Autarcas defendem reconversão da central do Pego para resíduos florestais

A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) aprovou, por unanimidade, uma recomendação ao Governo no sentido de “explorar o potencial da proposta da Tejo Energia para conversão da actual central termoeléctrica a carvão para resíduos florestais”.

Em comunicado, aquela entidade intermunicipal que agrega 13 municípios do Médio Tejo, dá conta de ter sido “com agrado” que os representantes da CIMT “ouviram hoje da parte da administração da Tejo Energia que é intenção dos accionistas desenvolver um projecto ambicioso do ponto de vista ambiental, económico e social para além da data final do Contrato de Aquisição de Energia (CAE)”, que termina em Dezembro de 2021, “passando a funcionar a resíduos florestais já a partir de 2022”.

O Governo, no âmbito dos objectivos de atingir a neutralidade carbónica em 2050, decidiu encerrar até 2030 as centrais termoeléctricas de Pego e Sines, tendo o ministro João Pedro Matos Fernandes avançado em maio que o executivo quer encerrar a central de produção de electricidade a carvão do Pego em 2022, não se comprometendo com uma data para Sines.

Na reunião de trabalho da CIMT, que decorreu no Pego, nas instalações da central termoeléctrica, a presidente da entidade, Anabela Freitas, que também preside ao município de Tomar, sublinhou que o projecto apresentado pela administração “é uma grande oportunidade” para manter na região um “equipamento de extrema relevância”, sendo hoje responsável por cerca de “300 postos de trabalho permanentes e mais de 800” pontuais.

A autarca fez notar que o projecto de reconversão da Central do Pego, a concretizar-se, vai permitir “manter um pólo de desenvolvimento regional que pode contribuir para dinamizar a actividade económica no sector florestal no interior do País, manter postos de trabalho, aumentando o nível de emprego com a utilização de biomassa, e transformar a biomassa que muitas vezes flagela a região, com os incêndios, em energia renovável”.

Na mesma nota, a presidente da CIMT refere que, “além dos contributos para o interior” do país, esta unidade de produção “traz igualmente diferentes vantagens para a redução da dependência energética do exterior e para a segurança de abastecimento à rede eléctrica nacional”, tendo feito notar que a mesma permitirá que se mantenha como “reserva às fontes renováveis, através de uma central despachável que utiliza fontes endógenas, não pondo em causa a possibilidade do funcionamento de pequenas unidades de rentabilização de biomassa”.

O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Valamatos, por sua vez, citado na mesma nota, refere ser factor de “confiança em relação ao futuro” o “saber que a Tejo Energia está a trabalhar num projecto que tem como objectivo a conversão da Central do Pego para resíduos florestais”, com a respectiva manutenção e criação de postos de trabalho adicionais”.

Para Beatriz Milne, presidente executiva da Tejo Energia, “a conversão da Central do Pego para resíduos florestais vai permitir que se continue a garantir a segurança de abastecimento da rede através da produção de energia renovável, disponível em permanência, servindo de complemento a outras tecnologias intermitentes, o que trará vantagens ambientais, sociais e económicas não só para a região, como para o cumprimento dos desafios ambientais com que Portugal se comprometeu”.

Questionado pela Lusa em Abrantes, no início deste mês, sobre o futuro da central termoeléctrica do Pego, o ministro do Ambiente e da Transição Energética disse que “os donos da central do Pego têm um projecto, no qual o emprego é globalmente mantido”, tendo referido ainda que, “com pequenas alterações, são capazes de ter essa mesma central [a laborar] a partir de formas de produção de electricidade que não envolvem combustíveis fósseis”.

O governo, segundo disse João Matos Fernandes, “acompanha este processo e fica muito satisfeito por saber que há condições, por parte dos promotores, que respeitam todas as condições laborais e que estão integrados naquilo que são os objectivos do país, sendo neutro em carbono em 2050 e, já em 2030, ter 80% da electricidade a partir de fontes renováveis”.

A CIMT aprovou hoje por unanimidade a recomendação ao Governo português para que “explore o potencial da proposta da Tejo Energia para conversão da actual central termoeléctrica a carvão para resíduos florestais”, tendo-se mostrado “disponível para apoiar a dinamização de uma nova fileira económica de forma a valorizar os resíduos florestais na região e, consequentemente, diminuir o elevado risco de incêndio” que regularmente fustiga os concelhos da região.

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