Entrevista a Paulo Patrício, actor

Que impactos está a ter a pandemia no seu trabalho?

Enormes! Como a maior parte dos meu colegas, estou completamente parado sem trabalho e “de pés e mãos atadas”.

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Claro que compreendo e respeito as contingências, e todos temos que fazer um esforço para que tudo volte o mais rápido possível à “normalidade possível”, mas que é muito complicado estar nesta situação, é!

Quais são as maiores dificuldades?

As maiores dificuldades são obviamente pagar as contas, ‘meter comer na mesa’, enfim…sobreviver. Claro que essas dificuldades sempre existiram neste meio, mas agora está “ainda” mais complicado.

Que projectos foram adiados?

Toda a produção pessoal de um novo espectáculo infantil e um outro para um público adulto ficou adiada, bem como a participação em um novo espectáculo teatral em conjunto com outros colegas.

De que forma tem tentado manter o contacto com o público?

Os contactos têm sido feitos apenas através das redes sociais.

Sente falta do palco?

Caramba se sinto! São tantas as noites em que eu sonho que estou no palco a ver o público a rir e a aplaudir. O pior é quando acordo, mas pronto, já valeu um bocadinho.

Como antevê o pós-pandemia?

 Acho que o melhor é não fazer antevisões e ir sobrevivendo um dia de cada vez. As últimas pessoas que eu vi a fazerem previsões, diziam nos média que o ano 2020 ia ser fantástico e maravilhoso e blá, blá, blá… sim, sim. Viu-se, e está-se a ver! (risos)

Os espectáculos on-line vieram para ficar?

Também. Ou melhor, é mais uma nova forma de oferta cultural. Penso que na televisão a falta de espectáculos de Teatro e Música que já existia, fez com que fosse acelerado o processo de divulgação destas Artes, processo esse que de resto já vinha a ser criando antes da pandemia.

Mas claro estar presencialmente com o público e com os artistas é completamente diferente e insubstituível.

E quanto aos apoios? Existem ou são uma miragem?

Os apoios existem, mas, atenção: nem sempre é o que se apregoa inicialmente. Para além disso, são insuficientes e até acho que se “complica” bastante o acesso a eles.

Seria importante a criação, por exemplo, do estatuto de artista que reconhecesse esta categoria profissional e exigisse a devida protecção social?

Teria toda a importância e seria mais que justo. Tem vindo a ser feito um esforço por parte da classe para que isso venha a ser uma realidade, e vamos acreditar e continuar a lutar por isso.

Para além de apoio pecuniário, que outras medidas seriam necessárias para relançar a produção artística?

A primeira é vacinar esta malta toda por ordem de chegada e sem batota (risos), depois, ajudar na criação e divulgação dos espectáculos, voltando a criar confiança no público para que possam regressar às salas.

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