“É difícil superar um Charrua”

Afonso Pereira da Silva, 24 anos, natural de Abrantes, é, desde há seis anos, juntamente com os seus irmãos, responsável técnico num projecto de produção de morangos e hortícolas em semi-hidroponia. Desde muito cedo que iniciou estudos relacionados com a área agrícola. Primeiro, concluiu o Curso Técnico Produção Agrária na EPDRA (Escola Desenvolvimento Rural de Abrantes), mais tarde entrou para a ESAS (Escola Superior Agrária de Santarém) onde frequentou o CET (curso de especialização tecnológica) de Tecnologias de Produção Integrada em Hortícolas. Seguiu-se uma licenciatura em Agronomia e actualmente está no segundo semestre do Mestrado de Engenharia Agronómica.

Porquê este gosto pela agricultura?
O meu gosto pela agricultura é de família. O meu avô e o meu tio sempre trabalharam na área da Agricultura e talvez seja daí que venha a paixão pelo sector.

É um sector fundamental para a economia portuguesa? 
Sem dúvida, a agricultura tem um papel único e insubstituível! Para além da função primária de produzir bens alimentares, a agricultura possui em simultâneo um impacto multifuncional a nível ambiental, patrimonial, social e económico.

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É um sector que precisa de rejuvenescimento?
A agricultura portuguesa precisa acima de tudo de apoio e valorização por parte da sociedade em geral. Não faz sentido ser jovem e dinâmico se não tenho quem me valorize e apoie. A agricultura portuguesa está viva e recomenda-se!

E qual é o caminho que esta precisa de seguir?
Creio que o futuro da Agricultura na região de Santarém passará por apostar na qualidade dos nossos produtos e na forma de como utilizamos os recursos naturais. Um ecossistema vivo faz boa agricultura! Em Portugal temos condições únicas para produzir alimentos, a qualidade dos nossos produtos é indiscutível!

Qual é o panorama do sector em termos de produção e de inovação?
No mundo actual já não faz sentido um futuro sem tecnologia. Certamente que o caminho da agricultura passará também, cada vez mais, por aliar a tecnologia à produção agrícola.

O papel da Escola Superior Agrária de Santarém deveria ser potenciado?
A Escola Superior Agrária de Santarém, à semelhança das outras escolas agrárias, já viveram melhores tempos. A nossa escola, apesar das dificuldades, está viva e certamente irá manter-se activa. É uma escola com uma enorme importância na agricultura, não só pelo contributo que presta ao sector e aos agricultores, mas principalmente pela responsabilidade e compromisso em formar bons profissionais. É difícil superar um “Charrua” (risos)!

Marcou presença na 17ª edição da CULTIVAR, dedicada ao tema “Ensino Agrícola”, em representação do IPSantarém. O que significou para si essa participação?
Para mim foi uma experiência muito agradável, apesar do nervosismo, foi uma tarde bem passada. Destaco os testemunhos que foram apresentados pelos membros do painel, falaram-se de muitos temas relacionados com o “Ensino Agrícola”, foi bom poder escutar todos os conselhos e dicas das pessoas ligadas à área.

Considera que os alunos da ESAS devem ser ainda mais participativos?
Claro que sim! Fazem falta alunos dinâmicos, com vontade e interesse em fazer mais pela escola. Devemos participar mais nas actividades da escola. Nunca nos podemos esquecer do motivo pelo qual fomos para a escola, mas há um conjunto de aptidões e ferramentas que podemos adquirir fora de aulas.

Que conselhos dá a quem queira seguir a carreira de agricultor?
Acima de tudo que o faça com gosto! Pense, tente, insista, arrisque, nunca páre de fazer aquilo de que gosta! Ser agricultor é difícil, é o culminar de várias profissões numa só, exige muito espírito de sacrifício, mas no final…é garantidamente a profissão mais gratificante!

Um título para o livro da sua vida?  
O caminho faz-se caminhando.

Viagem?
Pelos Estados Unidos da América.

Música?
U2- Beautiful Day.

Quais os seus hobbies preferidos?
Estar com os meus amigos.

Se pudesse alterar um facto da história qual escolheria?  
Segunda Guerra Mundial.

Se um dia tivesse de entrar num filme que género preferiria?
Estratégia.

Acordo ortográfico. Sim ou não?
Depende das situações, mas sim.

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