para o efeito.

O que perspectiva para o futuro do Ténis Santarém?  
Estamos convictos que juntos com os nossos Sócios, Alunos, Pais e Amigos iremos ultrapassar a situação actual e manter a dinâmica como até aqui.

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