Querida mãe,
Desde o dia 20 de agosto de 2017, aconteceram muitas coisas na nossa família, no país e no mundo.

O teu neto Afonsinho licenciou-se em 2018, já fez o estágio de advocacia e continua a tocar nos The Happy Mess, que acabaram de lançar um álbum com canções da sua própria autoria.

Em 2019 nasceram-te mais dois bisnetos: o Hjalmar da Teresinha e do Simon e a Maria do Miguel e da Sofia. Outros vêm, entretanto, a caminho.

No País, o Governo minoritário do PS com apoio parlamentar do PCP e BE para viabilizar os OE, vulgo “Geringonça” – que já conhecias desde 2015 – aguentou-se toda a legislatura até 2019.

Após as eleições legislativas desse ano ainda prosseguiu em moldes semelhantes até finais de 2021.

Estamos agora à espera para ver o que irá acontecer nos próximos 4 anos, com eleições marcadas para 30 de janeiro de 2022.

Em janeiro de 2021, como se esperava, o meu Professor Marcelo foi reeleito, aliás como todos os anteriores presidentes pós-Constituição de 1976 (Eanes, Soares, Sampaio e Cavaco).

Mas a principal novidade no mundo inteiro foi o aparecimento duma pandemia chamada COVID-19, classificada como tal em 11 de março de 2020 pela OMS – uma doença respiratória causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2).

Este maldito vírus mudou por completo as nossas vidas durante um ano e continua ativo passados quase dois, provocando ainda restrições penalizadoras para muitas áreas da economia.

Predomina agora uma nova variante muito mais contagiosa, mas ao que tudo indica causadora de formas menos graves da doença. É difícil determinar, pois o processo massivo de vacinação correu muito bem em Portugal, sob a liderança dum militar brilhante em logística, mas que cedeu ultimamente ao deslumbramento do palco mediático.

Na altura da Pandemia que os teus pais (meus avós) vivenciaram de 1918 a 1920 – a chamada gripe “espanhola” ou “pneumónica” – a espécie humana ainda não tinha ciência e tecnologia para descobrir uma vacina em menos de um ano, como agora.
A verdade é que por poucos anos, escapaste às duas grandes pandemias, uma no século XX e a outra já no século XXI.

Contadas as principais novidades dos últimos anos, deixa-me só dizer-te que tenho uma dor imensa por nunca te ter falado no enorme orgulho que tenho em ti, não só como mãe, mas também como ser humano (generoso e altruísta) e na tua inteligência.
Quando se fala em igualdade de oportunidades, penso imediatamente em ti, uma mulher nascida em 1924, com uma capacidade intelectual invulgar e uma cultura geral muito superior à minha. Se tivesses nascido umas décadas mais tarde…

Está dito, aqui no jornal onde íamos sempre ver o teu nome pelo teu aniversário a 16 de janeiro.

Um beijo do teu mais novo. Supervisiona aí a malta no céu.

Inato ou Adquirido – Pedro Carvalho

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Leia também...

‘Morrer sozinho’, por Pedro Santos

Opinião.

‘Morrer de Amor’, por Teresa Lopes Moreira

Este fim-de-semana cumpre-se o ritual secular de homenagear os defuntos. Os cemitérios…

Da passadeira vermelha para a passadeira da estrada

Atravessar uma estrada tem riscos e é matéria da educação básica de…

‘Investir em terrenos alheios…’, por Ricardo Segurado

Há um ditado popular, repetido e transmitido ao longo de gerações, composto…