João Diogo Carvalho, natural de Santarém, é licenciado em História e concluiu recentemente uma tese de mestrado em História Militar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa sobre a conquista de Santarém aos mouros por D. Afonso Henriques, numa altura em que a efeméride comemora 875 anos. Para o escalabitano, o tema é de especial interesse por “considerar um tema que tem sido abordado de forma muito superficial, deixando de lado aspectos muito importantes para a sua compreensão”. João Diogo considera ainda que Santarém deve “divulgar, dinamizar e preservar a sua história”, através de várias iniciativas que “prendam a atenção das pessoas e lhes mostrem e ensinem passado rico da nossa cidade”.

De onde surge este seu gosto pela História?

Desde os meus 6,7 anos que sou um apaixonado pela História. Sempre me fascinaram os castelos e monumentos quando visitava uma cidade. E depois o próprio gosto do meu pai pela História aguçou ainda mais o meu interesse.

Recentemente conclui a sua tese de mestrado que tinha como tema a conquista de Santarém ao Mouros. Porque é que escolheu este tema?

Quando entrei no mestrado disse logo que queria trabalhar sobre Santarém, por ser a cidade onde nasci e cresci. E tive sempre especial interesse sobre a tomada de Santarém, por considerar um tema que tem sido abordado de forma muito superficial, deixando de lado aspectos muito importantes para a sua compreensão.

Como é que se realiza uma pesquisa sobre um evento histórico que aconteceu há 875 anos?

É desafiante. Temos que procurar bem pelas nossas fontes. Especificamente sobre a tomada de Santarém, chegou até nós o relato detalhado da sua conquista, o que ajuda a estudar o tema. Depois é trabalhar com a informação que os geógrafos árabes daquela época nos deixaram, de forma a compreendermos como era a paisagem e vivência da cidade.

Durante o seu trabalho de investigação encontrou informação anteriormente desconhecida?

Não diria que encontrei informação desconhecida. Pretendi sobretudo dar uma visão mais actual do tema. Ou seja, expus toda a informação existente e debati as opiniões e ilações dos vários historiadores que já se debruçaram sobre o assunto, explicando por que razão concordo ou não com as suas ideias. Com base nisso, tirei as minhas próprias conclusões e sugeri novas hipóteses para certas peripécias deste evento.

Qual era a importância estratégica de Santarém aquando da conquista?

Era enorme. Do ponto de vista militar, não era possível conquistar Lisboa sem antes dominar Santarém, uma vez que era daqui que partiam os contingentes militares que prestavam auxílio a Lisboa, em caso de ataque. Para além disso, era de Santarém que partiam as incursões muçulmanas que atacavam os territórios cristãos a Norte (nomeadamente a Leiria e Coimbra). Passavam ainda por Santarém importantes redes viárias e ainda a sua proximidade ao Tejo, que permitiam a circulação de homens, bens e mercadorias. E havia ainda a questão da fertilidade dos seus campos que, segundo os geógrafos árabes da época, eram riquíssimos em cereais e frutos.

O que poderia ser feito em Santarém para se conhecer melhor a história da cidade?

Tanta coisa. É preciso, acima de tudo, divulgar, dinamizar e preservar o que temos. Não basta vender a imagem que somos a Capital do Gótico se depois quem visita (e mesmo quem vive) em Santarém não sabe identificar os aspectos góticos dos monumentos, nem tem nada nem ninguém que lhe possa explicar. E não é com vários monumentos fechados ao público que se vai conhecer a história. É necessário divulgar o que temos, realizar várias iniciativas (como colóquios, visitas guiadas/roteiros turísticos, eventos educativos com escolas, etc.) que prendam a atenção das pessoas e lhes mostrem e ensinem o passado rico da nossa cidade.

Depois deste trabalho pensa realizar mais algum relacionado com Santarém?

Sim, apesar de neste momento estar mais interessado em trabalhar História do Desporto. Mas sem dúvida que tenciono realizar mais trabalhos relacionados com Santarém.

Um título para o livro da sua vida?

Eu quero ser mais que perfeito.

Viagem?

Já realizei a minha viagem de sonho a Itália. Mas gostava de voltar, porque numa semana percorri muitas cidades e foi tudo visto com alguma pressa. No fundo, qualquer local que tenha História para ver, conhecer e aprender é uma viagem de sonho. Ou então locais com grandes paisagens e rodeados pela Natureza.

Música?

Se for para estudar e concentrar num trabalho, música clássica. No dia-a-dia oiço sobretudo rap português.

Quais os seus hobbies preferidos?

Jogar à bola, Football Manager e Pokémon GO, ler, fazer caminhadas e percursos pedestres.

Se pudesse alterar um facto da história, qual escolheria?

As finais europeias que o Benfica perdeu. Mas falando a sério, se há coisa que aprendi em História, e que todos os meus professores fizeram questão de frisar ao longo do curso, é que em História não há ses. Embora pudesse dizer que mudaria eventos como as guerras mundiais ou a chegada de Hitler ao poder, nunca saberemos realmente como seria o desenrolar da História se qualquer um destes acontecimentos fosse alterado. Poderíamos retirar esses acontecimentos, mas poderiam surgir outros igualmente terríveis. Ou talvez não. A História é como é e não podemos alterá-la.

Cabe-nos a nós estudar bem o passado e aprender com ele. E citando um professor que tive na faculdade, «o mal dos políticos actuais é que percebem muito de Direito e Economia, mas percebem bola de História.»

Se um dia tivesse de entrar num filme, que género preferiria?

Comédia. Quanto mais negro fosse o humor, melhor.

O que mais aprecia nas pessoas?

Compromisso, sentido de responsabilidade, sentido de humor.

O que mais detesta nelas?

Ingratidão.

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