Mulher de causas, Fabíola Cardoso é a candidata do Bloco de Esquerda à presidência da Câmara de Santarém nas autárquicas de 26 de Setembro, propondo-se romper com o conservadorismo e ajudar a construir “uma terra com futuro para tod@s”.

Deputada eleita pelo distrito de Santarém para a Assembleia da República, onde é vice-presidente da Comissão de Assuntos Europeus, e professora – na escola pública, como faz questão de frisar -, Fabíola Cardoso, 48 anos, é licenciada em Ensino de Biologia e Geologia pela Universidade de Aveiro.

No seu currículo tem a fundação, em 1996, do Clube Safo, a primeira associação lésbica portuguesa, sediada em Santarém, tendo-se destacado pela sua intervenção nos movimentos cívicos LGBT, e é reconhecida pelo seu trabalho em temas ambientais, educacionais e sociais.

Pelo seu percurso, não é de estranhar que um dos eixos da sua candidatura seja o “combate ao conservadorismo”.

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“Há um conjunto de ideias bastante conservadoras na visão de sociedade dos outros partidos que queremos combater, porque achamos que as mulheres, as pessoas da comunidade LGBT, os migrantes precisam de respostas em Santarém que não têm conseguido. Santarém precisa destas pessoas para encontrar o caminho rumo ao século XXI”, disse a candidata.

Fabíola Cardoso é ainda muito crítica em relação à estratégia de crescimento económico para o concelho, à qual aponta “muitas fragilidades”, nomeadamente por prejudicar “partes vulneráveis da população” e não ser sustentável, nem a nível ambiental nem a nível social.

“Santarém é uma terra que tem ficado para trás, que está a perder o comboio do desenvolvimento e a desperdiçar não só os recursos naturais, mas também muitas pessoas. O nosso objectivo é contribuir para que Santarém se torne uma terra com futuro e que esse futuro seja para tod@s”, acrescentou.

Natural de Angola, Fabíola Cardoso cresceu na Beira Baixa e foi a colocação como professora que a levou, há mais de 20 anos, para Santarém, cidade onde nasceram os seus dois filhos e onde quer continuar a fazer a sua vida.

Numa cidade que nasceu junto à margem do Tejo, “a bandeira do ambiente” é também, para a candidata, essencial: “É completamente incompreensível que uma capital de distrito tenha ao abandono toda a zona ribeirinha, da Ribeira às Caneiras, passando por Alfange. Temos ali um potencial ambiental, educativo, desportivo, científico e até turístico que importa ser desenvolvido. Santarém tem de deixar de estar de costas viradas para o rio”.

A questão da mobilidade, tanto na cidade (pedonal e bicicleta), como criando uma rede de transportes que chegue a todo o concelho, com ligação à ferrovia nos movimentos pendulares para a Área Metropolitana de Lisboa, é outra área privilegiada pela candidatura bloquista, a par do “travão” à privatização de serviços que considera essencial manter na esfera pública, como é o caso do mercado municipal, cuja gestão a actual liderança social-democrata quer concessionar.

Que propostas e projectos fundamentais tem o BE para o futuro do concelho de Santarém?
Propomos um novo olhar sobre a política local. Queremos vencer o conservadorismo que perpetua o atraso, que afasta tantos jovens de Santarém e valorizar os recursos naturais, humanos, históricos e geográficos do concelho.
Muito tem de mudar: a diversidade tem de passar a ser uma mais valia para todo o concelho; temos de deixar de estar de costas viradas para o Rio Tejo e o ambiente; estar perto de tudo tem de passar a ser uma mais-valia para Santarém; a Câmara tem de garantir serviços públicos de qualidade e não entregar o seu trabalho a negócios privados. É preciso planificar o futuro para criar riqueza e não alguns ricos.
Propomos um modelo de desenvolvimento sustentável, virado para as indústrias agro-alimentar e do ambiente, a produção biológica extensiva e as tecnologias emergentes – ligadas às Escolas Superiores e Estação Zootécnica. Este é o modelo de desenvolvimento que responde às necessidades das pessoas, às alterações climáticas e que tem mais financiamento comunitário!
O concelho está a perder o comboio do desenvolvimento e a perder população. O modelo económico do PSD aumenta o atraso ao subordinar o bem público ao negócio privado. Toda a zona ribeirinha do Tejo é exemplo do abandono que envergonha uma capital de distrito.
Os clusters de Ricardo Gonçalves são um desastre. Indústria pecuária poluente, como se prova pela poluição do ar, dos solos e dos rios Alviela e Maior em Almoster, Póvoa de Isenta, Pernes, Vaqueiros… Quem mora perto destes atentados ambientais sabe bem como diminuiu a sua qualidade de vida e até a saúde. Estas indústrias quase não criam empregos, mas deixam o seu rasto de cheiros e esgotos. Lucro para muito poucos, degradação ambiental para todos!

O que distingue a sua candidatura das demais, para que o eleitorado lhe dê a confiança do seu voto?
Fomos a oposição à maioria de Ricardo Gonçalves e somos a alternativa credível para a mudança necessária.
PSD e PS são duas faces da mesma moeda em Santarém. Este PSD, que governa o nosso concelho há 16 anos, já mostrou que não tem rumo para o concelho e vem agora falar de futuro. Este PSD agrava o atraso, assiste impávido à saída dos jovens e não tem respostas para quem já não tem idade para sair. A grande bandeira é a redução da dívida – muito bem, reduziram a dívida que eles próprios criaram, bravo!!
Este PS que se apresenta em Santarém já está derrotado mesmo antes das eleições. Mal tentam. Nem acreditam, nem dão luta!! O PS está dividido e nunca foi capaz de fazer oposição ao PSD. Estão só a cumprir o calendário oficial.
O Bloco tem sido, na Assembleia Municipal e de Freguesia, oposição a esta política de atraso social, económico e cultural. Esta política de conservadorismo e de entrega das responsabilidades da Câmara aos interesses privados. O Bloco foi oposição e solução quando defendeu o mercado municipal, a mudança da linha de comboio, a saúde pública, o orçamento participativo, o ambiente, os trabalhadores da Câmara, a melhoria do bem-estar animal ou medidas de apoio social em resposta à Covid 19.
Está na hora da mudança. Somos uma equipa plural, de gente corajosa e franca; capaz de ser a voz alta de tantas e tantos que estão descontentes com a gestão local. Queremos acrescentar cores a esta alternância rosa e laranja que dura há demasiado tempo em Santarém.
São precisas outras ideias, outro rumo. Um rumo que responda aos problemas concretos agora, e que construa um futuro para todas e todos nós.
Serei, na Câmara, como tenho sido na vida, na Escola e na Assembleia da República, a voz clara que se revê na herança insurgente de Salgueiro Maia.

O Bloco tem sido, assumidamente, oposição ao actual executivo municipal PSD. O que mudará em Santarém se ganhar as eleições?
Com a vitória do Bloco passa a haver democracia concreta, um poder autárquico que defende serviços públicos para todas as pessoas – não para fazer negócios para a elite e as carteiras de alguns!
“Acabar com o estado a que isto chegou” disse Salgueiro Maia para ganhar o apoio dos soldados e avançar para a tomada do poder. É vencer o atraso e o conservadorismo, o estado a que chegou Santarém e ganhar o poder local.
Uma terra para tod@s exige melhores serviços públicos de saúde. Não podemos ter pessoas sem médico de família ou pessoas meses e meses à espera de uma operação. Ricardo Gonçalves quer um cluster da saúde para que o negócio da medicina se aproveite da falta de saúde das pessoas.
Uma terra para tod@s “faz a vida negra” às empresas que despejam dejectos de porco no rio Alviela ou no rio Maior, fazem lixeiras nas barreiras e destroem o ambiente. Com o Bloco não haverá aprovação de utilidade pública para suiniculturas em zona de captação de água pública, como aconteceu em Alcanhões; nem para pedreiras que abusam da Serra, como acontece em Alcanede.
As pecuárias e suiniculturas abusadoras “fazem gato-sapato” de Ricardo Gonçalves que não tem coragem de os enfrentar a sério. Conte-se quantas vezes a CLAPA de Pernes já denunciou atentados ambientais, por exemplo. Não admitimos faltas ao respeito de poluidores à população e ao poder autárquico. É esse, pensamos nós, o dever da Câmara.
Não financiaremos o negócio privado das touradas e cuidaremos do bem-estar animal.
Em 2017, o BE obteve 4,1% dos votos, elegendo um deputado para a Assembleia Municipal de Santarém. Quais são as expectativas do partido para estas eleições?
Temos uma equipa para dirigir a Câmara, pessoas bastantes conhecidas e com provas dadas no concelho, com capacidade de envolver muitas outras pessoas e instituições. As e os nossos candidatos não são da carreira partidária através do PSD e das empresas municipais – são da cidadania, do voluntariado ao serviço de todas as pessoas, de variadas formações e percursos profissionais.
Pretendemos aumentar a presença de eleitas e eleitos do Bloco de Esquerda no poder local e garantir a presença de uma vereadora no executivo da Câmara Municipal de Santarém.

O que a leva, pessoalmente, a candidatar-se ao executivo da Câmara Municipal de Santarém? A experiência dos últimos anos na Assembleia da República é uma mais-valia na sua candidatura?
Sinto vontade de contribuir para o desenvolvimento e o progresso desta região, que tem tanto potencial, mas que está tão mal aproveitado. Dar “uma pedrada no charco” da estagnação do concelho e deste poder cinzentão.
Acredito no trabalho de equipa, na riqueza da colaboração, na força do colectivo que valoriza a individualidade e a contribuição de cada pessoa. Encabeço uma candidatura forte, uma alternativa capaz, com gente empenhada em fazer o melhor pela terra onde vive. Só destas forças e conhecimentos conjugados nasceu a certeza de que a minha candidatura seria uma mais valia, para o Bloco e para o concelho de Santarém.
Nasci em Angola, mas vivo aqui há mais anos do que já vivi em qualquer outro lado. Os meus filhos nasceram e cresceram aqui, é hora de devolver o tanto que tenho recebido desta terra. Viajo muito, principalmente dentro do país, e conheço muitos bons exemplos que poderiam ser aplicados em Santarém.
Sim, sem dúvida, a experiência dos últimos anos na Assembleia da República é uma mais-valia na nossa candidatura. Devido ao trabalho como deputada conheço hoje ainda melhor a realidade local, nacional e até internacional. Participo activamente nas Comissões de Assuntos Europeus, Agricultura e Mar e Ambiente da Assembleia da República, levando muitas vezes assuntos de interesse regional e local para as discussões e debates com Ministr@s e Secretári@s de Estado. Tem sido assim com os assuntos de poluição e caudal no Tejo, a ponte na Golegã/Chamusca, a poluição no Nabão ou o desvio da Linha do Norte em Santarém; como as minhas redes sociais e os media locais e nacionais têm noticiado.
Ainda agora consegui a aprovação da Grande Ecovia do Tejo, um projecto que esperemos que o Governo cumpra e respeite a maioria da votação. Participei em dezenas de projectos-lei, resoluções e recomendações, bem como centenas de perguntas ao governo que dão voz aos pedidos das pessoas, tantas vezes do concelho.
A Assembleia da República, para o Bloco, é para trabalhar a sério, não é para “dormir” na forma!
Tenho acompanhado, nas ruas e na Assembleia, as lutas de quem defende melhores condições de trabalho, seja na própria Câmara Municipal de Santarém, nos Bombeiros, nos campos, nos Tribunais, nas Escolas ou nos CTT, por exemplo.
O que se passa nos correios é um escândalo. Devem estar milhares de cartas por distribuir, lesando reformados sem vales de reformas, facturas que passam de prazo, convocatórias para consultas que chegam depois da data… Há 5 anos isso foi debatido na Assembleia Municipal, a Assembleia e a Câmara intervieram e a situação melhorou muito. Agora voltou a degradar-se. Os carteiros têm estado em greve pela melhoria do serviço público, foram reunir com o presidente da Câmara, que fez? Nada, não fez nada para defender a população!

Caso seja eleita para um lugar de vereação, pondera deixar o parlamento?
Sim, pondero. Debaterei essa decisão com a equipa local e com a coordenação do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda.

Nos seus contactos com as populações, que recepção tem encontrado?
Muito boa recepção! As pessoas conhecem muito do trabalho do Bloco na Assembleia Municipal e no próprio Parlamento, sabem que denunciamos os compadrios económicos e os atentados ambientais, que estamos do lado do interesse de quem trabalha, que defendemos serviços públicos acessíveis e de qualidade.
As pessoas sabem que o Bloco faz a diferença onde está representado, seja no poder local em Santarém/ Lisboa/Torres Novas ou na Assembleia da República.
Encontro também muitos ex-alunos, colegas e pessoas com quem fui lidando directamente em tantos anos de escola e de cidadania activa em Santarém. Têm sido muito gratificantes as palavras de reconhecimento, apreço e de incentivo.
Sinto que colho muito desta terra fértil, onde tenho semeado trabalho e respeito por tod@s.

Que eixos estruturantes pretende desenvolver no concelho, de modo a potenciar a satisfação das necessidades da maior parte dos munícipes?
Os eixos que sustentam o modelo sócio económico moderno – a economia verde: o desenvolvimento sustentável, em que pessoas, ambiente e economia são aliados. Estes eixos necessitam de uma Câmara pró-activa, outra Câmara, mais diversa e determinada!
Esses eixos implicam, em primeiro lugar, garantir serviços municipais de qualidade, nomeadamente: Bons serviços públicos de saúde, se necessário ofereceremos renda de casa gratuita para técnicos de saúde se fixarem no Sistema Nacional de Saúde em Santarém, um programa de acções de desporto para a saúde, para várias faixas etárias, em todas as freguesias, para trazer as pessoas para o convívio, o exercício e a melhoria da sua saúde mental e física. Programa educativo de promoção do património histórico local e da cidadania cultural. Parque Verde no Campo da Feira. Museu do 25 de Abril na ex-Escola Prática, com projecto educativo sobre o Estado de Direito. Nova sala de espectáculos, com condições técnicas e dimensão adequada. Incubadora de Artes com meios humanos e técnicos. Uma bolsa de habitação camarária, de aluguer, espalhada pelo concelho, para fixar casais jovens e com menores salários e assim também servir de travão aos preços de arrendamento tão elevados como temos. Melhorar o funcionamento do canil/gatil de modo a garantir recursos humanos adequados para a esterilização em massa e o bem-estar animal. Rede de Abrigos para animais errantes. Qualidade nas cantinas escolares, confecção local com produtos da agricultura regional da época.
Em segundo lugar, melhorar a mobilidade com bons transportes públicos: Modernização da ferrovia, incluindo a articulação entre os vários transportes e formas de mobilidade suave, pedonal e ciclável. Transporte rodoviário fiável e em quantidade, possivelmente não renovar contrato com a Rodoviária do Tejo e criar uma empresa intermunicipal da Lezíria do Tejo da propriedade das câmaras. Modernizar as estradas introduzindo os novos meios de mobilidade como ciclovias e protecção dos peões. Rede de percursos pedestres, orientação, ciclovias, BTT.
Por último, combater o conservadorismo: Defendemos uma terra para todos e todas, jovens e menos jovens, para mulheres e homens, para quem tem necessidades especiais, para a comunidade LGBTI+, para nascidos cá e para quem veio de longe e honra esta terra com o seu trabalho.
É isto que nos fará ganhar população e revigorar as freguesias.

E o rio? Para quando um projecto concretizável de valorização do Tejo, das suas margens e da sua navegabilidade?
Quando estiver nas mãos do Bloco é para ontem! Num processo democrático, positivo, aberto a especialistas, associações e cidadãos, claro.
Outras Câmaras Municipais, aqui bem perto, têm-no conseguido, basta dar um salto a Vila Nova da Barquinha. Infelizmente essa não tem sido a preocupação desta Câmara. A maioria PSD continua a fazer passar a imagem de Santarém como a de uma terra só de touros e toureiros, esquecendo o Rio Tejo. Esquecendo todo o seu enorme potencial económico, ambiental, educativo, turístico, cultural, identitário….
Ricardo Gonçalves apoia o “projecto dos charcos”, também chamado Projecto Tejo: fazer açudes e novas barragens para fazer subir o nível de água artificialmente e os grandes agrários gastarem água sem a pagarem, aumentando a sua riqueza à custa da destruição do rio e do dinheiro público. O movimento proTEJO já demonstrou cientificamente a asneira desse projecto: não travará o aumento da salinidade, piorará a qualidade da água, diminuirá a diversidade piscícola e de toda a vida no rio. Acresce que o financiamento europeu é para remover obstáculos nos rios, não para criar novos.
O problema, é que não se quer por o dedo na ferida: diminuição do caudal pelas barragens e governo espanhol, poluição pelas grandes indústrias a montante e assoreamento. Todo um modo errado de olhar para o rio Tejo, ao qual o governo PS também tem dado cobertura.
Defendemos a valorização da bacia hidrográfica do Tejo: a criação de um centro de lazer e desportos náuticos na Ribeira de Santarém; um projecto de desenvolvimento comunitário em Alfange e nas Caneiras, com criação do Centro Ciência Viva do Tejo e a valorização educativa, desportiva, ambiental e turística das zonas ribeirinhas.

Que medidas propõe para a política fiscal municipal e qual o modelo que defende para os tarifários de água e serviços de saneamento?
Política fiscal: diminuição da derrama para as empresas com menos de 150 mil euros de facturação como prevê a lei e propôs o Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal. Medida que a maioria de Ricardo Gonçalves / PSD rejeitou. A câmara tem de apoiar as pequenas e médias empresas que criam emprego estável e contribuem para o dinamismo do concelho.
Águas: as Águas de Santarém não podem existir para servir de emprego a “boys” do PSD. A melhoria do serviço é muito lenta e fica muito distante do conseguido por outros municípios com as Águas do Ribatejo. O Bloco quer debater a adesão do nosso concelho à empresa intermunicipal Águas do Ribatejo.
Em relação ao saneamento, aqui o problema depende de dois factores: legislação nacional sobre custos de resíduos, a má gestão de Resitejo, muitos anos dirigida pelo candidato à junta de freguesia pelo PS. O leitor já viu quanto paga de taxas na sua factura de água?

Tem vindo a público a falta de condições em Santarém para a instalação de novas empresas e a deslocalização de serviços para outros concelhos. Qual a solução para evitar que outras situações possam ocorrer e que propostas preconiza para o desenvolvimento económico e emprego no concelho?
A solução é saber o que se quer para o concelho, ter um rumo estratégico; saber de onde se parte e para onde se quer ir. Ricardo Gonçalves nunca soube, vagueia ao sabor do que momentaneamente pode dar.
Propomos várias medidas concretas, numa estratégia de desenvolvimento sustentável: Incentivos à instalação de empresas, com sede fiscal no concelho, responsabilidade ambiental e vínculos de trabalho não precário; Facilitar e apoiar a reabilitação urbana no centro histórico, incluindo medidas de eficiência energética; Dinamizar o Mercado Municipal, como um espaço público de actividade económica, social e cultural; Divulgar e apoiar a produção solar de energia eléctrica em telhados públicos e privados, criando comunidades de autoconsumo; Aumentar a participação das instituições científicas e escolas de ensino superior na vida do concelho; Investir no turismo ambiental e Terminar a revisão do PDM.
Não acham estranho o PDM demorar tantos anos a rever? A mensagem efectiva que fica é que as sucessivas alterações de pormenor no PDM servem para ir ajeitando interesses privados antes de se fazer a versão definitiva. Porque é que o presidente da Câmara negou a informação sobre o PDM que o deputado municipal do BE Vítor Franco lhe solicitou?
A Câmara anda há 16 anos para rever o PDM, dezenas de técnicos, empresas especializadas e depois a oposição só tem os 30 dia úteis do período de consulta pública para contestar alguma coisa? Isto é brincar ao planeamento urbano e é antidemocrático!
O actual PDM já devia ter sido duas vezes substituído: em 2005 e em 2015, e já deveríamos estar a tratar da terceira revisão! Este processo rasa a incompetência.
Temos propostas concretas, sustentadas por uma visão estratégica de uma alternativa de desenvolvimento que respeite todas as pessoas e o ambiente. É preciso fazer diferente e melhor.

Que equipamentos entende serem necessários para o desenvolvimento mais equilibrado das freguesias do concelho, quais são os mais urgentes e onde os implantar?
O desenvolvimento mais equilibrado das freguesias do concelho começaria por alterar a violenta união de freguesias levada a cabo no tempo da Troika. Criando uma nova freguesia para São Domingos e permitindo que a vontade e a luta das populações acabem com alguns dos “casamentos forçados”. São exemplos as situações de Vaqueiros e Vale de Figueira, que temos apoiado, localmente e no Parlamento Nacional.
Os Serviços Municipais devem deixar de ser concessionados a privados e os direitos dos seus trabalhadores e trabalhadoras garantidos. A Viver Santarém não precisa de um administrador do PSD, pago como vereador; deve ser integrada na Câmara, assim como os seus trabalhadores.
A cultura e o desporto são bens essenciais e factores de desenvolvimento local. Não são responsabilidades a externalizar, numa lógica mercantilista de sujeição da liberdade criativa. Estes serviços devem chegar a todo o concelho, não só à cidade. Assim os artistas, desportistas, associações e clubes locais devem ser apoiados.
Os equipamentos também dependem do que o PDM determinar, deixo uma chamada de atenção às populações das freguesias.
Discutir equipamentos é também discutir cultura. Já repararam na diferença da programação cultural entre Torres Novas e Santarém? Afinal qual é a capital de distrito?
Os equipamentos têm de responder às necessidades do associativismo desportivo e cultural. A Câmara reuniu com os clubes e associações para debater isso em sede de revisão do PDM? Não. Vive-se ao acaso, contrata-se uma empresa para fazer o PDM e siga, que a Câmara paga!
Precisamos de debater uma política cultural municipal com os artistas e associações locais, conceber um plano, fomentar sinergias e entreajudas, rentabilizar equipamentos novos com condições técnicas e recursos humanos especializados, criar novos públicos e dar-lhe consistência, programação cultural regular e sustentada.
Propomos ainda a criação de um “TUK-TUK” de serviços camarários que se desloque por todo o concelho e o reforço dos transportes públicos, especialmente fora do tempo de aulas.

Qual é a sua posição acerca da constituição de uma nova NUTS II englobando os territórios das NUTS III Lezíria do Tejo, Médio Tejo e Oeste?
Somos favoráveis a debater seriamente a medida que precisa ainda de reflexão responsável. O Estado Português está a criar poderes regionais sem uma verdadeira regionalização democrática, como a Constituição exige e o Bloco de Esquerda defende há muitos anos.
As CIM da Lezíria do Tejo, do Médio Tejo e do Oeste já assinaram um memorando de entendimento fazendo essa recomendação, mas tudo isso precisa de aprovação europeia.
É estranho, ou talvez não, que nada desse processo tenha sido levado a debate pela Câmara na Assembleia Municipal!

Que boa razão apontaria para pedir o voto à população de Santarém?
Assinalar com um X a melhor resposta:
A política deve ser tão diversa quanto a sociedade. Se não concordas com esta política de atrasos, se queres um novo rumo verde para tua terra, um futuro para Santarém diferente do passado, sem discriminações nem desigualdades, vota Bloco de Esquerda.
O Bloco foi a oposição à maioria conservadora PSD, a esquerda que contou. Queremos ser agora a esquerda que decide! Vota na equipa BE.
Pela mudança que Santarém precisa e merece, dia 26 vota Bloco.
Se queremos diferente, temos de fazer diferente: vota Bloco.
Votar BE é querer novas políticas e melhor democracia.
Está na hora da mudança. Vota Bloco de Esquerda.
Com o Bloco: Santarém, uma terra para tod@s!

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