Em pouco mais de três anos, a Santa Casa da Misericórdia de Tomar (SCMT) conseguiu equilibrar as suas contas, reduzindo em mais de 80 por cento os resultados negativos que vinha a acumular e que perfaziam, em 2018, os cerca de 512 mil euros.

Quando António Alexandre assumiu a provedoria da Misericórdia de Tomar, em 2018, sucedendo a Fernando de Jesus, herdou uma situação financeira pouco confortável e que não permitia à instituição continuar o seu caminho de desenvolvimento.

Por isso, o então recém-eleito provedor decidiu arregaçar as mangas e colocar mãos à obra: solicitou apoio à União das Misericórdias (UMP), em concreto ao Gabinete de Auditorias, a fim de resolver o problema. E, em boa hora o fez, segundo nos confidenciou António Alexandre.

Esta estrutura da UMP, que existe desde 2016, visa prestar aconselhamento técnico às Misericórdias, através de auditorias económico-financeiras, que avaliam o funcionamento e custo das respostas sociais de acordo com a legislação em vigor.

Assim “os técnicos do Gabinete apontaram várias reestruturações a fazer e que nós fomos implementando à medida que a auditoria ia evoluindo. Ou seja: fomos, faseadamente, implementando essas recomendações, acompanhando e tomando logo medidas”, explicou.

E os resultados não tardaram a chegar: “quando recebemos o relatório final, em meados de Maio de 2019, já tínhamos muitas das coisas em implementação e, fruto disso, começámos a ver sinais positivos. No ano seguinte, esse saldo negativo reduziu para metade até que, no ano passado, esse valor cifrou-se em apenas 66 mil negativos. Baixámos de 500 para 66 mil, numa evolução muito consistente e significativa, tendo em conta as medidas sugeridas pela auditoria e que fomos, exemplarmente, executando”, afirmou.

Segundo disse, foram três as acções que a Mesa tomou. Em primeiro lugar, houve a necessidade da racionalização dos recursos humanos, “que foram alvo de uma gestão muito rigorosa, tendo em conta as necessidades permanentes e respondendo a essas mesmas necessidades”.

“Esta foi uma medida muito importante que permitiu, desde logo, ganhos de eficiência e que tornou possível enfrentar, com robustez, os investimentos posteriores que tivemos de realizar, nomeadamente com o aumento das retribuições aos nossos funcionários”, conta o provedor.

Por outro lado, a Mesa Administrativa interveio directamente na diminuição das despesas correntes, nomeadamente nos custos com água, gás, electricidade, entre outras, e, a par disso, realizou uma gestão “muito rigorosa das aquisições”.

Neste plano, garante o responsável, a instituição obteve “ganhos de escala substanciais”, tanto que, em pleno período de pandemia, que trouxe consigo uma grande pressão de tesouraria, a Misericórdia conseguiu dar uma resposta “cabal e eficaz” porque tinha já “uma robustez financeira” com essa capacidade.

“Nos anos de pandemia, o rigor aumentou, mas este foi um trabalho de todos: Mesa Administrativa, chefias e funcionários que perceberam que este era o caminho a fazer. Só assim é que podíamos continuar a servir a nossa comunidade”, afirmou.

Um terceiro eixo de intervenção, segundo explicou, prendeu-se com a actualização dos valores das mensalidades, em algumas valências, o que já não acontecia há algum tempo.

“Houve aqui uma actuação concertada, ao nível das despesas e das receitas, fazendo com que a estratégia seguida fosse um sucesso e que nos permitiu atingir saldos mais confortáveis para responder, inclusive, às necessidades de aumentos de pessoal, que temos feito, e de pagamento mais atempado aos fornecedores, que agora nos restituíram a sua plena confiança”, avançou.

“Foi uma ação que envolveu muito esforço, mas valeu a pena”, resume António Alexandre, assumindo que, agora, existe na instituição um clima de “tranquilidade e segurança”.

Este passo que António Alexandre decidiu dar, valeu à SCMT, uma ‘Distinção de Mérito’ atribuída pela Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, no âmbito das comemorações do Dia Nacional da Segurança Social.

Esta Distinção de Mérito – que foi concedida pelo facto de a Misericórdia de Tomar ter “desenvolvido ao longo dos últimos anos um projecto de reestruturação financeira e administrativa, que lhe permitiu preparar-se melhor em termos da sua sustentabilidade” – António Alexandre faz questão de partilhar com a UMP: “Este prémio é de todos, também da UMP, uma vez que se não fosse esta ajuda inestimável do Gabinete de Auditoria e do acompanhamento que tem feito, nada disto teria sido conseguido”.

“Foi e é um trabalho colectivo que eu faço questão de enaltecer e reforçar porque, sozinhos, sem o apoio da UMP, nunca teríamos conseguido atingir este objectivo, que agora nos permite olhar para o futuro com outro optimismo e perspectivar investimentos que melhorem a qualidade de vida da nossa comunidade”, reafirmou o provedor, desafiando os seus colegas das Misericórdias a recorrerem a este Gabinete a fim de melhorarem a “saúde financeira” das suas instituições, condição essencial para o enfrentar dos novos desafios da contemporaneidade.

Este reequilíbrio agora atingido, diz António Alexandre, permite agora à SCMT perspectivar novos investimentos que permitam ampliar o apoio à comunidade.

“Neste momento, estamos focados em alguns projectos, nomeadamente o aumento da resposta ao nível dos Cuidados Continuados, construindo uma nova unidade e, se possível, avançar para a construção de um novo Lar. Estamos a projectar um Complexo Social, que incluirá, também, a valência de com Centro de Dia, num terreno proveniente de uma benemerência”, revela.

“Falta apenas que o Município conclua os Panos de Urbanização de forma a contemplar este terreno. Depois, é avançar com o projecto e candidaturas a possíveis fundos. O futuro passa por a Misericórdia crescer em serviços que são necessários para a comunidade e, nas áreas em que temos tradição, podemos dar essa resposta”, afirma, concluindo: “o nosso foco é manter as contas certas e organizadas, crescer em serviços à população e, também, em número de empregos que tão necessários são no concelho”.

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