As medidas em vigor são “suficientes e equilibradas” para responder à actual situação da pandemia, mas poderão ser necessárias restrições mais duras caso se verifique maior pressão sobre os serviços de saúde, defendeu o investigador Miguel Castanho.

“Eu creio que, para já, as medidas são suficientes e equilibradas, no sentido que são proporcionais à gravidade da situação”, disse à Lusa o investigador do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

No dia em que vai decorrer uma nova reunião de avaliação da pandemia entre especialistas e políticos, na sede do Infarmed, e na véspera do Conselho de Ministros, Miguel Castanho considerou que um eventual agravamento da pressão sobre os cuidados intensivos pode obrigar à adopção de medidas mais restritivas.

“Eu sou a favor de não agravar as medidas, pelo menos para já, mas não sou a favor de nenhum tipo de euforia, porque se a situação piorar vamos ter de deitar a mão a outro tipo de medidas”, salientou o especialista, para quem é necessário “manter o espírito aberto e, eventualmente, dar um passo atrás para, de seguida, dar dois à frente”.

Para Miguel Castanho, o país está numa situação delicada em termos de incidência de novos casos, mas ainda não se encontra “numa situação de extrema gravidade em relação às linhas vermelhas”, sobretudo, na ocupação de camas em cuidados intensivos e no número de vítimas.

“Deixou de haver a proporcionalidade que havia antes entre o número de casos e a pressão sobre o sistema de saúde”, referiu.

O investigador estimou que o ritmo da subida de novas infecções “vai tender a decrescer”, tendo em conta que terminou o período de maior mobilidade e ajuntamento de pessoas devido ao Natal e Ano Novo, assim como à redução do número de testes.

“Nos números que já conhecemos já temos a influência do Natal e nos próximos dias teremos a influência da passagem de ano”, disse Miguel Castanho, ao avançar que, como é próprio da multiplicação viral, os acréscimos e decréscimos de casos são muito rápidos.

“Podemos entrar, dentro de algumas semanas, num ciclo de decréscimo”, disse o investigador do Instituto de Medicina Molecular.

Em Portugal, desde Março de 2020, morreram 19.015 pessoas e foram contabilizados 1.460.406 casos de infecção, segundo dados da Direção-Geral da Saúde de hoje.

Leia também...

Câmara de Coruche reduz horários e suspende actividades

A Câmara de Coruche anunciou hoje a redução do horário de atendimento e a suspensão de diversas actividades, no âmbito do Plano de Contingência…

Centro Hospitalar do Médio Tejo com mais 26 camas em enfermaria e 4 camas em Cuidados Intensivos

O Centro Hospitalar do Médio Tejo, EPE, avançou para uma nova fase no Plano de Contingência contra a Covid -19, com a abertura de…

Abrantes com centro de análises para doentes não covid no Estádio Municipal

O Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) instalou um Centro de Colheita de Análises para doentes não covid-19 no Estádio Municipal de Abrantes, um…

Centro de Referência da ULS Lezíria reconhecido com certificação de qualidade da DGS

O Centro de Referência na área de Oncologia de Adultos – Cancro do Reto da Unidade Local de Saúde da Lezíria (ULS Lezíria) obteve…