O município da Golegã encerrou o exercício económico de 2025 com um resultado líquido negativo de cerca de 1,38 milhões de euros, devido ao aumento dos gastos acima do crescimento dos rendimentos, segundo o relatório de gestão.

De acordo com o documento, consultado hoje pela Lusa, os rendimentos registaram uma subida de 2,4% face a 2024, enquanto os gastos cresceram 7,73%, uma diferença que esteve na origem do prejuízo de 1,38 milhões de euros, superior ao resultado negativo do ano anterior, que foi de 800 mil euros.

A análise do município aponta que este desempenho se deve sobretudo ao aumento das despesas com pessoal, à aquisição de serviços, ao consumo de energia, à manutenção de instalações e a amortizações.

Ainda assim, a autarquia enquadra estes resultados num “contexto de incerteza internacional”, marcado pelo prolongamento do conflito na Ucrânia, tensões no Médio Oriente e instabilidade económica global, fatores que pressionaram os custos e condicionaram a gestão financeira municipal.

No plano orçamental, a receita total cobrada atingiu 13,79 milhões de euros, mais 2,17 milhões do que em 2024, correspondendo a uma taxa de execução global de 80,92%.

As receitas correntes apresentaram uma execução de 89,39%, com destaque para as transferências correntes, que ascenderam a 5,6 milhões de euros, bem como para os impostos diretos, que ultrapassaram 1,26 milhões de euros, e para as taxas e multas, com cerca de 839 mil euros.

Já as receitas de capital registaram uma taxa de execução de 65,39%, mantendo-se abaixo do total previsto.

Do lado da despesa, o município pagou 11,83 milhões de euros, o que corresponde a uma execução de 69,38% da dotação corrigida, mais dois milhões de euros do que o ano anterior.

As despesas correntes apresentaram uma taxa de execução de 86,28%, enquanto as despesas de capital se fixaram nos 46,59%, devido à não concretização de parte do investimento previsto.

Apesar do resultado líquido negativo, a autarquia sublinha que “foi cumprido o princípio do equilíbrio orçamental”, com as receitas correntes a superarem as despesas correntes em cerca de 314 mil euros.

O exercício gerou um saldo de gerência de 3,44 milhões de euros, resultante do diferencial entre receitas e despesas e do saldo transitado do ano anterior.

Ao nível da estrutura de custos, os gastos com pessoal (4,5 milhões de euros) e os fornecimentos e serviços externos (2,9 milhões de euros) representaram mais de 67% das despesas totais, sendo apontados como os principais fatores de pressão financeira.

A análise funcional da despesa indica ainda que as funções sociais, incluindo educação, ação social, habitação, ambiente e cultura, concentraram cerca de 74% dos gastos, “evidenciando a prioridade atribuída à resposta às necessidades da população”, lê-se no documento, já aprovado por unanimidade pelo executivo e pela assembleia municipal.

No plano financeiro, a dívida total teve um aumento de 332 mil euros, representando um aumento de cerca de 14,35%, com um crescimento particularmente expressivo na dívida a fornecedores e fornecedores de investimento. A divida do município está agora fixada nos 2,6 milhões de euros.

Na análise global, o município considera que 2025 foi marcado por um aumento generalizado dos custos, associado à execução de políticas públicas nas áreas sociais, habitação, proteção civil e cultura, destacando que o resultado negativo reflete sobretudo “esse esforço de investimento e funcionamento dos serviços municipais”.

A Câmara da Golegã é liderada por António Camilo, de um movimento independente, desde 2021.

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