Carla Pasion Neves apresenta o seu primeiro livro infantil intitulado de “Na bolha: A Princesa das Asas de Ouro”. A autora é natural de Oeiras, porém cresceu na cidade do Cartaxo, onde criou o Museu Escolar do Concelho. Publicou o Caderno Museológico Museu Escolar – Um Projecto Comunitário, como um canteiro de palavras que se intrometem no vazio dos tempos. É licenciada em Educação Comunitária e atualmente desempenha o cargo de coordenadora da Educação na Câmara Municipal do Cartaxo. Carla Pasion Neves considera que contribui, diariamente “para cuidar do melhor do mundo: As Crianças” e que a Educação, os seus protagonistas e os seus instrumentos são a solução para a maioria dos problemas do mundo.

Em que altura da sua vida descobriu a vocação para a escrita?

Sempre gostei de escrever. Guardo dezenas de cadernos com histórias desde os meus 12 anos de idade. Confesso, que descobri a vocação para a escrita quando descobri que mantinha a alma de criança. 

O que inspirou esta sua obra, “Na bolha: A Princesa das Asas de Ouro”?

A minha inspiração são as minhas filhas e a paixão enorme por crianças. O livro “Na Bolha”, representa um tempo sem escolha. Um tempo em que, sem aparentemente nada podermos mudar, conquistamos defesas para resolvermos os problemas da vida. O sonho como antecâmara do voo. O voo da liberdade. A liberdade que todos possuímos, desde que nascemos e que nem sempre valorizamos. 

De que trata este livro?

Retrata os valores – amor, compreensão, resiliência, liberdade, a realidade no tempo da pandemia, as grandes lições de moral que poderemos retirar dos problemas que nos surgem. Retrata a importância do trabalho colaborativo e procura encontrar almas especiais como todas as crianças.

Para que faixa etária é este livro?

É um livro infantil para ser lido também por adultos. É um livro para quem não se tenha cansado de sonhar.

Como surgiu a ideia de a ilustração do livro ficar a cargo dos alunos de Artes da Escola Secundária do Cartaxo?

Andava fascinada com trabalhos de alunos de Artes da Escola Secundária do Cartaxo que estavam na escola e na cidade. Conversei com o Diretor do Agrupamento de Escolas Marcelino Mesquita, Dr. Jorge Tavares, este falou com os professores de Artes – Fátima Vaz Pereira e António Pedro Karvalho.  Os docentes abraçaram a ideia e apresentaram-na aos alunos. Fui conversar com os alunos sobre a obra à escola e a partir daí, juntos, criamos as ilustrações.

É o primeiro livro que escreveu? 

Escrevi vários livros que ainda não publiquei, por sentir que não chegou o momento. Necessito sempre dar enquadramento e devido respeito ao que escrevo. Publiquei em 1 de Junho de 2012, o Caderno Museológico: Museu Escolar- Um Projeto Comunitário, criado no âmbito dos Cadernos Museológicos da Educação e Infância, da Escola Superior de Educação de Santarém. 

Onde podemos comprar o livro “Na bolha: A Princesa das Asas de Ouro”?

Através do endereço: https: // www.livrariaatlantico.com. Na Livraria Garret, Cartaxo, Livraria Costa, em Santarém, na Livraria Livro Sábio, no Entroncamento, na Fnac, na Bertrand e na Wook.

Como é o seu processo criativo?

Observo o mundo. Penso imenso. Reservo em mente. Pego num lápis de carvão e deixo os meus olhos se invadirem. Adoro escrever em lápis de carvão. Depois não basta sentir. É preciso vestir o sentido.

O que representa para si a escrita?

A escrita representa a minha nova morada. A alegria de quem está em mudanças.

Que livros é que a influenciaram como escritora?

“Dom Quixote de La Mancha”, de Miguel Cervantes, “Ensaio sobre a Cegueira”: o romance de José Saramago!, “O Principezinho”, de Antoine de Saint-Exupéry e o “O Pássaro da Alma”, de Michel Snunit. Não se nasce escritora. Tornamo-nos escritores.

Considera que um livro pode mudar uma vida?

Os livros mudam a vida de todos aqueles que os lerem, bem como daqueles que os escrevem. O meu livro, “Na bolha: A Princesa das Asas de Ouro”, mudou a minha vida, principalmente porque me ensinou a ser mais atenta ao que me rodeia e a apreciar mais a vida. Tenho alegres relatos de que também já mudou a vida de muitas crianças e adultos. E isso, é verdadeiramente gratificante.

Tem outros projectos em carteira que gostaria de dar à estampa?

Sonhos são projetos de vida. Continuar a saga “A Princesa das Asas de Ouro”, já fora da Bolha! Estou a consolidar um sonho antigo. Não o irei relatar, mas tenho a certeza de que trará muitas mudanças na minha vida e a vida de muitos daqueles que me querem bem.

Um título para o livro da sua vida?

“Antes que Erres”. Umberto Eco dizia que “o mundo está cheio de livros fantásticos que ninguém lê”.

Viagem?

Viajamos para o lugar onde sonhamos. A minha primeira viagem a Penafiel, à casa aonde o meu pai nasceu, presenteou-me com as minhas origens. Transformou o meu olhar sobre a importância da família. A viagem a Goslar, na Alemanha foi uma viagem que me deu acesso a outros mundos, neste caso a um mundo quase de histórias de fantasia.

Música?

“Paradise”, Coldplay. Uma música em que, me não dou por mim. Silencio-me para entender.

Quais os seus hobbies preferidos?

Ler, principalmente contos infantis, às minhas filhas.  Passear no campo e na praia. Andar de bicicleta.

Se pudesse alterar um facto da história qual escolheria?

Da minha história pessoal, não ter perdido o meu pai. Não o perdi porque ninguém possui ninguém, mas transformou a história da minha vida. Um facto da história que gostaria de alterar seria a abolição completa da escravidão humana.

Se um dia tivesse de entrar num filme que género preferiria?

Preferia entrar num filme de ficção científica. Ser astronauta como a minha filha Renata sonha ser; ou entrar num documentário do National Geographic, daqueles que a minha filha Júlia pretende realizar. Os sonhos se apuram de tanto acontecerem.

O que mais aprecia nas pessoas?

Oscar Wilde falava que gostava das coisas simples. Eu também. Gosto da simplicidade, da honestidade, da coragem, da capacidade de sonhar.

O que mais detesta nelas?

Detesto hipocrisia. É um substantivo que anda devagar, mas atravessa os nossos mundos.

Acordo ortográfico. Sim ou não?

O que me faz mal deixo pelo caminho. O que é, muda. Transformado está.

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