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A Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT) apelou hoje, numa carta aberta dirigida aos deputados, a uma “discriminação positiva” nas dotações de recursos financeiros para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) no Orçamento do Estado 2024.

No documento, a que a agência Lusa teve hoje acesso, a CUSMT, que tem ação nos 11 municípios abrangidos pelo Centro Hospitalar do Médio Tejo e no Agrupamento de Centros de Saúde da mesma área, no distrito de Santarém, apela aos deputados da Assembleia da República para que haja “mais recursos financeiros, sem cativações”, e uma “agilização dos processos administrativos para a contratação de trabalhadores e organização e articulação entre todas as áreas” do SNS.

“Temos conhecimento dos problemas que afetam a prestação de cuidados de saúde no Médio Tejo, no distrito de Santarém e no país, para os quais muito contribuem os constrangimentos financeiros a que o país está sujeito, a baixa importância dada ao setor da saúde no âmbito do financiamento das atividades do Estado, a falta de organização e articulação entre os serviços do Serviço Nacional de Saúde, e também as opções, por vezes menos assertivas, de recursos humanos que têm vindo a ser praticadas”, indica a CUMST, na carta aberta.

Segundo a comissão, “ao longo dos últimos anos”, o Agrupamento de Centros de Saúde do Médio Tejo, além da falta de dezenas de médicos e enfermeiros, tem uma elevada necessidade de assistentes técnicos e operacionais.

No caso dos enfermeiros, “há necessidade de mais profissionais, mas o quadro está completo”.

“Neste ano de 2023, uma série de condicionalismos agravou o problema, e tanto no Agrupamento de Centros de Saúde do Médio Tejo como no Centro Hospitalar do Médio Tejo foram poucos os médicos contratados em relação aos que são necessários, pelo que a situação mais se agravou”, indica.

Para os utentes, “o maior problema continua a ser a falta de profissionais, principalmente nos cuidados primários, onde há outras situações que carecem de resolução urgente”, além dos recursos humanos.

“Poucas Unidades de Cuidados à Comunidade (UCC), frota automóvel insuficiente e pouco fiável, equipamento informático desatualizado, Unidades de proximidade sem atividade, gabinetes de saúde oral sem profissionais e dificuldade de marcação de consultas presenciais, principalmente para os mais de 70 mil utentes sem médico de família”, são problemas apontadas em relação aos centros de saúde.

A CUSMT lembra que “a saúde é desde há largos anos considerada, no plano internacional, um elemento imprescindível no fortalecimento da coesão social e um fator de equidade para um desenvolvimento sustentável de qualquer sociedade moderna”.

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