O bispo de Santarém convidou os diocesanos a viverem o Advento como um tempo de “saber esperar”, contrapondo a virtude da esperança cristã à impaciência da cultura digital e ao “pessimismo” gerado pelos conflitos mundiais.

“No nosso tempo parece não haver tempo para esperar, pretende-se que tudo aconteça ao ritmo de um click, o mais depressa possível; esperar parece ser um tempo perdido e inútil”, escreve D. José Traquina, na sua mensagem para o tempo litúrgico de preparação para o Natal.

No documento, o responsável alerta para o impacto que têm “os conflitos, as guerras, as injustiças e a incerteza quanto ao futuro”.

“Tudo isto leva ao medo e, por consequência, à falta de esperança. Não podemos ser prisioneiros do medo. É necessário acreditar, ter coragem e esperança”, adverte.

O bispo de Santarém sustenta que, num “mundo acelerado”, é fundamental valorizar os ritmos naturais da vida, dando como exemplos o crescimento de uma árvore ou a gestação de uma criança.

“Uma mulher grávida é um grande ‘sinal’ de esperança. Vai nascer uma criança, uma nova pessoa humana. A gravidez exige cuidados e incómodos que são suportáveis porque há amor e esperança”, escreve.

“Não só a esperança de que a gravidez vai ter sucesso como também a esperança de que a criança que vai nascer será motivo de alegria e de esperança para a família e para a comunidade. A nova vida projeta-se em esperança”, acrescenta.

  1. José Traquina rejeita, na sua mensagem, a postura de quem “só vê o que é negativo” e para quem “o mundo está definitivamente perdido”.

Evocando as figuras bíblicas de Simeão, Ana, Zacarias e Isabel – idosos que “acreditavam e esperavam” –, D. José Traquina sublinha o papel das gerações mais velhas na transmissão da fé.

“A velhice é uma grande oportunidade para cultivar e testemunhar a esperança. As novas gerações necessitam deste testemunho das pessoas mais idosas”, refere.

Para o responsável católico, a esperança não é uma atitude passiva, mas “fermento que discretamente vai levedando”, traduzindo-se em “paciência e continuar a lutar no caminho da fidelidade”.

O bispo conclui a mensagem desejando que estas semanas sejam vividas na “alegria do acolhimento da Luz de Deus”, rejeitando uma vida reduzida a apenas “viver o dia a dia” por falta de sentido.

O tempo do Advento, que se iniciou este domingo, marca o arranque de um novo ano no calendário litúrgico da Igreja Católica, englobando os quatro domingos anteriores à solenidade do Natal.

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