O secretário de Estado das Comunidades afirmou ontem que os 5,8 milhões de emigrantes portugueses espalhados por 178 países são “alicerce da internacionalização da economia” nacional, sublinhando o crescimento de 47% em Gabinetes de Apoio ao Emigrante.

“Os emigrantes portugueses contribuem historicamente para o nosso país com remessas financeiras e muitos outros contributos ao nível de investimentos em todo o território”, disse José Luís Carneiro, em Sardoal, acrescentando que, em 2017, as remessas ascenderam aos 3.500 milhões de euros e, de 2010 a 2018, aos 35 mil milhões de euros, constituindo-se como um “contributo decisivo” para a economia nacional.

Nesse sentido, o governante justificou a importância da inauguração em Sardoal, no distrito de Santarém, do 147.º Gabinete de Apoio ao Emigrante (GAE) no território português, “um crescimento de 47% relativamente ao início da legislatura”, quando era de uma centena o número de GAE disponíveis em Portugal.

“O objectivo é alcançar os 150 GAE até ao final da legislatura”, afirmou, frisando que “o ideal é que todos os municípios portugueses estejam equipados com esta estrutura”.

No caso de Sardoal, o GAE funciona na Loja do Cidadão, prestando apoio aos cidadãos que tenham estado emigrados, aos que ainda residam nos países de acolhimento ou a todos os que pretendam iniciar um processo migratório, tendo igualmente uma dimensão de atracção de investimento e ligação ao Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora.

Assim, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas frisou que o acordo celebrado com o município de Sardoal configura “uma chave de entrada numa rede consular e diplomática presente em 148 países em todo o mundo” e uma “chave de acesso” a qualquer cidadão do concelho que queira sair para qualquer parte do mundo, ou que, estando em qualquer parte do mundo, “queira aqui viver, investir ou tratar das suas condições de vida”.

O governante destacou, ainda, a importância do GAE no “apoio à internacionalização de investimentos com origem nas comunidades locais, mas também para aqueles que estão emigrados e que querem investir nas suas terras de origem”.

Segundo José Luís Carneiro, “ontem, cada vez mais, a emigração é de ciclo curto, temporária”.

“Desde 2015 até agora, o que se verifica é que 60% daqueles que saem regressam ao país em períodos inferiores a um ano”, afirmou.

O presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges (PSD), por sua vez, destacou a importância do GAE numa lógica de “serviço público de proximidade no interior” do país, num “espaço privilegiado” [Loja do Cidadão] e “evitando a necessidade dos cidadãos se deslocarem aos grandes centros urbanos” para resolverem os seus problemas.

“Vale a pena lutar para combater os fenómenos de interioridade”, afirmou, realçando que “interioridade não é sinónimo de inferioridade, antes de qualidade”.

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