“Aprendi com o meu avô a nunca desistir de um desafio”

Pedro Graça Rodrigues – Neto de Celestino Graça

Que recordações guarda do seu avô? As recordações que tenho são as histórias que a família e amigos me contavam e contam, pois infelizmente tinha cerca de 5 meses quando morreu.

Que influência teve ele na sua vida? Através da sua obra e feitos que teve na sua vida, notei que o meu avô foi um homem honrado e de compromissos, tanto que tento passar também essa influência aos meus filhos.

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Quais os principais valores que lhe foram transmitidos? Ao longo da vida com as histórias que fui ouvindo um dos principais valores foi o de nunca de desistir de um desafio (o que por vezes não é fácil). Um outro valor é o de trabalhar em equipa e por último o de valorizar as nossas tradições e origens, o meu avô foi mais longe pois também o fez através do Folclore.

A cidade está desperta para a real importância que ele teve, em termos de projecção da região? Penso que sim, se falarmos da geração mais velha, mas o que sinto é que com o passar do tempo essa importância tem vindo a diminuir para a generalidade dos cidadãos.

O que sente quando entra na Casa do Campino, na Monumental, ou visita a Feira da Agricultura (tudo legados de Celestino Graça)? Orgulho, pois são obras que ainda hoje perduram e que a cidade ainda usufrui, como por exemplo as Festas de São José na Casa do Campino, a Gastronomia e também o Festival Internacional de Folclore organizado pelo Grupo Académico de Danças Ribatejanas (também fundado pelo meu avô). Também me sinto nostálgico pois recorda-me os bons momentos que tive com a Feira do Ribatejo e da Agricultura na cidade (no planalto), digo isso pois nada mais orgulhava que ver a cidade cheia de visitantes e tinha tempo para ver as corridas de campinos entre outros. Acredito que a Feira tinha de deslocar-se para outro local mas o que me entristeceu com essa deslocação foi o corte da ligação que existia entre as corridas de touros e a feira. Mas, hoje vejo essa ligação a ser restabelecida através da Praça Maior.

O que se pode fazer para que os mais jovens entendam a importância de preservar este tipo de memórias, ligadas a figuras que foram exemplo na nossa história colectiva? Relembrar que alguns dos eventos/organizações que ainda hoje perduram foram fundados por essas figuras e quais as dificuldades e obstáculos tiverem para atingir o sucesso maior ou menor que têm tido ao longo dos anos. Não nos podemos esquecer do contexto económico e político em que viviam, pois os ciclos económicos e políticos variam de década para década e o que na altura poderia ser um obstáculo hoje poderia ser fácil e vice-versa. Porque conhecendo as origens pode ser mais fácil de ajustar e tomar decisões quando se procede a alterações.

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