A igreja da Misericórdia de Santarém recebeu na terça-feira, dia 31 de Outubro, a inauguração da exposição ‘O Caminho dos Santos’, do escultor Paulo Neves, que pode ser visitada até dia 31 de Janeiro do próximo ano.

‘O Caminho dos Santos’ é uma produção de Paulo Neves, que interpreta, na madeira, o percurso pessoal de aperfeiçoamento, que se designa por santidade (razão pela qual, também, se associou à peregrinação dos Caminhos de Santiago).

Com esta iniciativa, a Santa Casa da Misericórdia de Santarém pretende dar “continuidade ao seu programa de apoio à arte contemporânea, tão essencial ao aprofundamento do espírito humano, num diálogo com o seu rico património histórico-artístico, como expressão dos valores fundamentais, das liberdades de pensamento, expressão e autodeterminação, numa abertura de portas, de uma Santa Casa onde cabem – como proclamou o Papa Francisco – “Todos! Todos! Todos!”

Ao Correio do Ribatejo, o provedor da SCMS, Hermínio Martinho, afirmou que as Misericórdias sempre foram espaços que acolheram a cultura e a arte, sendo igualmente detentoras de um vasto património, que ao longo de séculos tem sido preservado e valorizado.

“A maior parte desse espólio das instituições é proveniente de legados e doações de beneméritos e preservá-lo é também preservar a história e a identidade das Misericórdias em Portugal”, afirmou.

É nesse sentido que a Misericórdia de Santarém pretende requalificar o edifício contíguo à Igreja da Misericórdia, onde outrora funcionou o hospital dos incuráveis, no centro histórico da cidade, para ali criar um espaço museológico.

O objectivo é expor nesse espaço peças de arte e outros bens com valor histórico alusivos ao percurso de mais de meio milénio da Santa Casa da Misericórdia de Santarém e colocá-lo disponível para conhecimento e fruição do público e da comunidade científica.

Hermínio Martinho revelou que a instituição é detentora de um vasto património com interesse museológico, entre ele antigos instrumentos do exercício da medicina usados há séculos no antigo Hospital de Jesus Cristo, que era propriedade da Misericórdia de Santarém, o valioso acervo documental da Misericórdia, bem como algumas peças de celebração litúrgica.

A exposição agora inaugurada é, também uma forma de a Misericórdia de Santarém se “abrir à comunidade”, disse o provedor, deixando um convite à sua visitação.

Com uma “admirável carreira” na área da escultura contemporânea, de projecção nacional e internacional, Paulo Neves tem sido reconhecido, ultimamente, por ter produzido o mobiliário litúrgico da Via Sacra das JMJ.2023, no Parque Eduardo VII, sob a presidência do Papa Francisco.

Paulo Neves fez a primeira escultura aos 10 anos de idade para marcar a ida do Homem à Lua, utilizando apenas um tronco de madeira que tinha como destino a fogueira. Estudou na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto mas desistiu do curso para andar à boleia pela Europa, descobrir artistas, aprender, trabalhar e tornar-se no escultor autodidacta que é hoje.

“O meu objetivo era conhecer coisas, o caminho, a estrada, a viagem é a melhor escola”, diz o artista que reside e trabalha na vila de Cucujães, onde se localizam os seus três ateliers.

Paulo Neves, nascido no norte de Portugal em 1959, revelaria a sua maturidade artística durante a década de 90 do séc. XX, afirmando-se hoje como um escultor internacional de referência nacional incontornável. Com peças em diversas colecções portuguesas, Paulo Neves está também representado nos Estados Unidos, França, Espanha, Brasil, Holanda, Bélgica, Roménia, Austrália, Marrocos e Alemanha.

Partindo muito jovem à descoberta do mundo pelas suas próprias mãos, Paulo Neves conheceu artistas, visitou museus, descobriu outros mundos, experiência sem dúvida determinante para a obra que viria a realizar.

A expressão morfológica das suas peças apela ao expressionismo e ao barroco, embora a sua linguagem pareça totalmente original, construída à margem dos movimentos e tendências estéticas do seu tempo.

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