O Rancho Folclórico do Bairro de Santarém (Graínho e Fontaínhas) participou na passada segunda-feira, dia 21 de Fevereiro, no programa “Praça da Alegria”, na RTP 1, com enorme sucesso.

Desde há alguns meses a esta parte, numa parceria estabelecida entre o canal público de televisão e a Federação do Folclore Português, têm marcado presença neste popular programa televisivo grupos folclóricos de diversas regiões etnográficas do nosso país, quatro dos quais representativos do Ribatejo.

Desta feita coube ao Rancho Folclórico do Bairro de Santarém representar a nossa região, tendo-se exibido com algumas danças, com uma recreação etnográfica, com a apresentação de trajos e com a divulgação de um prato típico da nossa gastronomia.
Hélder Lourenço, presidente da Direcção do Rancho do Bairro, esteve à conversa com os apresentadores do programa, Sónia Araújo e Jorge Gabriel, desvendando alguns aspectos relacionados com a trajectória deste conceituado agrupamento folclórico, fundado por Celestino Graça, e que efectuou a sua primeira actuação pública na Feira do Ribatejo, no ano de 1956, mau grado que os primeiros ensaios e muitas recolhas etnográficas, feitas junto da população local mais idosa, tivessem começado ainda no ano de 1955.

A diversidade do quadro etnográfico, constituído por trajos domingueiros, de festa e “roupa” de semana, ou de trabalho, foi devidamente contextualizada no quotidiano desta população nos tempos idos do século passado, quando predominavam os olivais de Santarém, fonte de riqueza de uma região marcada por uma agricultura de subsistência, característica de uma região de minifúndio, onde muitas famílias eram detentoras de uma pequena parcela de terreno nas imediações da casa de habitação, espaço onde cultivavam as hortaliças e os cereais, que constituíam a base da sua alimentação.

As danças e as melodias que integram o reportório deste conceituado Rancho Folclórico reflectem a sensibilidade artística desta gente rural, que dançando para deleite próprio as interpretava de forma muito sóbria e elegante, sendo que as melodias eram, em regra, lentas, mas harmoniosas. Como se compreenderá, a influência do meio ambiente – uma paisagem de terreno ondulado e densamente arborizado – e o quotidiano desta população, devotada intensamente aos trabalhos agrícolas, ora por conta própria, ora à jorna para proprietários mais abastados, foram determinantes para moldar uma sensibilidade tranquila e sóbria, ao contrário do que sucedia na região da Borda d’Água, região pautada por maior desassossego e instabilidade, devidos em muitos casos à labuta na apascentação de toiros e de cavalos ou às frequentes inundações do Tejo e dos seus afluentes.

A recreação etnográfica recaiu na confecção dos tradicionais bolos de noivo, que uns tempos antes do casamento eram oferecidos a vizinhos e familiares, com o duplo objectivo de anunciar a realização da boda matrimonial e o de suscitar a oferta de alguns “patacos” como prenda, para ajudar o novo casal no início da sua vida conjunta.
Jorge Luís, componente activo do Rancho do Bairro e seu habitual apresentador, fez a demonstração de como se cozinha o afamado “mangusto”, prato confeccionado à base de couves, batatas e pão, tudo envolvido em azeite e alho, e que poderia ser acompanhado com bacalhau ou petingas, assados na brasa.

Enfim, uma vez mais o Rancho Folclórico do Bairro de Santarém (Graínho e Fontaínhas) representou condignamente as tradições etnográficas e folclóricas do Ribatejo e elevou bem alto o nome de Santarém.

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