O ex-ministro da Economia António Costa e Silva defendeu, esta quarta-feira, 15 de Janeiro, em Santarém, a necessidade de um novo modelo de desenvolvimento para Portugal, assente na valorização do território, na descentralização efectiva e na mobilização dos activos regionais, identificando o distrito como uma área-chave para um crescimento mais equilibrado do país.
A posição foi assumida na conferência promovida pela SEDES, dedicada aos 50 anos da Constituição e aos Modelos de Desenvolvimento Regional, que decorreu no Santarém Hotel e reuniu responsáveis da SEDES, autarcas, representantes institucionais e da sociedade civil.
Na sua intervenção, Costa e Silva alertou para os desequilíbrios do actual modelo territorial, marcado por forte concentração populacional e económica no litoral, defendendo que regiões como Santarém dispõem de vantagens comparativas decisivas, nomeadamente nos sectores da agricultura e agroalimentar, da água, do capital natural, da logística, da indústria transformadora, das ciências da saúde e da inovação tecnológica. O ex-governante sublinhou ainda a importância da digitalização, da qualificação das pessoas e da captação de investimento privado como motores essenciais do desenvolvimento regional.
O debate contou igualmente com intervenções de responsáveis da SEDES Santarém, que defenderam uma estratégia integrada para o Ribatejo, e do presidente da Câmara Municipal de Santarém, João Teixeira Leite, que destacou o papel dos municípios e das comunidades intermunicipais na criação de condições para atrair investimento e gerar emprego, sublinhando a necessidade de uma descentralização eficaz e de maior articulação entre o poder local, regional e central.

A iniciativa enquadrou-se num ciclo de reflexão promovido pela SEDES, com o objectivo de contribuir para o debate público sobre o futuro do território, a coesão regional e os desafios estruturais do desenvolvimento nacional.
* Notícia desenvolvida na Edição Impressa do Correio do Ribatejo de 23 de Janeiro



