A jurista Sónia Lobato, de 41 anos, assumiu, na última quarta-feira, dia 13, a presidência da União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social de Santarém (UDIPSS), numa cerimónia que decorreu no Teatro Sá da Bandeira, em Santarém.

As eleições decorreram no dia 9, no auditório Vaz Portugal da Estação Zootécnica Nacional no Vale de Santarém, havendo apenas uma lista candidata. Dos 30 votantes, houve 28 votos válidos, um nulo e um em branco.

Sónia Lobato é, actualmente, presidente da direcção do LENE – Lar Evangélico Nova Esperança, situado em Alcanhões, e conta com uma longa experiência no sector social.

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A jurista diz que vem “do terreno” e traz consigo uma “agenda muito própria, muito diferente”, sendo um dos seus desafios aproveitar um momento em que “nunca se falou tanto do sector” para lançar um debate e uma reflexão profunda sobre a institucionalização.

Referindo as inúmeras situações de lares ilegais que a pandemia da covid-19 revelou, deixando à vista de todos a carência de soluções para grande parte da população idosa do país, Sónia Lobato considerou ser altura de debater e começar a preparar “outras soluções”.

Para a também dirigente, é preciso que as pessoas, quando for a hora de decidir, possam ter a possibilidade de escolher entre ficar numa instituição ou nas suas casas, sabendo que, se assim for, terão ajuda na adaptação dos espaços e uma “rede forte de apoio domiciliário”.

Sónia Lobato defendeu que, para melhorar a capacidade de resposta do sector, é preciso que este passe a atrair pessoas qualificadas e motivadas, pelo que se vai bater pela contratação colectiva e uma regulação laboral específica para o terceiro sector, que assegure a valorização e salários dignos para funcionários e pessoal técnico.

“Não se pode exigir um serviço de qualidade quando os salários começam, desde 01 de Janeiro, nos 685 euros, para pessoas que têm de prestar cuidados de higiene a idosos e lidar com situações de doença e, por vezes, de demência”, e que têm de ser tratados “com toda a dignidade”, disse.

Da “agenda” que vai levar já à próxima assembleia geral da Confederação Nacional das IPSS (CNIS) consta ainda a “responsabilização dos dirigentes”, com exigência de uma “boa gestão dos dinheiros” das instituições, o que, no seu entender, tem de passar pela capacitação e profissionalização.

Do programa da candidatura “Todos Somos União” faz ainda parte a defesa da redução da TSU para o terceiro sector, a revisão dos acordos de cooperação (mínimo 50%), a definição legal da categoria de Diretor Técnico e a formação profissional.

Sónia Lobato considerou ainda essencial assegurar a capacidade de comunicar para acabar com a imagem de que os idosos não são devidamente cuidados nas instituições e também para que as informações divulgadas, nomeadamente, sobre surtos da covid-19, dadas com grande relevo num momento inicial, forneçam um retracto da sua evolução e um contexto quando existem mortes de utentes.

Sobre as estruturas não legalizadas, a nova presidente da UDIPSS de Santarém sublinhou a importância do trabalho junto de quem desenvolve uma actividade paralela, por vezes com comportamentos “criminosos”, e das famílias que procuram essas soluções, para as quais é necessário oferecer alternativas.

No seu entender, a criação de equipas numa rede forte de apoio domiciliário será uma forma de combater os lares ilegais, sublinhando que essa é uma solução que tem de começar a ser construída agora para ser uma verdadeira alternativa a médio/longo prazo.

O anterior presidente, Hilário Teixeira, eleito em Junho de 2020, demitiu-se do cargo, obrigando a novo acto eleitoral, tendo referido que a queda da direcção foi “provocada por um grupo que agiu por interesses pessoais e de grupo, com os quais não podia pactuar”.

Em comunicado enviado à nossa redacção, Hilário Teixeira, explica porque, ao fim de seis meses, e “depois de um longo período como presidente do Conselho Fiscal e desta passagem fugaz como Presidente da Direcção”, entendeu pôr ponto final na UDIPSS Santarém.

“É com tristeza que o faço, pois tinha um programa ambicioso que gostava de ver concretizado. Contudo, a resistência interna às mudanças que estavam em desenvolvimento tiveram mais força e impediram a sua concretização”, referiu.

Com a equipa agora demissionária, continua, “trabalhei em prol de uma organização dinâmica, independente, participativa e participada e verdadeiramente representativa das IPSS do Distrito. Esse percurso, dissonante de um imobilismo crónico, foi extemporaneamente interrompido, como consequência de visões distintas sobre o posicionamento da União Distrital das IPSS de Santarém”.

Nesse sentido, conclui, “após uma aprofundada avaliação de todo este processo e da frustração que ele aportou, decidi não me recandidatar, no que fui secundado pelos membros da Direcção e dos restantes órgãos sociais que comungam da minha visão para a União”.

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