11.581 utentes sem médico de família nos Centros de Saúde do Médio Tejo

O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo vai ter 11.581 utentes (5%) sem médico de família a partir de 1 de Julho, em contraponto aos 40 mil que se registavam em 2015, indicou a directora do ACES.

Sofia Theriaga, após uma reunião em Torres Novas do Conselho de Comunidade do ACES Médio Tejo, revelou que, “com a entrada na segunda-feira, dia 1 de Julho, de novos médicos, o ACES vai ficar com 11.581 utentes sem médico de família, de um total de 225.703 utentes inscritos pertencentes a 11 concelhos”.

Os casos das Unidades de Cuidados de Saúde Personalizado (UCSP) de Tomar, com 4.768 utentes sem médico de família, de Abrantes (2.181), Sardoal (1.834) e Ourém (1.198) são “os mais complicados”, tendo a directora do ACES sublinhado o “recurso a prestadores de serviços médicos, a médicos aposentados e a horas extraordinárias” como medidas para colmatar a falta de médicos de família nestes municípios.

Sofia Theriaga referiu que “a evolução é positiva e muito mais equilibrada”, pois as prioridades passam pelo “reforço das equipas e unidades de cuidados continuados integrados, aumentar o numero de Unidades de Saúde Familiar (USF)”, que hoje são 11 na região e têm 54% dos utentes inscritos, “a atribuição de médicos de família à totalidade dos utentes, promover estilos de vida saudáveis, reforçar os rastreios de base populacional e as consultas de cessação tabágica”.

Questionado pela Lusa sobre os cuidados de saúde na região, Manuel Soares, da Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT), disse que “há uma evolução significativa nestes últimos quatro anos” no ACES Médio Tejo, tendo destacado “o número de médicos, a estruturação dos cuidados de saúde, a melhoria de algumas instalações, o aumento de USF e a melhoria nos transportes”.

O porta-voz da CUSMT, no entanto, defendeu a importância de definir “medidas de fixação e estabilização dos médicos e de outros profissionais de saúde, a contratação de dentistas para os centros de saúde, uma maior articulação dos cuidados primários com os cuidados continuados e hospitalares e a implementação de um projecto para criar as unidades móveis de saúde”.

Manuel Soares lembrou a população “cada vez mais envelhecida” e com “dificuldades de mobilidade e transporte” para sustentar uma “experiência-piloto ao nível das unidades móveis de saúde”, tendo defendido ainda a criação de um “plano estratégico da saúde para os próximos quatro, cinco anos”.

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