Desemprego baixo e investimento perspectivam crescimento de Santarém

O concelho de Santarém será, entre os de média dimensão, dos que mais irá crescer nas próximas duas décadas, disse o presidente da Câmara, citando indicadores e realçando a já baixa taxa de desemprego e as novas empresas.

Ricardo Gonçalves falava numa conferência sobre “O Desenvolvimento Empresarial em Santarém”, realizada quinta-feira à noite por iniciativa da associação Mais Santarém-Intervenção Cívica, na qual participaram o presidente da Associação Industrial Portuguesa, José Eduardo Carvalho, o empresário Henrique Neto e o director da Segurança Social de Santarém, Renato Bento.

O autarca afirmou que, neste momento, Santarém tem já falta de mão de obra, qualificada e não qualificada, situando-se a taxa de desemprego nos 4%, registando um dos mais significativos ritmos de criação de novas empresas da região e níveis de exportações da ordem dos 13%, bastante superiores à média nacional.

Ricardo Gonçalves apontou o regulamento de incentivos para as empresas que se instalem ou que, já estando no concelho, queiram investir, aprovado há ano e meio e praticamente “decalcado” do que vigora no concelho de Braga, como um dos factores de atracção.

Como exemplos referiu os investimentos, já em curso ou previstos, de 40 milhões de euros para ampliação da unidade da Font Salem, de 81 milhões em centrais solares da Escalabis Solar, de 15 milhões na Valsabor, em Alcanede, de cinco milhões da Leroy Merlin e a duplicação da fábrica da Olitrem.

Acrescentou a aprovação recente de uma candidatura a fundos comunitários, da ordem dos 900.000 euros, para a zona de desenvolvimento económico de Alcanede (freguesia do Norte do concelho onde se encontram implantadas várias indústrias, nomeadamente de extração de pedra), com a questão da acessibilidade a ser levantada por vários dos presentes, tendo em conta o traçado da estrada nacional 362.

Também a candidatura para ampliação do Centro de Inovação Empresarial de Santarém foi aprovada, num montante de 118 mil euros (com 85% de financiamento), permitindo a criação de mais 12 salas de incubação, um auditório com 80 lugares e duas salas de formação, mantendo-se a gestão do espaço a cargo da Associação Empresarial da Região de Santarém (Nersant).

Por outro lado, salientou a candidatura em curso para a criação do Centro de Excelência para a Agricultura e Agroindústrias, nas instalações do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária no Vale de Santarém, da ordem dos 6,5 milhões de euros, para o qual o município comparticipará com 350.000 euros, e que permitirá “a fixação de massa cinzenta”.

A escassez de mão de obra e dos baixos salários praticados no concelho foram referidos por vários dos participantes no debate, que levantaram ainda questões como a ligação ao ensino superior e o investimento em acessibilidades, em particular a ligação a Alcanede, o fim da interdição da circulação na estrada nacional 114 ou a alteração do traçado da Linha do Norte, tanto pelo risco de derrocadas das encostas da cidade sobre a via ferroviária como imperativos de desenvolvimento do concelho.

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