O Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) alertou para situações de insegurança em zonas balneares da albufeira de Castelo do Bode pela aproximação de embarcações e motas de água, defendendo mais sinalização e fiscalização.

“A fruição da albufeira de Castelo de Bode deve ser compatível com a segurança das pessoas, o cumprimento das regras e o respeito por todos os utilizadores”, afirmou o presidente da Comissão Executiva do GEOTA, Américo Ferreira, defendendo prevenção, sinalização adequada e fiscalização para evitar acidentes.

Em declarações à agência Lusa, Regina Falcão, do GEOTA, explicou que o alerta surgiu após queixas recebidas pela associação, nomeadamente de uma utilizadora, na zona de Bairros, junto a Tomar, no distrito de Santarém, relacionadas com a circulação de embarcações motorizadas junto às margens.

Segundo a responsável, trata-se de uma preocupação recorrente nesta altura do ano, quando aumenta a utilização recreativa da albufeira, estando em causa situações em que motas de água e outras embarcações se aproximam demasiado das zonas de banho e dos banhistas.

“Precisamos não só da fiscalização, mas mais do que tudo de informar as pessoas”, afirmou Regina Falcão, defendendo a instalação de painéis que permitam identificar claramente as áreas destinadas a banhos e as zonas onde são permitidas atividades como passeios de barco, mota de água ou esqui aquático.

O GEOTA refere ainda relatos de fundeio indevido, ausência ou insuficiência de boias de delimitação das zonas balneares e abandono de resíduos, considerando que a utilização recreativa do plano de água deve ser compatível com a segurança dos banhistas e a proteção ambiental.

“Não é por falta de legislação”, sublinhou Regina Falcão, segundo a qual existem regras para os diferentes usos da albufeira, mas falta informação acessível aos utilizadores sobre os locais onde podem desenvolver determinadas atividades.

A responsável apontou ainda a necessidade de reforçar a fiscalização da navegação a motor, incluindo de motas de água e embarcações com motores, defendendo que estas não devem aproximar-se das margens junto às praias e zonas frequentadas por banhistas.

O GEOTA não contactou a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo nem os municípios abrangidos pela albufeira, tendo Regina Falcão explicado que respondeu a preocupações transmitidas por cidadãos.

Contactado pela Lusa, o presidente da CIM Médio Tejo, Manuel Jorge Valamatos, disse nunca ter recebido “nenhum comentário, denúncia ou observação” sobre situações desta natureza.

“É a primeira vez que tomo conhecimento dessa preocupação”, afirmou o responsável.

A albufeira de Castelo do Bode estende-se por cerca de 60 quilómetros e abrange os concelhos de Abrantes, Ferreira do Zêzere, Figueiró dos Vinhos, Sardoal, Sertã, Tomar e Vila de Rei.

Além da importância turística e recreativa, nomeadamente pelas praias fluviais e pela prática de atividades náuticas, Castelo do Bode desempenha uma função estratégica no abastecimento de água para consumo humano, constituindo uma das principais reservas de água do país.

A utilização da albufeira está enquadrada pelo Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo do Bode (POACB), que estabelece regras para a ocupação das margens e para os diferentes usos do plano de água, tendo entre os seus objetivos a proteção dos recursos hídricos e a compatibilização das atividades recreativas com a preservação ambiental.

O GEOTA considera, por isso, que a existência de regras deve ser acompanhada por informação e fiscalização eficazes, defendendo o reforço das boias de proteção e delimitação das zonas de banho, da sinalização e da fiscalização da circulação e fundeio de embarcações.

A associação apelou ainda à responsabilidade dos utilizadores, defendendo o respeito pelas zonas balneares, pelas regras de navegação e pelos espaços naturais, bem como a recolha dos resíduos produzidos durante a utilização das margens.

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