Um grupo de peregrinos e a Associação dos Amigos dos Caminhos de Fátima confrontaram esta sexta-feira, 10 de Maio, no Cartaxo, a secretária de Estado do Turismo por estarem a ser instaladas novas sinalizações e arrancadas as anteriores, o que confunde os peregrinos.

O grupo composto por oito pessoas esperava a governante, que participou na instalação de novas marcações e percorreu cerca de quatro quilómetros o caminho de Santiago e de Fátima junto ao Rio Tejo, entre Valada e Porto de Muge, no Cartaxo.

Ana Mendes Godinho dirigiu-se ao grupo, ocasião em que o presidente da Associação dos Amigos dos Caminhos de Fátima, Rodrigo Cerqueira, aproveitou para alertar a governante que, no âmbito do novo projecto de reestruturação dos caminhos pelo Turismo de Portugal e pelo Centro Nacional de Cultura, faltam informações aos peregrinos e turistas, quando em algumas zonas foram feitas alterações de percurso.

Além disso, “estão a ser retiradas as marcações antigas” para serem colocadas novas, estando a ser “apagada a memória e um património imaterial”.

Já os novos postes de sinalização são frágeis e “abanam com o vento”, existindo o “risco de desaparecerem e deixarem os peregrinos sem orientação”.

A secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, disse desconhecer casos de retirada da sinalização antiga, esclarecendo que o objectivo do projecto “é tirar as pessoas da estrada e promover um caminho seguro”.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da associação explicou ainda que a instalação de novas sinalizações começou a meio do percurso, acabando por haver duas marcações diferentes, tornando o caminho numa “manta de retalhos” que confunde os peregrinos.

Um dos manifestantes confirmou já se ter perdido com as novas marcações.

“Quem vem de Lisboa até Alpriatre, Vila Franca de Xira, o caminho tem a marcação antiga, mas quando o peregrino chega a Vila Franca encontra uma nova marcação, sem que a antiga se tenha mantido”, exemplificou Rodrigo Cerqueira.

“Há sempre divergências, com uns que entendem que o caminho devia ir mais para a direita ou mais para a esquerda, e tivemos de tomar opções para garantir que estavam bem sinalizados e em condições de segurança”, justificou aos jornalistas a governante.

A secretária de Estado do Turismo disse que a associação não tem estado “do lado da solução”, pedindo que reporte os problemas detectados e mostrando abertura para um trabalho em conjunto, que a dada altura a associação abortou por entender que estava a ser posta de fora do projecto, ao não ser convidada a assinar um protocolo conjunto para o projecto.

Em vez de novas sinalizações, a associação incitou a secretária de Estado do Turismo a investir em obras que retirem os peregrinos das estradas nacionais principais, apontando para a necessidade de ser construída uma ponte pedonal entre a Vala do Carregado e Vila Nova da Rainha “para evitar” que os peregrinos caminhem pela Estrada Nacional 3.

Fundada há 12 anos, a Associação dos Amigos dos Caminhos de Fátima promove os caminhos de peregrinação rumo aos santuários de Fátima e de Santiago e sinalizou mais de 700 quilómetros.

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