Foto: Rui Louraço

A situação nos rios Tejo e afluentes mantém-se estabilizada, mas a chuva persistente continua a provocar condicionamentos e submersões em mais de uma centena de vias em 15 concelhos do distrito de Santarém, alertou hoje a Proteção Civil.

“De acordo com o último briefing que fizemos no âmbito do Sub comando Regional do Médio Tejo, e também na sequência da última reunião da Comissão Distrital da Proteção Civil, os caudais têm estado mais ou menos estáveis e assim se vão manter”, disse à Lusa o presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil de Santarém e da Câmara de Abrantes.

“A nossa grande preocupação neste momento é a chuva persistente e a quantidade”, acrescentou.

Segundo Manuel Jorge Valamatos, a depressão Marta permanece sobre a região do Médio Tejo e Lezíria do Tejo, mas os ventos não têm apresentado grande perigo.

“Algumas estradas já estiveram desobstruídas, mas tendem a poder ficar novamente obstruídas. É uma situação que vai evoluindo consoante os efeitos da chuva no Tejo e afluentes, mas também aluimentos de terras e derrocadas para as estradas. Por isso é importante que todos se mantenham informados e solicitem informações às estruturas de proteção civil”, sublinhou.

De acordo com a informação disponibilizada pela Proteção Civil, verificou-se desde o último comunicado, às 22:00 de sexta-feira, uma estabilização dos caudais no Tejo, embora com oscilações e valores ainda elevados.

A elevada precipitação que se faz sentir na região continua a exigir atenção redobrada, dado que é expectável o aumento dos afluentes e a ocorrência de inundações urbanas e submersão de vias rodoviárias. O Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo mantém-se em alerta vermelho.

Às 10:00, a soma das descargas das barragens do Fratel (4.255 m³/s), Pracana (215 m³/s) e Castelo de Bode (1.080 m³/s) totalizava um caudal instantâneo de 5.550 m³/s, enquanto na estação de Almourol o caudal medido atingia 7.016 m³/s.

Para comparação, às 10:00 de sexta-feira registava-se na estação de Almourol 7.783 m³/s, depois de na quinta-feira, ao final da tarde, os valores terem ultrapassado os 8.600 m³/s, num dia em que os caudais mais do que duplicaram face aos cerca de 3.500 m³/s medidos durante a madrugada, situação que motivou a ativação do alerta vermelho.

“Na verdade, a montante, as barragens espanholas estão com mais capacidade de encaixe do que já estiveram e a situação neste momento, em termos caudais do rio Tejo, está estabilizada, mas temos que manter níveis de atenção e de alerta bastante altos. É muito mais calma do que já vivemos, mas temos que continuar atentos à quantidade de pluviosidade que cai no nosso território, em Portugal e em Espanha”, acrescentou Valamatos.

Segundo a Proteção Civil de Lisboa e Vale do Tejo, mais de uma centena de vias continuam afetadas por submersões ou condicionamentos intermitentes em 15 concelhos: Santarém, Cartaxo, Golegã, Benavente, Almeirim, Chamusca, Alpiarça, Abrantes, Constância, Torres Novas, Sardoal, Tomar, Alcanena, Entroncamento e Salvaterra de Magos.

A circulação está a ser atualizada constantemente e a maioria das estradas abre e fecha consoante a oscilação do Tejo e afluentes.

As autoridades alertam para a necessidade de redobrada atenção na condução, proteção de bens e animais, evitar travessias de vias alagadas e seguir rigorosamente as informações oficiais.

A informação detalhada sobre cada via e concelho está disponível nos sites oficiais das câmaras municipais, sendo atualizada ao minuto devido à volatilidade da situação.

O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo foi ativado em nível amarelo no dia 24 de Janeiro e elevado para alerta vermelho na quinta-feira, face ao agravamento dos caudais e risco extremo de inundações, segundo a Proteção Civil.

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