Foto: Município de Ferreira do Zêzere

O presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere afirmou hoje que 99% das habitações do concelho deverão ficar com energia elétrica até ao final do dia de hoje, 27 dias após a passagem da depressão Kristin.

Em declarações à Lusa, Bruno Gomes adiantou que entre 20 e 30 habitações, correspondendo a cerca de 50 pessoas, permaneciam hoje sem fornecimento de energia no município, estimando que a situação fique praticamente normalizada “até ao final do dia”, em articulação com a E-Redes e os presidentes de junta, que vão identificando caso a caso.

“Começamos a regressar a alguma normalidade, mas ainda há muito a fazer”, afirmou o autarca, salientando que continuam no terreno entre 60 e 70 operacionais, entre serviços municipais e outras entidades, em trabalhos de limpeza, reposição de coberturas e reparação de infraestruturas.

Ao nível das telecomunicações, o presidente da câmara referiu que persistem “muitos constrangimentos”, sobretudo na rede MEO, com falhas no serviço móvel e de dados, enquanto a fibra ótica continua limitada à vila.

Segundo o autarca, cerca de 20% da população dependente daquela operadora mantém dificuldades de acesso às comunicações.

No concelho, onde vivem perto de 8.000 habitantes, cerca de 85% das habitações – num total aproximado de 4.000 – sofreram danos com a tempestade que atingiu o território em 28 de janeiro.

Bruno Gomes admitiu que “há ainda milhares de casas” a necessitar de intervenções mais profundas, estimando que o processo de requalificação possa prolongar-se por mais de um ano, devido à escassez de mão de obra e à necessidade de apoios financeiros.

As escolas, centros de saúde e serviços municipais encontram-se a funcionar, embora persistam danos por reparar, nomeadamente no cineteatro, no pavilhão desportivo e na cobertura do posto da GNR.

O autarca reiterou que os prejuízos globais no concelho deverão situar-se entre 150 e 200 milhões de euros, valor que será ainda objeto de avaliação mais detalhada, incluindo danos em associações, empresas e instituições religiosas.

Apesar dos constrangimentos, Bruno Gomes destacou sinais de solidariedade e recuperação, como a instalação, na freguesia de Nossa Senhora do Pranto, do primeiro equipamento Vihu Pole com ligação Starlink em Portugal, garantindo acesso a internet em situação de emergência, e o apoio do movimento Just a Change na reabilitação de habitações.

O município admite também retomar gradualmente iniciativas públicas, como o Festival do Lagostim, sublinhando que é necessário “normalizar a vida do concelho” e apoiar a hotelaria, restauração e comércio local.

Defendendo uma reflexão sobre a resposta das entidades a situações desta dimensão, o presidente da Câmara considerou que é necessário reforçar o planeamento, a robustez das infraestruturas críticas e a articulação entre instituições, para que o território esteja mais preparado para futuras ocorrências.

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