João Aranha, é um jovem escalabitano que desde muito jovem se apaixonou pelas rimas. Actualmente canta, compõe e produz música onde dá pelo nome de Aranha, tem várias músicas editadas a solo mas foi no TibeFamily que toda a aventura da música na vida começou.

Como é que nasce a paixão pela música?Eu acho que antes de me apaixonar pela música, me apaixonei por brincar com rimas. Desde que me lembro de ser gente que imagino rimas cantadas. Quando era mais pequeno e ainda não sabia escrever ficava-me por as cantar e a partir do momento em que aprendi a registá-las não parei de o fazer. Mais tarde quando comecei a ouvir hip-hop e a imitar a forma como os rappers que ouvia escreviam deu-me também curiosidade para começar a gravar as ideias que tinha. Comecei por usar um radio cassete que havia lá por casa onde estraguei algumas cassetes dos meus pais com gravações sem instrumentais e aí aos meus 15 anos descobri um site de beats que usava para cantar as minhas letras para o microfone da web cam. Foi aí que me apaixonei a sério.

Como é que surgem os Tibe Family e qual foi crescimento do grupo ao longo dos anos? Os Tibefamily surgem da minha vontade e do BigPhat de criar um grupo de RAP na cidade. Já havia um ou dois mas nós queríamos ter o nosso. De inicio chegámos a ser 7 elementos mas nem todos tinham realmente vontade de levar isto a sério. Cada um foi seguindo o seu rumo até que fiquei eu com os meus irmãos de “armas” Shot, Ovni e o Big.

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Marcaram uma geração na cidade, acha que deviam ter aparecido mais grupos musicais idênticos?A cena é que apareceram e estão a aparecer, grupos talvez não, mas há cada vez mais rappers na zona e ainda bem. A diferença é que agora o Hip-hop é o estilo de música mais ouvido do momento e na altura não. Quando nós começamos ainda apanhámos o RAP como um estilo de música marginal na opinião da maioria das pessoas. Hoje isso está completamente ultrapassado e a nossa cultura chegou a todas as pessoas, felizmente!

Quando é que o público os pode voltar a ver juntos? Olhe nós lançámos um som no final do ano passado e temos perspectivas de lançar mais no entanto acho que vão surgir muito mais temas individuais do que em grupo porque estando agora cada um num lugar diferente é mais difícil juntarmo-nos para fazer música.

Agora num plano mais pessoal, quando é que decidiu fazer músicas a solo? Eu sempre fiz músicas a solo talvez agora esteja a fazer mais porque de há uns anos para cá decidi dedicar-me a isto a 100%. Reciclei umas faixas que tinha de um álbum que acabou por me desinteressar e não saiu e como estou sempre com fome de brincar com as palavras estou sempre a criar coisas novas e é isso que agora vai estar a sair.

Como é que surge a oportunidade de tirar o curso de produção? O curso de produção surge do tal clique que me deu em investir naquilo que realmente sempre gostei de fazer. Sempre fui um bocado ao sabor do vento nesta história de fazer música, ia fazendo porque tinha necessidade de o fazer mas nunca montei grandes estruturas nunca quis aprender grande coisa de som ou mesmo a nível de beats. Basicamente só me queria expressar através do que escrevia. Chegou uma altura que quis dar forma a essa expressão e então fui aprender como se faz as coisas sendo que ainda estou a aprender e vou estar a vida toda.

Montou um estúdio em casa, como é que consegue concluir esse processo? O estúdio foi um sonho que realizei e uma necessidade que tive logo após acabar o curso. Sempre quis ter o meu espaço com condições para gravar e sempre fui tendo ora no início em minha casa ora em casa do Big ou até do Ovni. Na escola ensinaram-me a fazer as contas básicas de sonorização e a montar uma cabine. Fiz o projecto com a ajuda do meu professor de masterização, falei com um carpinteiro conhecido meu para me ajudar a fazer a cabine e pusemos mãos à obra. Ele fez a cabine, eu ajudei e ele ensinou-me a trabalhar com a madeira. Depois a sala de munição ficou a meu cargo. Não é um super estúdio, é pequeno mas como o idealizei.

Tem vindo a apresentar algumas músicas, que tipo de aceitação tem vindo a ter? O feedback tem sido bastante positivo. Depois de três anos a estudar, a montar o estúdio e a trabalhar em novas formas de fazer música, o regresso é sempre complicado mas tenho o apoio de algum pessoal que já me seguia e aos poucos vou chegando a mais gente que no fundo é o que todo o artista quer. Que a música chegue às pessoas!

Que podemos esperar das músicas do Aranha nos próximos tempos?Não sei, sinceramente. Agora ando numa de voltar às origens e fazer cenas clássicas com aquele boom bap que me apaixonou quando comecei a ouvir hip-hop mas também adoro a sonoridade do trap e acima de tudo gosto de experimentar coisas. Sendo assim a única coisa que podem esperar é por música nova.

Pretende produzir outro tipo de música? Quais? Todo o tipo! Desde que eu goste ou me passe alguma coisa eu trabalho. De momento fora do hip-hop tenho tido o prazer de trabalhar com o João Feneja e com o João Carvalho e vamos continuar esta parceria Scalabitana. É tudo uma questão de chegarem a mim e mostrarem o que têm ou então eu mesmo chego às pessoas se gostar do projecto, foi o que aconteceu com o Feneja.

Quer ter um futuro na música? Futuro na música vou ter de certeza porque independentemente do que acontecer eu vou fazer isto a vida toda.

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