As Festas de São João e da Cidade do Entroncamento regressaram este mês à cidade ferroviária com concertos, tasquinhas e envolvência associativa, num evento que a autarquia quer afirmar como símbolo de uma cidade “viva, moderna e participada”.
O certame, organizado pela Câmara Municipal do Entroncamento, em articulação com associações e entidades locais, foi inaugurado no passado dia 19 de Junho e decorre até ao próximo dia 27 de Junho.
O programa musical integra concertos de David Fonseca, Quim Barreiros, Os Quatro e Meia, Peste & Sida e Mizzy Miles, entre outros, repartidos entre o Palco Cidade e o Palco Praça, no centro da cidade. O evento aposta também em animação cultural, tasquinhas, associativismo e identidade local.
“Temos mais iluminação e um programa abrangente para todas as idades, incluindo as crianças. Reformulámos o planeamento das tasquinhas e diversificámos aquilo que é a presença do associativismo com o artesanato”, destacou Nelson Cunha, presidente da Câmara Municipal do Entroncamento.
O autarca referiu também que a presente edição do evento teve “muita procura”, com a presença de mais tasquinhas e exposições, o que demonstra “um interesse e entusiasmo em fazer parte das festas”.
A abertura do certame ficou a cargo dos Peste & Sida e do DJ Addline. No sábado, dia 20, o destaque foi para a actuação de Mizzy Miles e do DJ Hugo Luz. O cartaz incluiu ainda concertos da banda ROKET e Hip Hop Urbano (21 de Junho), Filipe Santos (22), KISS KISS BANG BANG (23) e Pedro Dionísio (24).
Um dos principais destaques aconteceu a 25 de Junho, com a atuação de Quim Barreiros. No dia 26 de Junho sobe ao palco a banda Os Quatro e Meia, acompanhada pelo DJ Nuno Bruno. O encerramento, a 27 de Junho, contará com concertos de David Fonseca e Insert Coin.
Paralelamente ao palco principal, o Palco Praça acolhe projectos locais de dança, cavaquinhos, ilusionismo, fado e música popular.
“Às segundas e terças temos artistas locais de renome, como o Pedro Dionísio e o Filipe Santos. Temos também um segundo palco com géneros musicais diferenciados, algum fado à mistura e artes performativas da cidade, como as danças de salão”, evidenciou o presidente da Câmara.
O dia 23 de Junho foi dedicado ao habitual programa religioso, com a missa de vigília na Igreja da Sagrada Família, seguida da procissão de S. João. O dia 24 de Junho, Dia do Padroeiro da Cidade, integrou a missa de solenidade do nascimento de São João Baptista.
“As pessoas usam as Festas do Entroncamento para se rever. Umas vão estudar para fora, outras emigram, mas normalmente as festas é quando todas voltam. Espero que seja um grande evento que permite este convívio e união da nossa comunidade e do nosso concelho”, concluiu o presidente do município.
Segurança e tensões sociais na actualidade do concelho
À margem do balanço festivo, o autarca abordou outros assuntos que têm marcado a actualidade do concelho, nomeadamente a invasão da sede dos Paços do Concelho por parte de um grupo pertencente à comunidade cigana. Este protesto surgiu em reacção às recentes intervenções realizadas no Bairro Frederico Ulrich, onde o município procedeu ao corte de água e electricidade em habitações ocupadas ilegalmente.
“Nós sabemos que ao tomarmos certas medidas, normalmente há uma consequência. Mas isso não nos pode impedir de aplicar aquilo que é chamado de justiça social. Não podemos agir e tomar decisões políticas com medos”, defendeu Nelson Cunha, garantindo que serão tomadas as devidas precauções com o intuito de que não exista qualquer tipo de incidente no futuro.
A segurança tem sido uma das principais bandeiras defendidas pelo executivo que pretende implementar na cidade um sistema de videovigilância, em articulação com a PSP, num processo que se encontra actualmente na Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD).
“Da nossa parte está tudo agilizado, cabimentado financeiramente, temos o protocolo feito e os locais estão assinalados”, adiantou o presidente do município, perspectivando que o processo se concretize o mais rapidamente possível.
A criação da Polícia Municipal é também outra das prioridades do município, um processo que, em média, demora cerca de dois anos a concretizar.
“Já visitámos a Câmara Municipal de Sintra, exactamente para perceber o seu modus operandi, o que é necessário fazer inicialmente e percebemos que é uma divisão que tem um impacto estrutural gigante no concelho e é o que nós pretendemos”, revelou.
Civismo, ambiente e balanço do mandato
Entre as principais medidas que têm sido implementadas no concelho, o presidente da câmara destacou investimentos na protecção civil municipal, através do reforço de uma equipa e a aquisição de um veículo novo para efectuar rondas nocturnas pela cidade.
A sensibilização para a falta de civismo tem sido outra das áreas de actuação da edilidade, procurando envolver a parte pedagógica do Agrupamento de Escolas.
“Nós queremos replicar o modelo educacional que houve nos anos 90, ou seja, educamos as crianças e depois elas fazem-no em casa com os seus pais, e isso teve um impacto brutal na sociedade”, afirmou, adiantando que serão feitas sensibilizações por parte da protecção civil ao mais jovens, com o intuito de mostrar como é que se separa o lixo, por exemplo.
Nesse sentido, os monos espalhados pela cidade também são uma preocupação para o autarca que sublinha, no entanto, o interesse por parte da comunidade nesta questão.
“Nós começámos a recolha de monos às terças, quartas e quintas e neste momento estamos a fazer de segunda a sexta. No primeiro mês tivemos cerca de 300 pedidos, o que demonstra que começa a haver adesão e que a cidade começa a ficar mais limpa”, evidenciou.
O líder do executivo destacou ainda a conclusão de empreitadas, que já estavam em curso e são fruto de “uma herança pesada”, outra das medidas sobre as quais o executivo se tem debruçado. Apesar de governar sem maioria absoluta — o Chega detém três dos sete mandatos na Câmara, contra dois do PS e dois da coligação PSD/CDS-PP —, o autarca sente-se integrado nestes primeiros meses de mandato.
“Sinto-me muito integrado. Dentro e fora da Câmara nós não vemos cores políticas. Dentro da Câmara vemos o Entroncamento. O Entroncamento está sempre primeiro”, frisou.
Ricardo Santos Pereira
