Quatro habitações precárias do concelho de Alcanena vão ser reabilitadas entre 20 de Agosto e 03 de Setembro, no âmbito de uma parceria entre o município, a associação ‘Just a Change’ e a Sacra e Militar Ordem Constantina de São Jorge.

Em comunicado, a Câmara de Alcanena afirma que o “Camp in Alcanena 2023” permitirá a reabilitação de quatro habitações sinalizadas nas povoações de Bugalhos, Casais Romeiros, Moitas Venda e Minde, pelo Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social do Município e pelo ACES – Centro de Saúde de Alcanena, em colaboração com as Juntas de Freguesia.

As intervenções serão financiadas pela Sacra e Militar Ordem Constantina de São Jorge, que angariou verbas através de um leilão solidário realizado pela Veritas, “Art for (Just) a Change”, em 24 e 25 de maiô de 2023, no total de 20.060 euros, a que acrescem 18.500 euros assumidos pelo município, que dá, ainda, apoio logístico ao projecto.

Associação reabilita casas e pessoas há mais de uma década

A associação Just a Change começou com o intuito de resolver a “pobreza habitacional” e hoje, dez anos depois, já reabilitou mais de 200 casas e a vida de muitas pessoas que precisavam de esperança.

“As pessoas vivem a casa como uma parte de si próprias, é um espelho do nosso estado de espírito. Portanto, quando a casa é reabilitada, isto faz com que a própria pessoa se reabilite a ela própria”, refere António Belo, fundador e director da organização sem fins lucrativos.

Em 2010, um grupo de amigos universitários apercebeu-se de que algumas pessoas viviam “em casas sem qualquer dignidade para um ser humano” e tiveram a ideia de fundar um projeto que pretende “resolver o problema na raiz”, através da reabilitação dessas habitações.

“O nosso principal desafio é conseguir promover a reabilitação do edificado daqueles que são mais pobres, para não ser unicamente a habitação social como a única solução de que se fala e na qual se deve investir”, explicou.

Segundo António Belo, a diferença deste trabalho feito pela associação é que “não trabalha só a casa, mas, acima de tudo, as pessoas que lá vivem e a sua integração social, para que se resolva o problema de uma vez por todas e não só temporariamente”.

Além disso, não se pode esquecer o contributo dos donativos de várias instituições e empresas, empreiteiros contratados e, sobretudo, o trabalho dos voluntários que “são quem mais interage e se envolve com as pessoas”, frisou.

Segundo a associação, nos últimos dez anos, graças ao trabalho de cinco mil voluntários, já foi possível reabilitar mais de 200 casas e 50 instituições em 14 municípios do país.

“A reacção é sempre de esperança, de olhar para o mundo com novos olhos e vontade de quebrar o ciclo de pobreza para conseguir manter a casa e conseguir que a casa seja uma nova etapa para uma vida melhor”, relatou António Belo.

“A reabilitação é uma das formas, mas está a dar uma resposta muito mais pequena ao problema e à dimensão do problema e, portanto, acreditamos que também é preciso alterar a legislação e políticas públicas para que projectos como este possam ser dissemináveis pelo país”, defendeu.

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