O ministro da Administração Interna, Luís Neves, disse que o Governo está a ouvir opiniões de bombeiros e autarcas sobre proteção civil e que, no final, escolherá as opções que deem “mais garantias ao país”.

“Estamos muito tranquilos, ouvimos aqui opiniões divergentes e, naturalmente, escolheremos a opção que der mais garantias ao país”, afirmou Luís Neves, em declarações à Lusa no final de uma reunião com bombeiros e autarcas no Centro Cultural de Ferreira do Zêzere, no âmbito do “roteiro de proximidade” que está a percorrer o país.

O governante fez um balanço positivo dos cinco encontros realizados até agora, sublinhando a importância do contacto direto com o terreno.

“A ação governativa da administração interna deste Governo está muito satisfeita pela conversa franca e leal que teve com todas as unidades de bombeiros”, afirmou, referindo que nestes encontros os responsáveis locais têm oportunidade de expor dificuldades e apresentar propostas.

Luís Neves indicou ainda que o Governo está a preparar medidas para mitigar riscos associados às recentes intempéries, depois de, na reunião realizada hoje de manhã, em Portalegre, ter antecipado “um ano complicado” em matéria de incêndios florestais e garantido que o Governo vai – “dentro de poucos dias” – avançar com uma comunicação “muito específica” em relação ao SIRESP.

Ainda sobre as consequências das tempestades que assolaram Portugal continental desde o final de janeiro até meados de fevereiro, o ministro da Administração Interna adiantou que está a ser preparada “uma ação muito rápida para poder cortar e debelar tudo aquilo que é material lenhoso, pelo território todo”.

No distrito de Santarém, uma das principais questões em debate foi a eventual extinção dos comandos sub-regionais de proteção civil, nomeadamente o do Médio Tejo, contestada por bombeiros e autarcas.

Questionado sobre o tema, o ministro evitou comprometer-se com uma decisão imediata, insistindo que o objetivo do périplo que está a fazer pelo país é recolher contributos antes de qualquer decisão estrutural.

“O país é um todo, o país não é só o litoral e o interior do país também precisa de ter atenção”, declarou, considerando a iniciativa “um sinal de respeito pelas populações do interior”.

Entre os participantes da reunião de hoje à tarde em Ferreira de Zêzere esteve o presidente do município, Bruno Gomes, que também é vice-presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo.

No encontro, o autarca manifestou oposição à extinção do comando sub-regional, posição que disse ter transmitido diretamente ao ministro.

“A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo não está de todo de acordo com a extinção dos comandos sub-regionais”, afirmou, defendendo que o modelo atual garante proximidade, melhor gestão de meios e articulação entre entidades.

Bruno Gomes indicou ainda que o encontro com o ministro permitiu discutir várias matérias relevantes, desde o financiamento das corporações de bombeiros até questões operacionais, esperando que o processo contribua para melhorar o enquadramento legal da proteção civil.

Também 10 dos 14 comandantes de corporações de bombeiros do Médio Tejo reiteraram a defesa do modelo em vigor, alertando para o risco de retrocesso.

“Mostrámos aquilo que era a nossa opinião, transmitimos ao senhor ministro que seria importante ver aquilo que corre bem também no país e tentar replicar”, afirmou à Lusa o comandante dos Bombeiros do Sardoal, Nuno Morgado.

O responsável sublinhou que, no Médio Tejo, o comando sub-regional tem demonstrado eficácia, defendendo a sua continuidade.

“É nosso entendimento de que no comando sub-regional do Médio Tejo as situações funcionam bem e deveria analisar-se a sua continuidade”, disse.

Nuno Morgado referiu ainda que os comandantes esperam ser envolvidos no processo de decisão, no âmbito da revisão da lei orgânica da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

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