Cartaxo celebra 204.º aniversário de elevação a concelho

O Cartaxo celebrou, no passado dia 10 de Dezembro, o 204.º aniversário de elevação a concelho com uma Sessão Solene, no Centro Cultural do Cartaxo, presidida pela Ministra da Agricultura Maria do Céu Albuquerque.

Esta Sessão Solene, apresentada pela Rainha das Vindimas Rafaela Oliveira, homenageou Maria Emília Palhinha e Maria José Campos, pelos serviços prestados, nas suas áreas, ao Município, com a atribuição de Diplomas e Medalhas de Mérito Municipal.

A abertura da Sessão coube à banda da Associação Filarmónica União Lapense que se manteve em palco até ao final da cerimónia, brindando todos os presentes e todos os que assistiram através do canal do Município no Youtube com diversos momentos musicais repletos de alegria e emoção.

PUBLICIDADE

O presidente da Assembleia Municipal Augusto Parreira foi o primeiro a subir ao palco para, “no dia em que se celebra o Cartaxo, o concelho e as suas gentes”, apelar à união e participação de todos os munícipes, pois “apenas com verdade, com trabalho, dedicação, criatividade e proximidade conseguiremos ultrapassar as dificuldades e os desafios e concretizar os objetivos que nos permitam continuar a afirmar o Cartaxo”.

Para o autarca, a comemoração deste aniversário deve “ser também um momento de reflexão, de partilha e de mobilização de energias para que possamos perceber bem o caminho percorrido e o caminho que queremos percorrer para construir um concelho cada vez melhor”.

Nesta “data histórica com uma carga emblemática para todos nós, a celebração da elevação do Cartaxo a concelho”, é também o momento para “recordar todos aqueles que ao longo da nossa rica história, em contextos radicalmente diferentes, contribuíram a seu modo para que este concelho se tenha tornado no que ele é hoje, um local agradável de encanto e de belezas únicas”.

Assim começou o autarca por se dirigir às duas homenageadas, a quem agradeceu “o seu exemplo de entrega à causa pública, o seu exemplo de dedicação à comunidade de que são parte assumida e integrante, a sua consciência diariamente repetida de uma cidadania activa que nos exige que as destaquemos”.

Os momentos que se seguiram foram de grande emoção, com a subida ao palco das duas homenageadas. Esta foi, aliás, do início ao fim, uma noite emotiva, em que se celebrou não apenas os 204 anos de história do Cartaxo como concelho, mas também o amor, a amizade, o carinho, a inspiração, o respeito, o exemplo e a admiração despoletados por Maria Emília Palhinha e Maria José Campos. Foi o que se sentiu nos vários discursos, na reação do público, nos aplausos que foram feitos de pé.

Maria Emília Palhinha, que foi professora efectiva da Escola Secundária do Cartaxo, foi a primeira homenageada a subir ao palco. Depois de receber o Diploma, a Medalha e um ramo de flores das mãos do presidente da Assembleia Municipal Augusto Parreira, do vice-presidente da Câmara Municipal Fernando Amorim, e do vereador Pedro Nobre, Maria Emília Palhinha confessou sentir-se “emocionada”.

Agradecendo ao Município e a todos os presentes, a homenageada dirigiu-se aos seus antigos e actuais alunos, justificando a sua vida de entrega à carreira docente como um gesto de amor por eles, “contribuí com tanto trabalho porque eu acho que ensinar é amar”.

No final do seu discurso, a actual professora da Universidade Sénior do Cartaxo disse que espera “continuar a fazer muitas mais coisas”.

Maria José Campos, que desempenhou, entre outros, o cargo de Diretora da Biblioteca Municipal Marcelino Mesquita e do Museu Rural e do Vinho do Cartaxo, do qual foi também fundadora, subiu ao palco para receber o Diploma, a Medalha de Mérito e o ramo de flores das mãos da ministra da Agricultura Maria do Céu Albuquerque, do presidente da Câmara Municipal Pedro Magalhães Ribeiro e da vereadora Elvira Tristão.

A homenageada lembrou os tempos passados na autarquia, descrevendo esses anos como “empolgantes, de trabalho, mas também de realização, de prazer e, sobretudo, um enorme privilégio para uma jovem economista, em 1977, poder integrar em democracia a primeira Câmara Municipal”.

Para a antiga vereadora, “mais do que ocupar um cargo, foi sobretudo uma dedicação de vida, porque sabíamos que as dificuldades eram muitas, os meios eram muito parcos, mas que todos em conjunto poderíamos fazer muito mais e melhor, e assim foi”.

No seu discurso, Maria José Campos agradeceu a todos “os colaboradores, que fui tendo ao longo da vida”, essenciais em todos os projetos a que se dedicou, “e que nunca regatearam esforços nem trabalho para que as coisas se conseguissem concretizar”.

Pedro Magalhães Ribeiro, que discursou logo após a homenagem a estas duas importantes mulheres da história do concelho, também lhes dedicou algumas palavras.

Dirigindo-se à professora Maria Emília Palhinha, o presidente afirmou que “para além do muito que fez, daquilo que é visível, arrisco afirmar que aquilo que deixou de mais importante nesta nossa comunidade, foram os ensinamentos aos seus alunos, a sua amizade, o seu carinho, os valores da diversidade e de um mundo multicultural que cultivou em cada um deles e em cada um de nós, que temos tido o prazer do seu convívio”.

Sobre Maria José Campos, o presidente referiu que o Município prestou homenagem não apenas à autarca e à deputada, mas sobretudo “à cidadã activa, que foi e é símbolo da participação da mulher na vida política, que sempre semeou uma cultura de abertura ao que é diferente e novo, e que sempre soube envolver a comunidade para construir, a partir do melhor das nossas tradições, com uma visão lúcida e corajosa de um Cartaxo inovador e com os olhos postos no futuro”.

No início do seu discurso, o presidente transmitiu uma palavra de solidariedade e de esperança a todos os cartaxeiros, mas sobretudo àqueles “de cada uma das nossas freguesias que hoje vivem em situação de pobreza, no desemprego, na angústia de um Natal amargurado e com pouca esperança no futuro”.

Lembrando que a 10 de Dezembro se comemora também o Dia Internacional dos Direitos Humanos, Pedro Magalhães Ribeiro lamentou que se viva hoje “uma nova era de desigualdades, em que o fosso entre ricos e pobres se acentua”, numa sociedade “fragmentada e mais perdida nos seus valores humanistas, num mundo cada vez mais egoísta, que teima em não assumir que está a comprometer o futuro das novas gerações e do planeta que coabitamos”.

O presidente abordou a questão das alterações climáticas e as conclusões “claras e preocupantes” da comunidade cientifica, destacando que, sendo um tema global, “tem que merecer, uma reflexão local, em que cada um de nós, na sua acção individual e nosso comportamento coletivo, está convocado para agir”.

Dirigindo-se, depois, à ministra da Agricultura, Pedro Magalhães Ribeiro falou sobre a ligação entre a “preservação da excelência dos produtos que produzimos na nossa região e no nosso país” e a “capacidade que tivermos para valorizar e proteger os nossos recursos naturais”, tendo também manifestado as suas preocupações sobre o Tejo e os seus afluentes.

“Estas áreas não são todas do seu domínio”, acrescentou, “mas sei da sua preocupação e do seu amor ao rio Tejo, que sendo o elemento mais estruturante da nossa região, transporta grandes desafios”.

A par do Tejo, Pedro Magalhães Ribeiro destacou o vinho e a Agroglobal como factores de dinamismo e ambição que fazem, do Cartaxo, “uma terra de enormes oportunidades”. Mas este tempo em que vivemos continua “a ser de emergência”, afirmou, havendo ainda “muito para fazer para devolver à nossa terra a qualidade de vida de outros tempos”.

“Somos a terra de Marcelino Mesquita, Cosme Delgado, Marco Chagas, Rui Silva, de Nicolau, Trindade, de Francisco Valada, de Vicente da Camara, José Tagarro, Jorge Maltieira, José Raposo, cavaleiros tauromáquicos, de bravos forcados e de tantas e tantas personalidades, instituições, gente anónima que com o seu trabalho continuam a elevar bem alto o prestígio e as tradições da nossa terra”, atestou, reafirmando o seu “orgulho nas nossas gentes, na nossa terra, e em cada uma das nossas freguesias”.

Pedro Magalhães Ribeiro entende que “tal como há 204 anos, temos de seguir os exemplos de força e de coragem que guiaram as mulheres e os homens que há 204 anos lutaram pela autonomia administrativa e pela afirmação do concelho do Cartaxo junto do Rei D. João VI”. Para isso, assegurou que continuará a trabalhar “para que o concelho continue a representar para as gerações vindouras, uma terra com tradições, de gente de trabalho, onde existe sempre um espaço para a inovação, para a criatividade e para a modernidade”.

No encerramento da cerimónia, a ministra da Agricultura Maria do Céu Albuquerque destacou o excerto do alvará de criação do concelho do Cartaxo destacado no convite: “(…) que este se erigisse em Vila com Termo conveniente, desmembrando-se de Santarém, não só porque assim o exigiam o aumento da agricultura, riqueza, povoação e grandeza do referido Lugar (…)”. “A agricultura mencionada neste excerto assume-se até aos dias de hoje como uma fonte de desenvolvimento socioeconómico da região do Ribatejo, mas também do Cartaxo em concreto, e como fator inquestionável de competitividade”, afirmou.

Deixando a todos um convite para participarem na Agroglobal, a Ministra destacou esta feira profissional como um sinal “da vitalidade desta região, designadamente no que diz respeito à actividade agrícola e à manutenção da aliança entre a tradição e a inovação”.

O vinho do Cartaxo também mereceu destaque por parte da ministra, que o considera também “parte desta vitalidade”. “Foi graças ao trabalho de tantas e de tantos, da Adega Cooperativa do Cartaxo, mas também da Maria José Campos, que o vinho passou a ser uma referência dos produtos endógenos deste nosso território”, salientou, lembrando os muitos prémios nacionais e internacionais ganhos pelo vinho do Cartaxo.

Agradecendo o convite que lhe foi dirigido para partilhar esta “noite quente, de afectos, de carinho”, Maria do Céu Albuquerque terminou o seu discurso apelando à participação de todos na construção de “um futuro que honre o passado que hoje, aqui no presente, recordamos, comemoramos, e com o qual nos comprometemos”. Lembrando as palavras de Maria de Lurdes Pintassilgo, “uma grande mulher, tal como as homenageadas, muito à frente do seu tempo”, a Ministra lembrou que a resposta aos problemas está nas mãos de todos – “«Se queremos um futuro melhor, o futuro começa hoje e está nas nossas mãos» – parabéns ao Cartaxo por estarem a agarrar o vosso futuro”.

PUBLICIDADE

PARTILHE COM OS SEUS AMIGOS