“Esta profissão é uma aprendizagem sem fim”

João Silva, mais conhecido como DJ VOXKASH, recebeu, em Março, um convite do DJ e produtor Diego Miranda para editar a sua primeira música “Outline” que chegou mesmo a ser tocada na RFM pelos DJ’s RFM Rich&Mendes. Recentemente, o jovem de 25 anos, natural de Santarém, lançou uma nova música a solo – “Konkani”.

Como é que apareceu a música na sua vida?
Já nasci com a música em mim. Cresci a ouvir muita música, grandes bandas clássicas que marcaram gerações e até mesmo grandes nomes clássicos da música electrónica: Dire Straits, The Kelly Family, Scorpions, Gene Loves Jezebel, Darude, Tiesto, Daft Punk, A Touch Of Class, entre outros… Os meus pais tinham uma aparelhagem e um sistema de som em casa e estávamos sempre a ouvir música, até mesmo no carro quando íamos a algum lado com cassetes gravadas.
Quando eu tinha cinco anos o meu pai tinha uma oficina de serralharia, passava grande parte do meu tempo no computador que ele tinha no escritório no Winamp, programa de reprodução de música do Windows 98. Um dia um colega dele entrou dentro do escritório e eu estava a ouvir uma música dos Dire Straits chamada “Calling Elvis”. Fui apanhado em flagrante a cantar essa música. Depois ele foi dizer ao meu pai que eu sabia cantar aquilo, o meu pai não acreditava pois eu tinha cinco anos e não seria normal. Ele fez o meu pai ir ao pé de mim, voltei a cantar a música, o meu pai ficou estupefacto. Chegava a usar objectos como baldes e paus de madeira, fingia que estava a tocar bateria, ouvia DVD’s de concertos de bandas que os meus pais tinham, cantava e fingia que estava num concerto a interagir com o público.

Quando é que decide ser DJ?
Aos 18 anos, uma amiga dos meus pais ia abrir um restaurante e os meus pais perguntaram-me se eu não gostaria de lá ir na inauguração e aceitei sem pensar duas vezes mas por brincadeira. Fui só com um PC portátil e sistema de som com o VirtualDJ, um programa de mistura de música bastante amador. Correu melhor do que esperava, as pessoas deram óptimo feedback. Daí para a frente fui convidado para outros sítios e as coisas surgiram naturalmente durante esse tempo. Em 2014 quando acabei o 12.º ano, fui para um estágio profissional e foi nessa fase que me reencontrei e percebi o que realmente queria para mim, passava lá os meus dias e só me lembrava das noites em que actuava, dos sorrisos na pista, da energia do público, do feedback que recebia…
Chegava a casa e ia ver actuações do ‘Ultra’ e do ‘Tomorrowland’ (dois dos melhores festivais do mundo). A cada dia que passava sentia-me mais agarrado a esta arte e com mais certezas de que era isto que realmente queria e decidi arriscar. Com o dinheiro que juntei comprei o material que precisava e montei o meu estúdio de produção em casa, com uma ajuda crucial e apoio incondicional dos meus pais a quem hoje agradeço e devo muito. Foi assim que começou a jornada.

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Em que é que se inspira para produzir as suas músicas?
A inspiração vai e vem. Gosto de ouvir músicas de géneros diferentes do meu registo sonoro para que possam surgir novas ideias. Acho que se estivermos sempre a ouvir o nosso próprio género de eleição, acabamos por nos fechar e não descobrir coisas novas para que ideias novas possam surgir. Pode-se dizer que esta é uma profissão em que não podemos dizer “já está”, há sempre algo novo a aprender, é uma aprendizagem sem fim.

Quais são as suas referências musicais?
Hardwell, Kura, Swedish House Mafia, Kygo, Headhunterz e Blasterjaxx.

Tem lançado diversas músicas nos últimos meses através da editora do DJ e Produtor nacional e internacional Diego Miranda. Como é que nasce esta parceria?
Em Outubro de 2019, ele veio actuar ao Markett em Almeirim, fui ter com ele, pedi para tirar uma foto e também lhe pedi o e-mail para enviar algumas músicas minhas. Cheguei a casa, fui logo enviar-lhe duas músicas minhas e escrevi-lhe que se fosse possível me enviasse um feedback. Até que houve um dia em que acordei de manhã e tinha recebido um e-mail, era ele, não a dar feedback mas sim a pedir para fazer uma música para a editora dele. Fiz a música e enviei, até que ele respondeu e aceitou a música. Criei a minha oportunidade, oportunidades surgem, mas às vezes há que saber criá-las, acho que isso falta muito hoje em dia nas pessoas. É bom ter ambição e motivação, mas isso só não chega, há que transformar isso em ações.

Com as novas tecnologias considera que é hoje mais fácil ser DJ?
Sim, antigamente era mais difícil dar visibilidade ao nosso trabalho. Hoje em dia acho que tudo nos é mais acessível, até na aprendizagem na produção musical, temos cursos online e aulas no YouTube, podemos aprender de tudo sem ser necessário fazer um curso. Infelizmente há quem não tenha condições financeiras para fazer um curso de produção e a Internet ajuda bastante, na parte de DJ acho que também é uma questão de técnica e prática.

Como é que a pandemia covid-19 afectou a sua vida artística visto que os bares e discotecas tem estado encerrados?
A nível financeiro houve uma queda bastante acentuada, tanto comigo como com outros colegas meus neste ramo da noite. Continuo com a produção musical, mas afectou no que toca a actuações também. Confesso que já sinto imensas saudades de tocar para um público e de sentir a energia na pista, existem os directos nas redes sociais mas sem o nosso público, não é a mesma coisa.

Quais são os seus objectivos para o futuro no mundo da música?
Mais tarde, quero fazer um documentário da minha história até ao momento, gostaria de actuar nos maiores festivais em Portugal. Quero também lançar músicas nas maiores editoras do mundo, como a editora do Hardwell, e fazer vlogs [publicação em formato de vídeo] no meu canal do YouTube em tour e muitas outras coisas relacionadas com música.

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