Dez comandantes de bombeiros do Médio Tejo defenderam hoje a manutenção do comando sub-regional de proteção civil, salientando as mais-valias do modelo atual e alertando que a extinção representaria um retrocesso na coordenação e eficácia das operações de socorro.
Os comandantes de 10 das 14 corporações de bombeiros do Mário Tejo, “face às notícias sobre a reorganização da proteção civil e dos bombeiros”, e na sequência da carta aberta de fevereiro de 2025, reafirmam que “o comando sub-regional do Médio Tejo funciona bem. A proximidade, a organização e o despacho de meios são eficazes, integrando municípios e comunidades intermunicipais”, disse à agência Lusa Nuno Morgado, comandante dos bombeiros de Sardoal.
“A sua extinção seria um retrocesso e queremos que a nossa opinião seja ouvida junto do Governo e da tutela da proteção civil”, acrescentou.
O comando sub-regional do Médio Tejo, com sede em Vila Nova da Barquinha, opera em 11 municípios do distrito de Santarém: Abrantes, Alcanena, Caxarias, Entroncamento, Fátima, Ferreira do Zêzere, Minde, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.
A organização integra os comandos de bombeiros com a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo que, nos últimos anos, investiu cerca de cinco milhões de euros em veículos operacionais, embarcação e equipamentos para as corporações locais, reforçando a capacidade de resposta a emergências.
“Continuamos a não compreender por que razão se insiste em alterar um modelo que tem demonstrado eficácia. Aqui, no Médio Tejo, os despachos de meios e a coordenação entre corpos de bombeiros e autarquias funcionam como previsto, e a proximidade com os municípios permite uma gestão mais rápida e articulada das ocorrências. A eventual extinção seria um retrocesso e poderia comprometer todo o trabalho de proximidade que construímos”, acrescentou Nuno Morgado.
Na carta aberta que agora reenviaram, para o Presidente da República, o ministro da Administração Interna e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), os 10 comandantes alertam para o risco de “nivelar por baixo” o sistema de proteção civil, criticando críticas baseadas em casos isolados e não no desempenho global das sub-regiões.
“Se existem territórios que funcionam bem, como o Médio Tejo, é fundamental avaliar o que corre corretamente e replicar boas práticas noutros locais. Não concordamos que mudanças sejam impostas com base apenas em problemas pontuais noutras sub-regiões ou distritos”, sublinha a carta.
Os comandantes defendem que a organização por sub-regiões permite uma coordenação mais eficaz, maximizando a partilha de recursos humanos e materiais, e assegurando respostas rápidas em situações de emergência, incluindo incêndios rurais, acidentes, inundações e outras ocorrências.
“A proteção civil não se limita ao combate a incêndios. Abrange um vasto conjunto de situações que exigem resposta articulada e proximidade com as comunidades. Reverter esta estrutura pode enfraquecer a cooperação entre entidades, comprometer os avanços alcançados e prejudicar a população”, lê-se na missiva.
Os responsáveis lembram ainda que o modelo sub-regional tem sido um exemplo de integração de políticas territoriais, envolvendo municípios e comunidades intermunicipais, e que decisões unilaterais sem consultar os comandos locais podem comprometer esta articulação.
“Neste momento, aguardamos eventuais reuniões por forma a sermos ouvidos pelo ministro da Administração Interna e pelo secretário de Estado da Proteção Civil. Queremos apresentar a nossa avaliação do modelo, baseada na experiência prática do Médio Tejo, e alertar para os riscos de um retrocesso caso a estrutura seja desmantelada”, concluiu Nuno Morgado.
A carta é subscrita pelos comandantes de Abrantes, Caxarias, Entroncamento, Fátima, Ferreira do Zêzere, Minde, Vila Nova da Barquinha, Alcanena, Sardoal e Tomar.
Os comandantes de Ourém, Torres Novas, Constância e Mação não subscreveram o documento.
