A Escola Superior de Educação de Santarém assinala, hoje, os seus 42 anos de vida, renovando o seu compromisso de continuar ao serviço da comunidade e a oferecer uma oferta formativa de excelência. Quem o afirma é a directora da Escola, Susana Colaço, que se refere à ESES como “uma escola viva, que respira futuro, esperança, oportunidades, inovação, inclusão, cooperação, amizade e conhecimento”.

Quais foram os resultados do concurso nacional de acesso este ano?
Foram muito bons: preenchemos praticamente todas as vagas das quatro licenciaturas que temos a funcionar. Ficamos apenas com uma vaga por preencher em Educação Ambiental e Turismo de Natureza. Vamos ter duas turmas do curso de Educação Social, outras duas do curso de Educação Básica, uma turma de Produção Multimédia em Educação. Saliento que, na Licenciatura de Educação Ambiental e Turismo de Natureza, que vinha a crescer devagar, este ano registamos um salto quantitativo e agora temos 30 estudantes. É uma licenciatura que envolve as Escolas de Educação, a Agrária e a Desporto de Rio Maior. Estamos a estabelecer, igualmente, uma parceria com o Politécnico de Lisboa, de modo a que estes estudantes possam, depois, prosseguir estudos e temos também uma oferta de Mestrado. Trata-se de um mestrado oferecido pelos dois politécnicos, para que estes estudantes também possam prosseguir o seu plano de estudos. Estamos quase com 750 estudantes na Escola de Educação o que é realmente bom para a instituição.

São números que representam um aumento relativamente ao ano passado?
Claramente. São dados que apontam para um crescimento de quase 20 por cento. A nossa meta eram os 700 alunos e estamos quase com 750, e ainda vamos ter os matriculados da terceira fase. Temos, também, a deslocalização de alguns cursos TESP, temos um que vai funcionar em Loures, e provavelmente iremos ter, no segundo semestre, um outro a funcionar em Sintra.

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Face a este aumento do número de alunos quais os principais desafios que a escola enfrenta de momento?
Apesar deste aumento de estudantes a nossa escola está dimensionada para estes números. Com o aliviar das medidas relativas a este momento pandémico vivido, com o que se está a praticar em todos os ambientes, estamos a funcionar com segurança. Distanciamento físico, sempre com máscara, circuitos bem definidos, turmas mais ou menos contidas. Mas seria interessante podermos investir ainda mais em salas – e estamos a faze-lo – mas, neste momento, conseguimos dar resposta.
Temos feito um esforço no sentido de remodelar as nossas salas. Este edifício era um antigo colégio e tinha instalações com uma certa idade, e temos tentado recuperar e inovar dentro do espaço.
Apesar de todos os constrangimentos que a pandemia nos causou, não deixamos de trabalhar nisso: temos o espaço do FabLAb muito mais ampliado.
O espaço FabLab serve não só a academia do Instituto Politécnico de Santarém como também a comunidade. Neste âmbito destacamos a sua ligação às escolas da região que têm sido apoiadas pela Escola Superior de Educação de Santarém nos seus projetos de desenvolvimento com recurso ao desenho e produção de protótipos.
O Fablab coloca à disposição do utilizador um vasto conjunto de equipamentos de última geração: corte a laser, corte de vinil, fresa grande, fresa de precisão e impressora 3D. Foi a primeira instalação desta natureza na região e constitui-se como uma estrutura inovadora, capaz de tornar real as mais diversas áreas e ideias de negócio.
Na prática o FabLab da ESE-IPSantarém é um “laboratório de fabricação” com equipamentos, materiais e ferramentas que permitem a criação de protótipos a partir de um determinado desenho realizado em computador.
Continuamos, também com os nossos espaços de aprendizagem inovadores, semelhantes às salas de aula do futuro, e temos uma nova sala, o ES LAB, também uma sala polivalente para educação social.
Temos, depois, o Impact Lab, uma sala para inovação em média e produção audiovisual. Temos um novo estúdio de vídeo, e temos uma sala que foi construída a partir de um projecto, que tem a ver com utilizar espaço exteriores para a formação de professores e educadores, ou seja, perceber como o espaço de aula e o espaço exterior podem ser rentabilizados na inovação pedagógica. O espaço exterior é também um espaço inovador, e as crianças precisam de estar neste contexto. Não podem estar confinadas a tarefas e actividades sempre dentro da sala.
Possuímos, também, a sala do e-learning, que também devido à pandemia teve um grande desenvolvimento: tivemos que nos reinventar para conseguirmos dar a formação à distância.
Temos, depois, um Escape Room que teve a sua origem e enquadramento num curso, não conferente de grau, em “Literacia Digital para o Mercado de Trabalho” para jovens com Dificuldade Intelectual e Desenvolvimento (DID) com grau de incapacidade igual ou superior a 60%.
O seu objectivo é promover e facilitar a inclusão social, laboral e empregabilidade dos referidos jovens, através da sua capacitação e desenvolvimento de competências especificas em literacia digital ajustadas às necessidades do mercado de trabalho, com vista a construir um perfil profissional ajustado. Este espaço será também rentabilizado para todos os cursos: quando os alunos saem daqui, serão confrontados com entrevistas de emprego e todas estas competências podem ser trabalhadas neste espaço.
Em suma, a ESE do IPSantarém afirma-se como um potencial agregador de competências científicas e técnicas, fazendo uso da tecnologia disponível para desafiar o espírito empreendedor e colocando-o ao serviço da região em que está inserida através do conhecimento, da criatividade e da inovação.
É uma escola com uma grande dinâmica em termos de projectos nacionais e internacionais, financiados e não financiados. Temos cerca de 250 mil euros em projectos financiados, sendo que a maioria são projectos Erasmus.
Com estes projectos, não só envolvemos os estudantes, os professores, que partilham experiências com outras realidades europeias, mas também conseguimos capacitar as nossas instalações. Há não só a capacitação dos recursos humanos envolvidos, mas conseguimos melhorar as nossas infra-estruturas.

Quer dar exemplo de algum projecto que seja mais relevante para a escola?
Destacaria o CreativeLab_Sci&Math, que visa a inovação no ensino da Matemática e das Ciências no Ensino Superior.
O projecto foi criado com o objectivo de implementar um ecossistema permanente de inovação didática nas áreas da educação em matemática e ciências, com o intuito de preparar os futuros educadores e professores para o desafio da formação tendo em conta as competências do século XXI.
O CreativeLab_Sci&Math é um projecto pensado para a próxima geração de professores de matemática e ciências e está também aberto a docentes que se encontram no activo e a todos os interessados nas áreas da educação em matemática e ciências.
O foco na criação, implementação e avaliação de atividades interdisciplinares são algumas das características diferenciadoras do CreativeLab, que aplica metodologias de ensino-aprendizagem activas, como por exemplo a estratégia Inquiry, a aprendizagem por problemas, e o modelo de ensino 7E, com recurso à utilização de diferentes recursos tecnológicos, incluindo robótica e programação.
O objectivo é dar resposta à fragmentação circular que existe no Ensino Superior e à necessidade de articulação disciplinar com vista a uma efectiva integração da matemática e das ciências.
As atividades do CreativeLab resultam da colaboração disciplinar e de um processo de integração curricular assentes num trabalho colaborativo entre os professores das duas áreas, e também da cooperação com docentes e investigadores de outros departamentos quer do IPSantarém, quer de outras instituições
Têm sido um projecto que recebeu muitas menções honrosas, prémios, publicações a nível de produção científica que envolve também os estudantes da formação de professores e educadores.
Agora também incorpora as artes, a história: portanto, tem ido buscar colaborações com outros professores e isto cria aqui sinergias muito interessantes. Na área de formação de professores, principalmente para um professor de primeiro ciclo, trata-se de um professor monodocente, que trabalha todas as áreas e há que conseguir integrar todas estas áreas.
Temos também o projecto HangingOUT! É um projecto ambicioso que pretende investigar a possibilidade de usar todos os ambientes outdoor como um modo de promover aprendizagens e o desenvolvimento das crianças. O projecto é financiado pelo programa ERASMUS+ e envolve onze parceiros e diferentes associações de cinco países europeus (Bélgica, Lituânia, Portugal, Reino Unido, Dinamarca) que pretendem dar aos futuros educadores, profissionais de educação de infância e pais confiança, ferramentas e apoio para explorar e criar oportunidade e experiências com diferentes práticas educativas em outdoor.

A nível internacional como é que a escola se posiciona?
Este ano, temos muitos alunos Erasmus. Temos alunos de toda a Europa, mas a grande percentagem são provenientes de Espanha. Aqui, o custo de vida também tem influência. É mais difícil ir para países como a Alemanha. Temos um gabinete coordenado pelo Prof. Camacho, que trata da mobilidade de estudantes e professores, sendo que também recebemos muitos professores.
Também temos feito um esforço para que os nossos funcionários não docentes possam também fazer esta mobilidade porque abre horizontes e perspectivas de como se trabalha lá fora, ao nível de funcionamento de serviços e do que temos para oferecer. Quer aos estudantes, quer à nossa comunidade.

Sentiu que a pandemia, tendo obrigado as escolas a adaptarem-se, foi uma oportunidade perdida para fazer diferente?
Acho que houve aqui muitos ganhos: claro que houve coisas que não se conseguiram. Mas houve uma capacidade de resiliência, quer dos professores, quer das famílias, que veio permitir às crianças desenvolverem competências que não teriam desenvolvido de outra maneira. Estar fechado em casa e só poder estar com os colegas e professor através de um monitor desenvolve competências que não seriam desenvolvidas de outro modo.
Ter que lidar com a morte, com o medo, foram circunstâncias diferentes e que tiveram que ser ultrapassadas em conjunto. Foi feita muita coisa, os professores reinventaram-se. Por exemplo, os estágios continuaram, nesta situação, tudo à distância e foi uma experiência completamente diferente.
Há uma mudança na forma como se aprende e como se ensina. Foi uma oportunidade que, em muitos casos, contribuiu para o desenvolvimento de competências que não seriam desenvolvidas de outra forma. As crianças têm que aprender com o contexto em que estão e, neste caso, foi isso que aconteceu. Aprenderam também outras coisas muito importantes para a vida.

A ESES está, portanto, a ensinar os professores do amanha?
Claro que sim. Estamos no limiar daquilo a que chamamos a fronteira do conhecimento, e nós queremos estar na fronteira daquilo que se conhece que são estratégias de inovação pedagógica, daquilo que realmente se deve apostar. E é nisso que os nossos professores estão a trabalhar com os nossos estudantes. Primamos por ter uma proximidade grande com a prática que eles têm em contexto de estágio. Ao contrário das Universidades, o ensino politécnico é um ensino que dá uma primazia muito grande à componente de estágio. Mesmo a Produção Multimédia em Educação prima muito por ter uma ligação muito forte entre o professor e quem o supervisiona na empresa. O mesmo se passa com os professores: quando vamos aos contextos de estágio incentivamos os estudantes a fazer essa inovação pedagógica. Só mostrar apresentações em PowerPoint já não serve o aluno de hoje.
Os alunos que temos hoje na sala de aula são diferentes do que eram há dez anos… a mensagem que tentamos transmitir é que vão ter que fazer formação ao longo da vossa vida, sempre a pesquisar e em busca daquilo que vai ao encontro dos interesses e das necessidades dos alunos.

Quais os aspectos que diferenciam o ensino na ESES das suas congéneres?
O que caracteriza a nossa escola é a proximidade, a relação professor/aluno, que é muito próxima: há uma orientação constante, há uma sinalização de qualquer situação fora do normal, percebem a evolução, são orientados caso necessitem. É uma relação quase familiar. Estamos a crescer, mas não queremos perder esta relação de proximidade. Aqui, a taxa de sucesso é elevada e temos uma estrutura que dá um apoio muito forte aos alunos. Somos, no fundo, uma Escola viva, que respira futuro, esperança, oportunidades, inovação, inclusão, cooperação, amizade e conhecimento.

Numa altura de aniversário perspectiva-se o futuro, como será o futuro na escola?
Estamos muito optimistas com estes números. Há uma área que sempre foi forte que é a formação de professores e educadores, e irá haver uma grande necessidade de professores num futuro próximo. Mas há outras áreas muito fortes: a Educação Social, por exemplo.
Também a Educação Ambiental e Turismo de Natureza: cada vez mais as pessoas procuram estar próximas da natureza, conhecer e preservar o ambiente, a par com as questões da sustentabilidade, é também uma área que vai crescer.
Temos, aqui, uma fileira que está a ter uma grande procura que tem a ver com os recursos digitais e produção multimédia. O mestrado de recursos digitais e educação enche logo na primeira fase. Tem a robótica, tem a programação, mas também tem o ensino a distância, temos a produção multimédia ligada à educação. São, no fundo, as licenciaturas que sustentam a escola: são os quatro grandes pilares.
Depois, temos a investigação: não é só estar próximo da comunidade, mas queremos fazer investigação que seja reconhecida. Isso implica envolvimento em projectos, mas implica também que os professores tenham tempo para fazer investigação, e é esse um dos caminhos de futuro.
Os nossos professores são altamente qualificados, mas precisam de ter condições para fazer essa investigação. Temos aqui um polo da Universidade do Algarve, temos um Centro de Investigação em Qualidade de Vida, mas temos professores que estão noutros centros de investigação. Queremos que os nossos professores investiguem cada vez mais, integrando os nossos estudantes.

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