Vila Nova da Barquinha, 13 de Agosto de 2022, às 22 horas – Corrida à Portuguesa. Cavaleiros: Rui Salvador, Marcos Bastinhas, Duarte Pinto, Andrés Romero, “Parreirita Cigano” e Paco Velásquez; Forcados: Amadores de Vila Franca e de Azambuja; Ganadaria: D. Felicidade Dias; Director de Corrida: Sr. José Soares; Médico Veterinário: Dr. José Luís Cruz; Tempo: Agradável; Público: 1/3 da lotação.

A praça de toiros de Vila Nova da Barquinha registou escassa afluência de público nesta noite amena de Verão, talvez porque o mês de Agosto convida mais ao lazer em região balnear, e não havia nenhuma festa ou feira que pudesse estimular a presença de mais gente aqui. Por outro lado, um cartel de seis cavaleiros resulta ingrato para os artistas, que só têm uma oportunidade para esgrimir os seus argumentos técnicos e artísticos, e pouco aliciante para o público, que aprecia mais o espírito competitivo associado a um cartel de três toureiros. Os toiros de D. Felicidade Dias não primaram pela apresentação e pouco serviram para a ambição dos toureiros, que sempre entram na arena dispostos a sacar mais um triunfo.

Rui Salvador é um toureiro de corpo inteiro, por quem até parece que a idade não passa, mantendo o mesmo valor e espírito de irreverência que o caracteriza.

O toiro saiu a carregar forte e o marialva dobrou-o após diversas voltas à arena, colocando em seguida dois ferros compridos regulares, apesar de haver sofrido um aparatoso toque na montada. O toiro era distraído e aparentava ter problemas de visão… Rui Salvador mudou de montada e as coisas andaram de outra maneira, distinguindo- se numa brega muito competente e na colocação de emotiva ferragem, destacando- se os dois violinos em que entrou praticamente de frente, lembrando o saudoso Andy Cartagena. Lide séria e agradável muito aplaudida pelo público presente.

Marcos Bastinhas enfrentou um toiro pouco colaborante e escasso de forças, tendo-o recebido no centro da arena dobrando-se em circulares, e em seguida colocou dois bons ferros compridos.

Foi mudando diversas vezes de montadas e realizou uma lide desenvolta e alegre, colocando a ferragem da ordem em sortes de frente e destacando-se na colocação de um palmito e do habitual par de bandarilhas. Escutou música e deu aplaudida volta no final.

Duarte Pinto é um conceituado cavaleiro que prima pela fidelidade ao conceito clássico do toureio equestre, algo que nos encanta, contudo, nem todos os toiros servem para este tipo de abordagem, pois cada toiro tem as suas distâncias e os seus terrenos, nem sempre correspondendo aos cites de poder a poder. Deste modo a lide resultou desligada do toiro, com cites demorados, porque o toiro não investia de pronto.

Foi uma lide voluntariosa, emotiva em algumas reuniões mais cingidas, mas sem permitir o brilhantismo que já apreciámos em tantas ocasiões ao marialva de Paço d’Arcos.

Andrés Romero apresentou-se na Barquinha depois de haver triunfado em El Castillo de las Guardias – um “pueblo” próximo de Sevilha onde cortou quatro orelhas e dois rabos – porém, o seu desempenho nesta corrida não alcançou tanto luzimento. O toiro saiu pouco colaborante e, talvez por isso, o rejoneador não tivesse logrado encontrar-lhe os melhores terrenos, preferindo uma lide mais aligeirada, à qual imprimiu excessivo andamento e a colocação de ferros em sortes pouco dominadoras. O público aplaudiu e o toureiro saiu satisfeito. “Parreirita Cigano”, cavaleiro poderoso e valente, também precisa que os toiros invistam francos, o que nem sempre sucede. Os compridos não saíram muito a preceito, no entanto, o jovem marialva mudou de montada e logrou rubricar algumas sortes mais vistosas, embora não primasse pelo repouso e pelo domínio que se espera numa lide marialva. As sortes frontais mais emotivas exigem que os cavaleiros carreguem ao piton contrário e depois cravem os ferros de alto a baixo, como, de resto, “Parreirita” costuma fazer. Mas, não o fez nesta noite em que optou por sortes “à tira de frente”, como lhes chamou o saudoso Mestre Sommer d’Andrade. “Parreirita Cigano” esteve em plano de dignidade, mas sem alcançar o triunfo que sempre persegue.

Paco Velásquez tem um futuro promissor à sua frente, pois o seu toureio assenta nos pressupostos técnicos correctos, para além de estar bem montado e exibir boas maneiras como calção.

Preocupa-se em fazer tudo bem feito, citando de frente e dando a primazia de investida aos seus oponentes e, de forma mais ou menos repousada, consuma a sorte. Desta feita tocou-lhe um toiro complicado, que facilmente se enquerençava em tábuas, de onde só saía para arrear, o que, naturalmente, não permitiu uma lide perfeita. Ressalve-se, contudo, que o ginete riachense muito se esforçou para dignificar a sua profissão com arte e valor.

Os dois valorosos Grupos de Forcados prestigiaram as respectivas jaquetas de ramagens, tendo, contudo, que porfiar bastante para superar as dificuldades com que se debateram. Os toiros de D. Felicidade Dias não eram muito corpulentos, mas eram complicados, investindo com brusquidão e muitas vezes descompostos, pelo que apenas dois toiros foram pegados à primeira tentativa.

Pelos Amadores vila-franquenses foram solistas Vasco Carvalho, Luís Valença e André Câncio, consumando as respectivas sortes à segunda tentativa, e pelos Amadores azambujenses foram à cara Rúben Santos e João Branco, que concretizaram as suas sortes ao primeiro intento, e Rúben Branco, na sua única tentativa a dobrar Telmo Carvalho, desfeiteado por três vezes.

Os peões de brega estiveram em plano de acerto, bem assim como os campinos que recolheram os toiros de forma desembaraçada. Direcção correcta, ainda que benevolente, de José Matos, com assessoria técnica do Dr. José Luís Cruz.

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