O Grupo Académico de Danças Ribatejanas, de Santarém, meteu ombros a um projecto sócio-cultural que visa promover e valorizar alguns aspectos da cultura tradicional ribatejana, em acção que, igualmente, tem o objectivo de salvaguardar o património cultural, material e imaterial, que constitui a base da matriz da nossa identidade como ribatejanos. Identidade multifacetada, bem sabemos, mas que se assume pela conjugação coerente de vários aspectos desta cultura autóctone.

Para proporcionar maior visibilidade a estas iniciativas, o Grupo Académico de Danças Ribatejanas tem vindo a desenvolver faseadamente cada projecto, procurando que culminem no âmbito do Festival “Celestino Graça” – A Festa das Artes e das Tradições Populares do Mundo, que decorrerá entre os dias 3 e 9 do próximo mês de Setembro, em Santarém.

Entre estas iniciativas enquadra-se a Grande Gala do Fado Amador do Ribatejo, que permite promover e valorizar esta expressão da nossa cultura tradicional, reconhecida como património cultural imaterial pela UNESCO, e que tem entre alguns dos seus melhores protagonistas músicos, fadistas e poetas ribatejanos. Neste sentido, decorrerá na Casa do Campino, na noite de 5 de Setembro, um aliciante espectáculo onde actuarão algumas das principais figuras do fado no Ribatejo.

Do mesmo modo, decorrerá no Largo do Seminário, na manhã de sábado, dia 7 de Setembro, mais uma edição do Fandangando, uma mostra de fandangos do Ribatejo informalmente aberta a todos quantos saibam e queiram dançar esta tão castiça dança folclórica, que no Ribatejo assumiu feições distintas do que é conhecido nas restantes regiões etnográficas portuguesas. Num tempo em que se fala da eventual candidatura do Fandango a património cultural imaterial, esta iniciativa poderá constituir, assim, mais um contributo para a sua divulgação.

A imagem que se pode captar em qualquer região, e a qualquer pretexto, constitui um importante testemunho de uma realidade social ou cultural, pelo que importa estimular os fotógrafos da actualidade – que somos todos nós, a bem dizer, dadas as inesgotáveis facilidades de que dispomos para satisfazer este nosso hobby – a partilharem no II Salão de Fotografia “O Ribatejo e as Suas Gentes” algumas das suas fotografias que abordem esta inesgotável temática, estabelecendo um abraço entre o imaginário do passado e a actualidade dos nossos dias.

Uma das preocupações do Grupo Académico de Danças Ribatejanas, dada a circunstância de há sessenta e três anos recolher, registar, estudar, preservar e divulgar as tradições etnográficas e folclóricas da nossa região, é fomentar a compreensão e o conhecimento sobre esta vasta temática, pelo que não se desperdiça a oportunidade de evocar em singela homenagem essa figura pioneira do neorrealismo português que é Alves Redol, na circunstância do 50.º aniversário sobre a data do seu falecimento e do 80.º aniversário sobre a primeira edição do romance “Gaibéus”. Um colóquio sobre a dimensão etnográfica na escrita de Alves Redol marcará esta homenagem.

Enfim, assim, o Festival “Celestino Graça” será ainda mais a Festa das Artes e das Tradições Populares do Mundo. A não perder entre os dias 3 e 7 de Setembro, em Santarém, mas, igualmente, em Almeirim, em Abrantes e nas Caldas da Rainha.

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