Uma derrocada junto ao Tribunal de Torres Novas obrigou à evacuação do edifício e de três habitações contíguas, no contexto da chuva intensa das tempestades Kristin e Marta, disse hoje à Lusa o presidente da Câmara Municipal.

“Com a derrocada junto ao Tribunal, acionámos de imediato todos os meios disponíveis para acompanhar a situação. Felizmente não houve danos humanos nem nas casas próximas, mas o muro é antigo e a chuva intensa agravou a instabilidade, exigindo a evacuação do edifício e de três habitações”, afirmou à Lusa José Trincão Marques, no final de uma reunião da proteção civil municipal.

A derrocada ocorreu na quinta-feira nas traseiras do Tribunal, “com o abatimento de um muro de suporte antigo e instável, propriedade do Ministério da Justiça, agravado pela precipitação persistente”.

O LNEC realizou inspeções técnicas no sábado para avaliar a situação, elaborar relatório e orientar a consolidação do terreno.

Já hoje, domingo, deslocaram-se a Torres Novas, no distrito de Santarém, alguns militares do Regimento de Engenharia n.º 1 do Exército Português com o objetivo de “avaliarem e estudarem uma intervenção de engenharia urgente, com os seus meios, na zona afetada pela derrocada do talude situado nas traseiras do tribunal”, acrescentou o autarca.

O Tribunal, que funcionava em tempo e espaço parcial devido a obras que decorrem no edificado, esteve fechado na sexta-feira, cabendo ao Ministério da Justiça decidir a reabertura ao público, segundo o autarca.

As três famílias retiradas foram realojadas em casas de familiares ou noutros locais provisórios, até que o risco seja eliminado, adiantou.

O presidente alertou que o problema não é isolado: “Existem outras derrocadas de muros, fachadas e edifícios antigos, muitos abandonados, que colocam em risco casas e estradas. Estamos a acompanhar de perto e o planeamento de médio e longo prazo vai continuar nos próximos dias e semanas”.

Após a reunião da Proteção Civil de Torres Novas, realizada hoje à tarde, foi feito um ponto de situação no concelho, identificando as ruas cortadas ou condicionadas – incluindo a Rua Atriz Virgínia, Rua dos Outeiros, Caminho Municipal que liga Ribeira Branca ao Porto Carneiro, EM 570, Rua da Fábrica e a Rua 25 de Abril, entre outras – e os problemas “pontuais” de falhas de eletricidade ainda existentes em Assentis e Zibreira, que estão a ser resolvidos pela E-Redes.

José Trincão Marques sublinhou que os efeitos cumulativos das tempestades Kristin e Marta, que têm mantido o concelho sob chuva intensa e solos saturados, exigem atenção redobrada.

“O ordenamento do território e a proteção civil têm um papel fundamental. É crucial que os munícipes sigam apenas as informações das autoridades oficiais e respeitem as zonas vedadas, para sua própria segurança”, alertou.

Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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