Os deputados do PSD eleitos por Santarém consideraram “surreal” a contratação “em cima da hora” de enfermeiros para responder à passagem às 35 horas semanais de trabalho, acusando o Governo de “irresponsabilidade” por falta de resposta atempada.

No final de uma reunião com o conselho de administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT, que reúne os hospitais de Torres Novas, Tomar e Abrantes), o deputado Duarte Marques afirmou que, por causa das 35 horas, foram pedidos para estas unidades mais 50 enfermeiros, tendo sido autorizados apenas 19, mas nem estes estão a ser conseguidos, “porque estão todos os hospitais a tentar recrutar”.

“É surreal que só no dia em que a medida entrou em vigor é que sejam dadas as autorizações”, disse, salientando que as dificuldades de contratação teriam sido evitadas se isso tivesse acontecido “há seis meses”.

O Ministério da Saúde “sabia de antemão que teria que reforçar os quadros e só o fez sob a pressão de enfermarias fechadas e serviços a colapsarem”, afirmou.

No caso do CHMT, o deputado social-democrata afirmou que no Hospital de Abrantes várias enfermarias passaram das 30 para as 26 camas para suprir a falta de enfermeiros.

Duarte Marques disse que aos 50 profissionais pedidos pela administração do CHMT para colmatar a redução do horário de trabalho se juntam mais 70 autorizações de substituições por baixas médicas e licenças de maternidade pedidas anteriormente e até ao momento sem resposta.

“São 120 em falta e só estão autorizados 19 e mesmo esses com grandes dificuldades em conseguir recrutar”, declarou.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, disse ontem que até Maio foram contratados cerca de 1.600 profissionais de saúde para responder à passagem às 35 horas semanais de trabalho e que a maioria das 2.000 contratações adicionais já foi autorizada.

Segundo o ministro, a “esmagadora maioria das situações” nos hospitais, com a passagem às 35 horas de enfermeiros, técnicos e assistentes a 01 de Julho, está a “correr normalmente”.

“Existem mais 50 hospitais e unidades locais de saúde em Portugal e, até agora, terão sido identificadas uma ou duas situações [com problemas], mas o sistema está preparado para que, nas instituições onde possa ter havido uma menor aferição do planeamento, essas situações serão corrigidas. A esmagadora maioria das situações está a correr normalmente”, afirmou o ministro da Saúde aos jornalistas, no final de uma conferência da indústria farmacêutica que decorreu em Lisboa.

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