“O Movimento Nacional Feminino e Madrinhas de Guerra durante a Guerra do Ultramar” foi o tema de uma conferência proferida ao final da tarde do passado dia 21 de Setembro (quinta feira), pelo Dr. Jorge Artur São Pedro Sousa Gomes, Sargento-Chefe de Cavalaria, Investigador em História Moderna e Contemporânea, na sede do Núcleo de Santarém da Liga dos Combatentes, a convite do presidente desse Núcleo Carlos Pombo, que saudou todos os presentes e apresentou o conferencista.

Numa sessão que contou com a presença do Tenente-General Joaquim Chito Rodrigues, presidente da Liga dos Combatentes, e de muitos ex-combatentes presentes na sala, Jorge Sousa Gomes homenageou as “senhoras que deram apoio moral” ao militar português que combateu na I Grande Guerra mas também no Ultramar, dando ainda “apoio às famílias que ficaram por cá”.

O historiador frisou o “importante papel” dessas mulheres, citando a obra do Tenente Afonso do Paço “Cartas às Madrinhas de Guerra”, também ele ex-combatente na I Grande Guerra. As Madrinhas de Guerra eram, segundo Afonso do Paço, citado por Jorge Gomes, os “entes mais queridos da guerra, que lançaram sobre as trincheiras regadas de sangue catadupas de amor e de carinho”.

“Elas mantinham correspondência assídua com os soldados da linha da frente, contavam-lhes novidades e faziam chegar até eles recordações e presentes, que muito contribuíram para os encorajar e mitigar as suas dores físicas e morais”, lembrou o conferencista. Jorge Gomes explicou que as Madrinhas de Guerra nasceram com a obra de um grupo de Senhoras, na Monarquia, que prestaram apoio na Flandres, mas também em Portugal. O apoio foi dado durante a Guerra do Ultramar (Angola, 1961; Guiné,1963; e Moçambique, 1964) e daqui surgiu, segundo o historiador, o Movimento Nacional Feminino. “Temos de honrar estas Senhoras”, lembrou.

No decorrer da conferência o historiador sublinhou a importância dos mais de 370 milhões de aerogramas, de cores amarela e azul pálido, que foram trocados entre as madrinhas e os combatentes e suas famílias, mas também o importante papel da TAP no transporte da denominada “correspondência normal”.

Abordou ainda o perfil das Madrinhas de Guerra que alguns investigadores defendem que possam ter sido “cerca de 300 mil”, não sendo um exclusivo do território nacional, mas estendendo-se a vários países da Europa e ao Brasil. Convidado a usar da palavra no final da conferência, o Tenente-General Chito Rodrigues classificou de “excelente, independente e historicamente válida” a conferência a que tinha acabado de assistir, sublinhando a importância de sessões como a de hoje se ouvirem também nas escolas.

“Hoje estivemos aqui a homenagear a mulher portuguesa”, conclui o presidente da Liga dos Combatentes. No final da conferência, antecedida por um momento de violino por parte de uma professora do Conservatório de Música de Santarém, foi inaugurada no Pólo Museológico deste Núcleo de Santarém uma exposição relativa à Guerra do Ultramar, composta por desenhos humorísticos militares. Mostra de desenhos originais a partir da doação realizada pelo autor e sócio da Liga dos Combatentes, Coronel de Cavalaria Luís Manuel Vicente da Silva, que nos dá a conhecer pormenores da vida dos Combatentes da Guerra do Ultramar (1961-1974). A exposição ficará patente até ao final do corrente ano (segundas, quartas e sextas- -feiras, das 14h30 às 17h00, com entrada livre).

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