Foto: Paulo Cunha/Lusa

João Zibreira trocou esta segunda-feira, 16 de Março, o autocarro que conduziu até sexta-feira, nos serviços municipais de transportes da Golegã, para começar a entregar o almoço que as crianças e os jovens comiam nas escolas do concelho.

São 14 moradas, para um total de 16 jovens cujos encarregados de educação manifestaram interesse na “entrega porta-a-porta” que a Câmara Municipal da Golegã (distrito de Santarém) iniciou hoje e que o presidente do município, Veiga Maltez, está determinado a manter enquanto for necessário.

Os 16 nomes na lista que João transporta consigo integram o escalão A de rendimentos, sublinhando Pedro Silva, com três filhos, de 15, 7 e 4 anos, em casa, que esta é uma boa forma de assegurar que continuam a ter a refeição “a que têm direito”.

“Acho uma iniciativa boa, que todos os municípios deviam adotar”, disse, salientando que esta é uma “ajuda” perante a situação provocada pela pandemia do Covid-19.

Pedro trabalha na Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF), no Entroncamento, e é um dos trabalhadores que “estes 14 dias” vai estar “em casa por causa da escola estar fechada”, já que a mulher trabalha por conta própria na Azinhaga.

Bawan e Hawi Mohammede, dois irmãos de 17 e 9 anos, a viver com os pais na aldeia da Azinhaga, concelho da Golegã, há nove meses, saúdam igualmente a chegada da refeição a casa, sublinhando a mais velha, em inglês, que esta é uma iniciativa “muito boa”.

Ainda na Azinhaga, seguindo a recomendação de manter a distância e evitar o contacto, João entrega igualmente, à porta, a Luís Alves, a embalagem com o almoço para a filha de 4 anos.

Luís, pintor de profissão, afirma que, por causa do trabalho, dele e da mulher, empregada no restaurante mesmo em frente, deixa a menina com os avós.

João Zibreira foi recolher as marmitas com os 16 almoços à escola sede do Agrupamento de Escolas de Golegã Azinhaga e Pombalinho, no centro da vila, pouco antes das 12:00, para seguir na carrinha do município conduzida por outro colega motorista.

“Até sexta-feira fizemos o nosso serviço normal”, disse à Lusa, já que, apesar de a Câmara da Golegã ter decretado o encerramento de todos os serviços na tarde de quinta-feira, as escolas ainda funcionaram no dia seguinte, pelo que foi preciso garantir o transporte dos alunos.

Também ele com dois filhos, de 5 e 15 anos, e com a mulher a trabalhar na Resitejo, na Chamusca, João não esconde a preocupação por não estar em casa, como está a ser pedido à generalidade da população, e por não ter sido distribuído qualquer ‘kit’ de proteção.

Médico de profissão, o presidente da Câmara da Golegã salienta que a máscara deve ser usada por quem é portador ou por quem tosse e espirra e as luvas para manuseamentos de risco.

Veiga Maltez afirmou que, conhecendo as carências da população que está a beneficiar do apoio, que envolve crianças do pré-escolar, do primeiro ciclo e do secundário, não quer que fiquem sem apoio.

“Também todos os que vivem isolados, sobretudo a partir dos 65 anos, que não tenham possibilidade de adquirir alimentos ou outros produtos básicos ou medicamentos, vamos a casa da pessoa. Já começámos a receber chamadas”, declarou.

Face ao evoluir da pandemia do novo coranavírus, o município encerrou os seus serviços, mantendo o atendimento por telefone ou Internet, e iniciou hoje a entrega de refeições escolares aos alunos mais carenciados ao domicílio e o apoio a pessoas com mais de 65 anos ou com doença crónica.

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