O Centro Social do Pego, em Abrantes (Santarém), que atravessa graves problemas financeiros, com dívidas a fornecedores e a mais de 80 trabalhadores, vai recorrer ao Fundo de Socorro Social, revelou hoje o presidente da direção.

“Devemos efetivamente, neste momento, o subsídio de Natal relativo a 2023 e o subsídio de férias e o subsídio de Natal de 2024”, disse hoje à Lusa António Gomes Mor.

Segundo o responsável, o montante dos três subsídios dos 80 trabalhadores ascende a 210 mil euros, enquanto os pagamentos em atraso a fornecedores, superiores a 30 dias, é de cerca de 90 mil euros.

Ainda de acordo com o presidente do Centro Social do Pego, será feito “ainda esta semana” um pedido de apoio ao Fundo de Socorro Social para o montante global das dívidas de curto prazo, que rondam os 300 mil euros.

António Gomes Mor justificou as dívidas com o facto de os “custos serem superiores às receitas” mensais, obtidas pelo “que os utentes pagam e o que o Estado comparticipa”.

“Não obstante todos os anos termos conseguido apoios do mecenato, algumas dezenas de milhar de euros, temos vindo a acumular prejuízos, essencialmente em duas respostas sociais, no centro de dia e jardim-de-infância. Valores de prejuízo anual muito, muito significativos”, afirmou António Mor.    

O Centro Social do Pego, instituição de solidariedade social (IPSS) com as valências de creche e jardim-de-infância, lar residencial (ERPI), centro de dia e apoio domiciliário, presta serviço a cerca de duas centenas de utentes e tem mais de 80 trabalhadores.

A instituição, com um orçamento anual de 1,9 milhão de euros, está a ser gerida por uma comissão administrativa liderada por António Mor, fundador da IPSS e presidente da direção até ao ano passado, depois da ausência de candidatos aos órgãos sociais.

À Lusa, o dirigente associativo disse ainda estar “convencido” que o pedido ao Fundo de Socorro Social “não deixará de ter apoio”, reconhecendo, contudo, que “o ideal era que houvesse os recursos necessários a entrar mensalmente nas instituições” para estas poderem “olhar de frente todos os desafios” de gestão.

“Está em causa a sustentabilidade das instituições”, salientou, insistindo que “o apoio que tem vindo a ser concedido […] não tem conseguido acompanhar o que tem sido o crescimento dos custos”.

Entretanto, em comunicado, a comissão concelhia de Abrantes do PCP manifestou solidariedade para com os trabalhadores, adiantando que, “face à situação alarmante” vivida no Centro Social do Pego, questionou o Governo, através do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, sobre a situação da IPSS.

Nas perguntas enviadas, a que a Lusa teve hoje acesso, o PCP questiona que “medidas estão a ser tomadas para garantir a sustentabilidade financeira da instituição e a qualidade dos serviços aos utentes” e pede “ações imediatas para assegurar o cumprimento das obrigações laborais e a proteção dos direitos dos trabalhadores”.

O PCP salienta ainda que a IPSS está numa “situação financeira crítica”, o que “tem tido impacto direto nos trabalhadores e utentes”.

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