Sua importância comercial e agrícola – Tradições históricas

O governo satisfez a aspiração dos habitantes de Alcanhões, elevando á categoria de vila esta importante e laboriosa povoação do nosso concelho que conta presentemente 2.400 habitantes.

Foi um acto de justiça deferir a pretensão do povo alcanhoense, porque esta freguesia, pela sua riqueza e pelo labor dos seus naturais, a isso tinha justificado direito.

Alcanhões tem presentemente cerca de 30 estabelecimentos comerciais de relativa importância, uma população escolar superior a 400 crianças, caixa de crédito agrícola, uma importante fabrica de moagem, associação de bombeiros, colectividades desportivas e uma reputada estância balnear de águas cloretadas que está em vias de beneficiação, com risonho futuro. Também possui quintas importantes, como da das Ladeiras, que pertence aos herdeiros do falecido estadista Barros Gomes e da Comenda que é dos descendentes do grande proprietário Paulino da Cunha e Silva.

O povo da nova vila festejou ruidosamente o acontecimento sendo geral a satisfação pelo benefício porque há muito anelava.

Muita gente ignora que em Alcanhões houve uns paços reais onde se hospedavam príncipes, e em que se realizaram alguns sucessos notáveis. D. Fernando ali pousou e já no tempo de D. Manoel esses paços eram designados por “paços velhos”, tendo sido doados por esse monarca a D. João de Menezes mordomo-mor da corte, no dizer de Viterbo. Ali recebeu D. Fernando a embaixada do rei de Aragão que vinha tratar de paz e amizade e também ali se avistou esse rei com Diogo Lopes Pacheco, embaixador do rei D. Henrique de Castela, para o mesmo fim.

Também em Alcanhões se concertou o plano definitivo do tenebroso drama, que teve por epilogo o assassínio de D. Maria Teles, pelo infante D. João filho de D. Inez de Castro.

Como se vê, Alcanhões não é apenas um importante núcleo agrícola e comercial, mas uma terra de tradições históricas que bem merece a distinção de vila com que o governo acaba de distingui-la.

In: Correio da Extremadura de 31 de Março de 1928

Pode consultar estas e outras notícias no Arquivo do Correio do Ribatejo em https://arquivo.correiodoribatejo.pt/

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