O Teqball inspira-se no futebol e junta-lhe um toque de ténis de mesa: pratica-se numa superfície curva (a teqboard), não existe contacto físico entre jogadores e tem como objectivo aprimorar a técnica, a concentração e a resistência. Rui Leitão, responsável, em Santarém, da Federação Teqball Portugal (FTP) e recentemente eleito para integrar o Conselho Executivo da FITEQ – Fédération Internationale de Teqball dá conta, nesta entrevista, da evolução recente desta modalidade.

Já afirmou que “Santarém é a Capital do teqball” como tem evoluído o número de clubes e atletas no Distrito?

Hoje, felizmente, ao falar de Teqball em Portugal é termos que, quase obrigatoriamente, falar de Santarém e dos “Caixeiros”.

Somos o distrito mais representado na Federação Teqball Portugal, em número de clubes e atletas.

Dos 85 clubes registados na FTP, 16 são do distrito, sendo que 5 são do concelho de Santarém. Muitos dos clubes não têm uma prática regular, optando mais por utilizar o Teqball como complemento ao treino de Futebol ou Futsal, o que é pena porque temos muito potencial na região.

O Teqball proporciona grandes oportunidades e experiências de nível nacional e internacional, este é o momento para apostar no Teqball. Temos atletas de Santarém que foram grandes jogadores de outros desportos a nível distrital, não mais do que isso, e que com o Teqball foram Campeões Nacionais, jogaram em grandes palcos internacionais, jogaram contra e com os melhores do mundo, viveram experiências únicas.

O número de atletas cresceu, não só graças aos “Caixeiros” mas também devido ao excelente trabalho que o Município de Abrantes tem feito no último semestre, um modelo vencedor em que é a Câmara a ir ao encontro dos clubes “oferecer” o Teqball.

Desportivo de Tremez e “Águias”de Alpiarça têm sido clubes com um crescimento muito positivo.

E os resultados?

Os resultados são francamente positivos nas várias vertentes. Temos tido um crescimento de praticantes um pouco por todo o distrito, que é o meu grande objectivo enquanto dirigente, disseminar e propor cionar a prática do Teqball a todos.

A nível competitivo foi óptimo, os atletas de Abrantes e Alpiarça fizeram alguns bons resultados no Circuito Nacional deste ano, e obviamente, os “Caixeiros” com excelentes prestações que culminaram com o título de Campeão Nacional de Clubes 2022, nas 3 categorias, Singles, Doubles e Mixed Doubles.

A nível internacional tivemos 11 atletas a competir nas etapas do European Teqball Tour e World Series, com prestações razoáveis.

Destaque para um brilhante 5º lugar na categoria de Doubles Masculinos obtido por 2 dos nossos atletas ucranianos no último Campeonato do Mundo.

Quais os passos essenciais para esta modalidade continuar a evoluir?

A criação de um Circuito Jovem vai ser um passo importante para o desenvolvimento e crescimento da modalidade.

Faz falta uma forte aposta na comunicação por parte da Federação Teqball Portugal e dos clubes.

Vários municípios por todo o país estão a investir e apostar no Teqball, através da aquisição de equipamentos.

O Teqball tem a vantagem de não precisar de grandes infraestruturas e do investimento nas mesas ser de menor custo, quando comparado com outros desportos.

A nível internacional o Teqball é um dos desportos que tem crescido mais rapidamente, fruto de um grande esforço da Federação Internacional, que tem como objectivo chegar aos Jogos Olímpicos de 2028.

Como vê o tratamento dado pelos Jornais desportivos nacionais às modalidades extra futebol?

A exposição mediática das chamadas modalidades tem vindo a crescer, mais devido ao alcance das redes sociais e das plataformas digitais do que pelo destaque dado pelos Jornais.

Hoje com o surgimento de vários projectos digitais tem havido mais e melhor informação acerca das modalidades.

Os Jornais são geridos de forma empresarial e o mercado muitas vezes dita a linha editorial que se centra muito no futebol e em tudo o que gira à volta dele, porque é o que vende.

A imprensa regional tem sido uma excepção e temos que reconhecer o excelente trabalho feito em prol das modalidades.

Em relação ao Teqball só temos que agradecer aos media regionais, em particular ao Correio do Ribatejo que tem estado connosco desde a primeira hora.

Foi recentemente reeleito para integrar o Conselho Executivo da federação Internacional de Teqball, com 96% dos votos. O que foi feito neste mandato e o que espera do novo mandato que se inicia? Quais os desafios a ultrapassar?

É um privilégio poder fazer parte do órgão máximo que gere o Teqball a nível mundial, para além da responsabilidade que é ter poder de decisão numa Federação que gere este desporto em mais de 150 países, com milhares de atletas, por todo o mundo.

Ser eleito, para um mandato de 2 anos, com esta percentagem avassaladora com os votos dos atletas todos a nível mundial é um motivo de orgulho e é sinal de que neste último ano fiz um bom trabalho em prol do Teqball e dos jogadores.

Este mandato, de um ano, serviu essencialmente para conhecer e dar-me a conhecer.

Quis ouvir os jogadores e torná-los parte activa do processo de crescimento e desenvolvimento do Teqball.

Não é fácil gerir uma máquina enorme como uma Federação Internacional e tento trazer toda a minha experiência como homem do terreno, como atleta, dirigente de um clube e organizador de competições, para junto de quem decide.

Os Prize Money das etapas do European Tour e World Series eram divididos em 3 partes, 50% para o atleta, 40% para o clube e 10% para a respectiva Federação, em Agosto consegui fazer com que fosse votado os 100% para o atleta, o que é mais lógico uma vez que o investimento nestas competições é quase exclusivamente todo do próprio atleta.

Sou a voz dos jogadores junto dos diferentes departamentos da FITEQ – Fédération Internationale de Teqball, tento encontrar soluções para os diversos problemas e situações que surgem, às vezes até casos da vida particular. Há quem me chame o “Pai dos jogadores”. Acabo por ter uma relação de proximidade com todos eles, também porque me veem como um deles, porque continuo, aos 50 anos, a competir, lado a lado com eles e a passar pelas mesmas situações, abdicando algumas vezes de alguns privilégios que tenho por ocupar este cargo.

Ainda há muito a fazer num desporto que está a atingir um crescimento muito rápido, é preciso saber acompanhar essa evolução e esse é o maior desafio.

Neste momento quantas mesas de teqball há instaladas no Distrito sejam elas de acesso ao publico geral ou inseridas em clubes ou associações?

Neste momento há cerca de 25 mesas no Distrito, sendo que a maior concentração é no concelho de Santarém.

Como tem evoluído os Caixeiros ao nível do Teqball? Quais os objectivos para o próximo ano?

Tem sido uma experiência muito gratificante, em 2 anos passar de 1 atleta para ser o maior clube de Portugal, reconhecido além-fronteiras, é fantástico.

Neste momento temos cerca de 30 atletas a praticar, entre a competição e a prática recreativa. Fazemos um trabalho social enorme ao proporcionar a prática desportiva, gratuita, a pessoas que já não tinham uma actividade física frequente, atletas que tinham deixado de praticar o futebol, por exemplo, e que através do Teqball puderam voltar a treinar com regularidade e a competir a um nível elevado. Temos atletas dos 17 aos 60 anos, somos um grupo inclusivo, abrangente, inclusive temos alguns praticantes com limitações físicas e cognitivas, e, ainda, acolhemos 4 atletas ucranianos, de nível mundial.

Mesmo com a falta de apoios e reconhecimento das entidades oficiais, levamos, orgulhosamente, o nome do clube e da cidade de Santarém por todo o país e além fronteiras.

Este ano batemos todos os recordes, mesmo a nível internacional, participamos em 28 competições oficiais, incluindo 6 etapas do Circuito Mundial e um Campeonato do Mundo.

Partimos para a próxima época com a responsabilidade acrescida de sermos Campeões Nacionais de Clubes.

Temos um projecto ambicioso ao nível da competição, vamos ter mais 2 atletas de alto nível, da Selecção Nacional, a vestir as nossas cores, para lutar por títulos individuais. Vamos reforçar os treinos e estágios trazendo a Santarém os melhores jogadores do mundo para podermos evoluir.

Queremos ter um projecto semi profissional, apesar da estrutura totalmente amadora, já provamos que somos capazes de fazer muito com poucos meios e condições.

Além disso não vamos descurar as fortes componentes lúdicas e sociais deste desporto e queremos continuar a crescer em número de praticantes.

Queremos começar a trabalhar com a chamada “formação”, com actividades nas escolas, clubes de futebol e com a criação de um Circuito Regional Jovem.

O que fazer para poder praticar Teqball nos Caixeiros?

A partir do início do ano vamos passar a ter dois horários de treinos, da parte da manhã, das 10h00 às 12h00, em local a definir, sempre, em função das condições climatéricas, à noite, das 20h00 às 22h00, no Pavilhão Escola D. João. Quem quiser praticar, independentemente da idade, condição física, capacidade técnica ou condição social, basta contactar-nos através da nossa página oficial no Instagram, @teqballcaixeiros, ou através do WhatsApp para o +351 917904421.

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