O distrito de Santarém perdeu, na última década, 26 851 habitantes. Na região, o concelho de Benavente aumentou a população residente, registando um aumento de 2,5% (mais 728 habitantes). Todos os outros concelhos tiveram reduções populacionais. Chamusca é o concelho com maior quebra populacional: perdeu cerca de 15,7% da população. Nestes dez anos, o país acentuou o padrão de litoralização e reforçou o movimento de concentração da população junto da capital. Um padrão que os autarcas da região ouvidos pelo Correio do Ribatejo dizem ser necessário inverter. Mas, para isso, é essencial o investimento do Estado na construção de infra-estruturas e na melhoria das acessibilidades.

Ricardo Gonçalves, presidente da Câmara de Santarém

O concelho de Santarém perdeu população na última década. Que leitura faz destes números?
Disse, há pouco tempo, que estudos da CCDR indicam que a grande zona urbana de Portugal será entre Lisboa e Leiria, também disse que há estudos da ONU que prevêem a concentração de 75% da população até 2050 nas grandes cidades ou grandes zonas urbanas. O facto de Santarém estar no centro dessa nova zona e os últimos números relativos à procura de casa, deixam-nos optimistas. Hoje, temos um novo paradigma no que diz respeito á construção, as obras já estão no terreno à vista de todos. Estou absolutamente certo que Santarém vai ser das cidades médias que mais vai crescer em Portugal. Santarém é o 29º concelho com maior poder de compra ao nível nacional, cria 500 novos postos de trabalho por ano, está abaixo da média nacional ao nível do desemprego, tem um dos mais significativos ritmos de criação de novas empresas da região e níveis de exportações da ordem dos 13%, bastante superiores à média nacional e as empresas já instaladas estão a investir fortemente no nosso território, todos estes dados constituem vectores do crescimento do nosso Concelho. A verdade é que o País inteiro está a perder população e tem que existir um conjunto de medidas nacionais de combate a esse problema.

A União de Freguesias da Cidade foi a única a contrariar a perda populacional, como é que encara este facto?
Tal como disse há estudos da ONU que indicam uma tendência para a concentração das populações nas grandes zonas urbanas é por isso que considero tão importante o investimento do estado na construção de infra-estruturas e na melhoria das acessibilidades, principalmente no Norte do Concelho que tem a indústria pedreira com uma facturação a rondar os 500ME e, cujo ecossistema económico poderia crescer exponencialmente se existissem vias de acesso com condições.

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Como contrariar esta tendência de desertificação progressiva do interior do País?
A solução passa por investimento público que crie as condições necessárias ao investimento dos privados. O Município de Santarém tem vindo a reclamar do Governo obras que considera fundamentais para o desenvolvimento do Concelho, como a modernização da linha do Norte, nomeadamente, no que diz respeito variante ferroviária Santarém – Entroncamento, linha esta que não apenas se constitui como eixo estruturante da ferrovia nacional, representando uma circulação de cerca de 75% dos serviços de mercadorias e passageiros de médio e longo curso do país, como também no quadro europeu, integrando o Corredor Atlântico, classificado como “core network” da Rede Transeuropeia de Transportes (RTE-T), que tem como objectivo contribuir para o reforço da coesão económica e social e para o desenvolvimento do mercado interno europeu através da ligação das regiões periféricas às regiões centrais da União Europeia. Obras estruturais como é o caso da conclusão do IC10, da construção da variante à EN362 para Alcanede, da construção de um nó de ligação à A1 na zona Norte do Concelho e a execução de um plano de gestão hídrica que vise a sustentabilidade para o rio Tejo como o Projecto Tejo, são investimentos cruciais à fixação de empresas de pessoas no interior do país. Acredito que o trabalho do Município de Santarém na captação de negócio para a criação de dois grandes clusters, a saúde e a agro-indústria, vai mudar a face do concelho.

Estes resultados vêm dar razão aos municípios que reclamam mais e melhores políticas de desenvolvimento e coesão territorial, mais e melhores serviços públicos e melhores acessibilidades?
São muitos os Municípios e os Autarcas que se têm pronunciado contra a clara falta de investimento no Interior por parte do Governo. Ainda no ano passado me manifestei contra a ausência de investimento estruturante para o Concelho de Santarém na última versão do Plano Nacional de Investimento 2030. Volto a referir a importância do investimento estrutural no Concelho como a construção de infra-estruturas no âmbito das acessibilidades ou a modernização da Linha do Norte – eixo Santarém/Entroncamento.

Recentemente, as CIM da Lezíria, Médio Tejo e Oeste firmaram um memorando de entendimento visando a separação das três regiões da actual NUT de Lisboa e Vale do Tejo e a sua junção numa nova unidade territorial de nível 2. Estes números dos Censos vêm dar força a esta proposta?
Há muito que defendo a importância da criação desta nova NUT II. Cumprimos todos os critérios necessários é, por isso, altura de nos fazermos ouvir em uníssono, para que Portugal possa apresentar as suas propostas de revisão junto das entidades competentes. É tempo de criar uma nova região mais próxima dos centros de decisão e mais equilibrada numa lógica de organização administrativa do território e de programação de fundos comunitários.

Concelho de Santarém perde quase três mil habitantes em 10 anos

O concelho de Santarém perdeu perto de três mil habitantes nos últimos 10 anos, segundo os dados preliminares do Censos revelados recentemente. Santarém perdeu 2.982 residentes na última década, passando de 61.752 para 58.770 habitantes entre 2011 e 2021, com uma variação de -4,8 por cento, mas continua a ser o mais populoso do distrito.

A União de Freguesias da Cidade de Santarém foi a única do concelho que cresceu contabilizando mais 157 habitantes do que em 2011, um saldo positivo de 0,5 por cento.

Todas as restantes freguesias do concelho registaram perda de população residente na última década, com o maior decréscimo em termos percentuais a verificar-se na Moçarria, em que o número de habitantes caiu de 1136, em 2011, para 964, em 2021, ou seja, menos 172 residentes e uma variação de -15,1 por cento.

Logo a seguir está Pernes que tinha 1446 habitantes, em 2011, e passou para 1245, em 2021, perdendo 201 habitantes em 10 anos (-13,9 por cento).

A freguesia de Azoia de Cima e Tremês contava com uma população de 2477 habitantes, em 2011, e caiu para 2160, em 2021, o que representa menos 317 residentes e uma variação de -12,8 por cento.

De acordo com os mesmos dados do INE, na última década, a freguesia de Alcanede registou um perda de 571 habitantes, com uma diminuição de 4547 para 3976 (-12,6 por cento).

A freguesia de Abrã teve uma descida de 1122 para 982 residentes, totalizando 140, o que representa uma diminuição de 12,5 por cento.

Amiais de Baixo perdeu 504 residentes, em 2011 tinha um total de 1851 habitantes e passou para 1347, em 2021, um descida de 12,5 por cento.

A freguesia de Almoster perdeu 214 habitantes, menos 11,8 por cento da população, passando de 1818, em 2011, para 1604 residentes, em 2021.

Já a freguesia de Arneiro das Milhariças perdeu 97 residentes, tendo em 2011, 835 residentes contra os actuais 738 (-11,6 por cento).

A freguesia de Casével e Vaqueiros diminui em 112 pessoas a sua população, 9,7 por cento. Em 2011 contava com 1149 habitantes e passou a ter 1037, em 2021.

São Vicente do Paul e Vale de Figueira perdeu igualmente 9,7 por cento dos residentes na última década, sendo agora menos 284. Em 2011 habitavam 2917 pessoas, passando para 2633, em 2021.

As Abitureiras perdeu 82 residentes, passando de 972 residentes para 890 entre 2011 e 2021 (-8,4 por cento).

Já a freguesia de Alcanhões passou de 1469 habitantes para 1347, em 2021, o que representa uma perda de 122 residentes (-8,3 por cento).

A Póvoa da Isenta perdeu 83 residentes entre 2011 e 2021, passando de 1127 para 1044 a residir na freguesia (-7,4 por cento).

A união de freguesias de Achete, Azoia de Baixo e Póvoa de Santarém registou um decréscimo populacional de 6,1 por cento, passando de 2923 para 2745 residentes, menos 178 habitantes entre 2011 e 2021.

Na Romeira e Várzea a perda de população atingiu os 147 residentes. Em 2011, a freguesia tinha 2600 habitantes caindo para 2453, em 2021 (-5,7 por cento).

A freguesia de Vale de Santarém que tinha uma população de 2920 habitantes em 2011, caiu para 2759 residentes em 2021, menos 161 (-5,5 por cento).

A Gançaria foi a que freguesia a perder menos residentes entre 2011 e 2021, passando de 514 para 488 habitantes, menos 26 que há 10 anos atrás (-5,1 por cento).

Em 2021, o concelho de Santarém contabiliza um total de 31.029 mulheres contra 27.741 homens residentes.

Em relação aos agregados, o concelho teve uma diminuição na última década de 1,5 por cento, passando de 24.776 para 24.416.

Em termos de alojamentos houve uma quebra de 0,1 por cento, passando de 84.859 para 34.824.

Em relação aos edifícios, notou-se também uma quebra de 0,1 por cento, passando de 24.022 para 23.977.

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