A empresa Manuel Vieira & Ca, com sede em Torres Novas, uma das empresas líder do mercado de embalamento de álcool em Portugal, está a produzir cerca de 75 mil garrafas de álcool por dia e ainda assim precisava de mais três meses para satisfazer todas as encomendas que tem neste momento.

A empresa está a operar com 32 trabalhadores, em três turnos e com o dobro das linhas de produção. André Fonseca, sócio gerente da Manuel Vieira, uma empresa familiar que nasceu em 1927, adianta que nas ultimas semanas já entraram sete novos colaboradores e lamenta não poder satisfazer todos os pedidos. Confessa mesmo que “é uma tristeza não poder corresponder”.

Adianta que nesta altura “precisava de ter um call center” para poder responder e comunicar com todos os que procuram a empresa. Quando a procura interna se acentuou a Manuel Vieira optou por travar as exportações e fornecer apenas o mercado nacional.

“Não podia ser de outra forma”, diz André Fonseca, lembrando que se trata de um “dever moral”. Nas últimas três semanas a empresa que importa álcool de Espanha e de França, porque em Portugal não há nenhuma fábrica que produza especificamente álcool etílico, vendeu mais de 300 mil litros de álcool não só em garrafas mas também directamente a produtoras de desinfectantes que precisam do álcool para o fabrico desses produtos.

André Fonseca refere que tem sido muito difícil comprar o álcool aos fornecedores habituais porque a escassez é grande e os preços têm subido de uma forma exponencial. Ainda assim, para poder satisfazer o mercado nacional, a empresa “tem tentado comprar tudo o que aparece” muitas vezes com um incremento do preço que corresponde a mais de 80 por cento do habitual.

André Fonseca admite que não pode deixar de reflectir esse custo nos produtos que vende mas não mais do que isso.

Apesar das referências que tem sido feitas ao preço do álcool nas farmácias, André Fonseca garante: “este sector do álcool não está a especular”. Sobre a actuação das farmácias não se pronuncia.

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