Já com o Orçamento de estado para 2021 em cima da mesa, com o cheiro dos milhões europeus a levantar ondas no Tejo e com a pandemia a não dar tréguas, o trabalho no Parlamento continua a mil. Trabalhar para o povo, que nos elegeu e paga, mantendo na mente nas alterações de fundo necessárias para o país conseguir resistir aos tempos ainda mais difíceis que se avizinham, não é tarefa fácil.

Defender o equilíbrio entre as medidas de emergência necessárias para responder aos problemas imediatos das famílias: desemprego, perda de rendimentos, saúde, escolas; sem esquecer as mudanças estruturais imprescindíveis para um futuro melhor para as próximas gerações, é um processo complexo. O debate de urgência, realizado a 16 de outubro, a pedido do PSD, é disso exemplo. Debatemos nesse dia a preocupante situação económica e social atualmente vivida em Fátima, concelho de Ourém, distrito de Santarém.

Percebemos que a situação é muito grave em Portugal quando, depois de parar o futebol, o Santuário de Fátima avançou em setembro com a intenção de dispensar dezenas de trabalhadores. A queda nas receitas causadas pela pandemia, levou a um “plano de reestruturação interna”.
Mas não foi só a Igreja a sofrer com as consequências da diminuição da afluência de peregrinos ao santuário, que chegou a atingir os 95%. O presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque (PSD-CDS PP), revelou que o número de estabelecimentos encerrados em Fátima rondava, em abril, os 90%.

A especial vulnerabilidade de Fátima prende-se com um modelo socioeconómico baseado quase exclusivamente na atividade turística. A forte especialização na monoindústria do turismo religioso conduziu a um ecossistema empresarial muito pouco resistente a mudanças inesperadas e, portanto, muito frágil. Estas debilidades fazem-se sentir também do lado do trabalho, marcado pela informalidade, sazonalidade e precaridade.
Segundo declarações de António Baião, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro (STIHTRSC) cerca de 1.000 pessoas perderam o emprego em Fátima, correspondendo a um total de cerca de 50% dos postos de trabalho, só no setor hoteleiro. Noutros setores devido à “clandestinidade e trabalho não declarado” os números serão piores.

A pandemia colocou a descoberto as debilidades do tecido económico local, situação só semelhante à do Algarve ou da Madeira. O que justifica, do nosso ponto de vista, medidas excecionais para lidar com este grave problema socioeconómico. É necessário canalizar apoios extraordinários para pessoas e empresas, que permita fazer face à emergência social, mas são igualmente necessárias medidas estruturais que transformem o tecido económico da região e o preparem para um futuro pós covid, que não será igual ao passado.

O PSD apresentou, a 13 de maio, um projeto de resolução que não resolve os problemas de fundo. É necessária formação profissional e capacitação tecnológica, combate à precaridade e sazonalidade laboral, diversificação da atividade económica, inovação tecnológica e digitalização, inovação e desenvolvimento científico, promoção de recursos naturais e paisagísticos, por exemplo.

Uma situação desta gravidade não vai lá com pensos rápidos. É preciso ajudar Fátima a evoluir para resistir.

Fabíola Cardoso – Deputada do BE eleita por Santarém

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