A Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC) lança na quarta-feira a campanha ‘De Sol a Sol’, na Feira Nacional de Agricultura 2021, em Santarém, para incentivar o diagnóstico precoce e a adopção de comportamentos em relação ao sol.

Ao focar-se nas áreas profissionais ao ar livre, a iniciativa pretende sensibilizar para a importância de se adoptarem comportamentos adequados em relação ao sol.

“Nós não podemos mudar a genética e a predisposição natural de cada um, mas podemos ajudar a adoptar comportamentos adequados que passam por reduzir a dose de exposição aos raios ultravioleta”, esclareceu o presidente da APCC, João Maia e Silva.

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Algumas estratégias passam por evitar os horários mais críticos de exposição solar quando tal é possível ou criando sombras em profissões que o permitam, mas também pela utilização de vestuário adequado, protector solar e chapéu de aba larga.

Segundo os dados mais recentes da APCC, embora os agricultores tenham uma percepção generalizada (a rondar os 80%) de que a exposição solar está associada ao risco de aparecimento cancro de pele, só uma minoria é que adopta medidas de protecção: apenas 12% usam protector solar com regularidade, 20% usam óculos de sol, 30% usam chapéu e outros 30% procuram ou criam sombras nos seus locais de trabalho”.

João Maia e Silva sublinhou que a “pele tem memória e que vai acumulando lesões que mais tarde vão provocar o fotoenvelhecimento precoce e o aparecimento de cancros de pele”.

Metade dos inquiridos dizem ter sofrido queimaduras graves ao longo da vida, um dado “alarmante” visto que as “queimaduras solares duplicam o risco de incidência da doença”, explicou o médico.

Além disso, 30% dos agricultores referem ter sofrido de queimadura solar no ano anterior e, destes, 10% dizem ter sofrido três queimaduras ou mais.

Estas estatísticas explicam que 11% dos agricultores tenham no seu historial clínico diagnósticos de cancro de pele ou de lesões paraneoplásticas já tratadas.

“O diagnóstico precoce, que passa muito pelo auto-exame, é importante porque pode decidir entre a vida e a morte”, expõe o presidente da APCC.

Os sinais de alarme incluem o aparecimento de sinal de cor negra em pele com alteração tamanho, espessura e cor, sensação de ardor ou comichão, ou hemorragia fácil; o aparecimento recente de ferida, nódulo ou ‘verruga’ rosada de crescimento rápido; e a existência de qualquer sinal recente que seja assimétrico, tenha bordo irregular, uma cor não uniforme, ou um diâmetro superior a seis milímetros.

A campanha, organizada em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Dermatologia, termina na quinta-feira, dia 10.

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