O Governo decretou que Portugal cumprisse nas passadas terça e quarta-feira, dois dias de luto nacional pela tragédia de Entre-os-Rios, no concelho de Castelo de Paiva, em memória das cerca de 70 pessoas que caíram ao rio Douro, no interior de um autocarro de dois andares e de três ou quatro carros ligeiros, que no passado domingo, pouco depois das nove da noite, circulavam no tabuleiro da ponte de Entre-os-Rios, quando esta ruiu.
O autocarro estava a poucos quilómetros de Castelo de Paiva onde regressava numa excursão às amendoeiras transmontanas.
Assumindo “culpas políticas”, na tragédia, Jorge Coelho pediu a demissão “de forma irreversível”, pelas 3h30 da madrugada de segunda-feira, pedido aceite por António Guterres.
Ao princípio da noite de terça-feira Guterres nomeava Ferro Rodrigues ex-ministro do Trabalho e da Solidariedade para ocupar o cargo deixado por Jorge Coelho.
O primeiro cadáver do acidente da ponte de Entre-os-Rios, uma mulher de 50 anos, foi retirado do rio Douro às 10 horas, de segunda-feira.
Até à hora de fecho desta edição, as equipas de busca dos corpos das vítimas do acidente ainda não tinham sequer encontrado os veículos no fundo do rio, muito embora ao fim da tarde da passada terça-feira, uma sonda tivesse identificado quatro objectos no fundo do rio, a cerca de 100 metros da ponte sinistrada.
Na tarde da passada quarta-feira os mergulhadores partiram para o local do rio onde supunham estar o autocarro. Na altura, o presidente da Câmara de Castelo de Paiva, lançava o apelo a Espanha para que retivesse o máximo possível de água nas suas barragens.
A consternação nas aldeias do concelho de Castelo de Paiva aumentava à medida que os dias passavam sem que os familiares das vítimas recebessem os corpos dos seus entes queridos.
Enquanto isso, na quarta-feira, o presidente do Instituto de Solidariedade e Segurança Social, João Pedroso, anunciava a criação de subsídios excepcionais de apoio às famílias das vítimas, para os casos de especiais de carência, através de um fundo do Instituto.
Entretanto, multiplicaram-se as mensagens de pesar das autoridades portuguesas e de outros países solidários com o nosso pela tragédia ocorrida. O Presidente da República, Jorge Sampaio mostrou-se “profundamente consternado”, afirmando apenas, durante a visita que fez ao local da tragédia, esperar que se consigam recuperar os corpos das vítimas com brevidade, o que até ao fim da manha da passada quarta-feira ainda não tinha sido possível.
(In: Correio do Ribatejo de 09 de Março de 2001)
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