Nas Ruas

O entrudo manteve nesta cidade as suas tradições… de sensaboria que há anos vão fazendo grande progresso.

Nas ruas, as máscaras primam pela ausência. Apenas, donde aonde, algumas crianças se mostram em “costumes” interessantes.

O resto – tirante alguns débeis tiroteios de serpentinas e confetti, a dar nota civilizada no meio de tanto esterquilínio, e o aparecimento duma cegada do lugar das Lapas, que exibiu as suas danças e cantares pelas ruas – não passou duma pelintrice por vezes atingido as raias da ascorosidade.

Nos Clubs

A animação manteve-se porem, sem desfalecimento, durante os bailes. No Club de Santarém, alem das costumadas “soirées” oferecidas pela direcção e abrilhantadas por um quarteto de Lisboa, houve “matiné” e concurso de máscaras infantis, na segunda-feira gorda, conseguindo o 1.º prémio o menino Mário Cambezes, de “príncipe” e o 2º a menina Antonieta Cabral, em trajo copiado dum quadro antigo.

Neste interessante certame interferiram como membros do júri, as sr.ªs D. Maria Júlia Barros e Matos, D. Albertina Malfeito Monteiro, D. Maria da Graça Pessoa d’Amorim Serra Pedroso da Costa, D. Elisa Guerra e D. Laura de Sousa Leitão.

No teatro-Club Ribeirense os três bailes do Carnaval estiveram muito animados, jogando-se delirantemente e dançando-se em todas as noites até ás 6 horas da madrugada.

Houve serviço de chá, chocolate e doces, oferecidos pela direcção.

Também no Grémio Ribeirense se notou a maior animação durante as três noites de folia, especialmente na terça-feira. No Grémio Operário houve todas as noites concorrência aos bailes, aparecendo bastantes mascaras e foliando-se com “entrain” até alta noite.

Nos Teatros

O Rosa Damasceno teve sempre farta concorrência aos seus espectáculos de animatografo e variedades nas noites de 11 e 13, em que tomaram parte a cançonetista Troyana e a bailarina Yulo. No sábado e segunda feira desempenharam alguns sócios do Club a revista Sonho & Pezadelo, em 2 actos, do nosso amigo sr. Rui de Pina, música do maestro João Lopes. Foi um parêntesis desopilatório, em que se comentaram muitos ridículos locais e as contínuas “boutades” assentavam, por vezes, como carapuças, nas cabeças de muita gente.

Aos espectáculos, sempre interessantes, do Teatro Salão Ideal, não faltou a mais larga concorrência, não só para honrar o deus Momo, como para assistir ao epilogo da extraordinária fita O Vencedor, em que William Duncan teve uma ovação triunfal.

(In: Correio da Extremadura de 17 de Fevereiro de 1923).

Pode consultar estas e outras notícias no Arquivo do Correio do Ribatejo em https://arquivo.correiodoribatejo.pt/

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